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Brasília

Pessoas relatam problemas ao entregar entes queridos à polícia

Arquivo Geral

30/09/2012 9h30

Lucas Dutra
lucas.dutra@jornaldebrasilia.com.br

A perda de entes queridos por um período de tempo ou pelo decorrer de uma vida, costuma ser acompanhada de angústia, tristeza e solidão. Muitas vezes, responsáveis por viabilizar esta mescla sentimental, ocorrências e detenções policiais desmancham famílias, principalmente quando denúncias partidas de dentro do lar ocasionam estas situações.

Com a sobrecarga da moralidade nas costas, muitos pais perdem a luta contra o mundo do crime e precisam tomar a decisão mais difícil de suas vidas: delatar o filho infrator às forças de segurança para salvá-lo, ou silenciar e aceitar o convívio com o imprevisível.

Com a expectativa de que um fator externo à situação   resolva todos os problemas de uma vez, o embate entre as alternativas culmina na denúncia pensada e repensada. Entretanto, é impossível prever o que pode acontecer após uma delação familiar. Com M.R.P., aposentada pensionista, 48 anos, a controversa decisão rendeu ameaças de morte e encerrou por completo o conturbado vínculo com o filho, S.P.A, 32.

Como última tentativa de desviar o primogênito do universo das drogas ilícitas, explorado pela primeira vez há 20 anos, a mãe – que, quase diariamente, recebia ameaças de morte de S.P.A. – procurou ajuda da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em pelo menos dez vezes. A cada ida às delegacias de São Sebastião e Planaltina, onde mora atualmente com outros dois filhos,  mais marcas feriam o vínculo afetivo que poderia restar em ambos.

“Ele ficou mais nervoso, descontrolado. De cinco anos para cá, é ameaça em cima de ameaça. Já tentou até arrebentar a porta para tentar me matar. Tive que fugir de casa”, revelou. A última ocorrência contra S.P.A foi registrada em 12 de setembro de 2012.

Segundo M.R.P., o filho mudou completamente aos 12 anos, após o envolvimento com maconha, crack e cola de sapateiro. “Não tem como ter uma relação novamente. Em um dia ele diz ‘mamãe, você é tudo na minha vida’, faz uma declaração de amor e, cinco minutos depois, diz: ‘Mamãe, sabia que tenho vontade de meter a faca na sua barriga e jogar você no chão?’”, contou abatida.

Antes de realizar as ocorrências policiais, a pensionista aposentada internou S.P.A. no Hospital de Pronto Atendimento Psiquiátrico (Hpap), mas o filho fugiu e nunca retornou à unidade. Por se tratarem apenas de ameaças, a PCDF não teria detido o denunciado, de acordo com a mãe.

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