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Brasília

Pesquisa premiada no DF revela falhas no acompanhamento de pacientes com HIV e risco de tuberculose

Estudo de alunos da escs analisou 654 exames em ceilândia e identificou ausência de registro de tratamento preventivo em quase 30% dos casos indicados

Redação Jornal de Brasília

29/10/2026 19h16

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Foto: Divulgação/Fepecs

Uma pesquisa desenvolvida por estudantes de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) ganhou destaque ao revelar fragilidades no acompanhamento de pessoas que vivem com HIV e passam pelo rastreamento da infecção latente por tuberculose no Distrito Federal. O trabalho de Maria Cecilia Caixeta Magalhães e André Rodrigues Diógenes Macedo foi premiado nesta quinta-feira (29) no 32º Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Brasília e 23º Congresso de Iniciação Científica do DF.

O estudo analisou 654 exames realizados entre 2023 e 2025 na Policlínica II de Ceilândia, utilizando o IGRA, exame de sangue empregado para identificar a infecção latente por tuberculose. Cerca de 9% dos testes apresentaram resultado positivo. Entre os pacientes para os quais o tratamento preventivo estava indicado, quase 30% não tinham registro de início da terapia, um dos principais alertas encontrados pelos pesquisadores.

A preocupação ganha peso diante dos indicadores de coinfecção entre tuberculose e HIV no Distrito Federal. Segundo os dados apresentados na pesquisa, essa proporção ultrapassa 11% no DF, enquanto a média nacional está em torno de 9%. Pessoas vivendo com HIV apresentam maior risco de desenvolver a forma ativa da tuberculose, o que torna o rastreamento e o acompanhamento posterior etapas importantes da assistência.

Os estudantes também identificaram dificuldades na integração entre sistemas laboratoriais e prontuários eletrônicos, cenário que pode prejudicar a circulação das informações entre o diagnóstico e o cuidado clínico. “Para mim, o mais bonito é que o prêmio reconheceu um trabalho sobre uma tecnologia que acabou de chegar ao SUS, olhando para o que acontece na prática”, afirmou Maria Cecília. Ela destacou ainda uma das vantagens do IGRA em relação ao PPD: enquanto o exame anterior exige que o paciente retorne ao serviço em dois ou três dias para a leitura, o IGRA necessita de apenas uma coleta de sangue.

Orientado pelo médico infectologista e professor Lino Neves da Silveira, o trabalho busca transformar dados do próprio serviço público em ferramenta para melhorar a assistência. Maria Cecília ressalta que os resultados retratam uma unidade de atenção secundária da Regional Oeste de Saúde e não substituem estudos de maior abrangência, mas podem orientar decisões locais. “Fico muito feliz de ver a minha pesquisa ajudando a olhar para o nosso próprio sistema de saúde”, afirmou.

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