O Governo do Distrito Federal apresentou nesta sexta-feira (12) a pesquisa inédita Panorama da Violência contra a Mulher no DF, que buscou identificar fatores associados ao feminicídio e à violência contra a mulher no Distrito Federal. O levantamento ouviu mais de 5 mil pessoas e 39 autores de feminicídio presos no Complexo da Papuda, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção.
Na apresentação dos dados, a governadora Celina Leão anunciou a assinatura de um decreto para institucionalizar o estudo, que passará a ser realizado a cada dois anos. Segundo ela, a iniciativa pretende criar parâmetros mais consistentes sobre a violência contra as mulheres no DF.
Produzida pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher (SMDF) e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), a pesquisa teve dois focos: medir as diferentes formas de violência contra a mulher no DF, incluindo o contexto em que ocorrem e a percepção da sociedade sobre o problema, e compreender as motivações de homens presos por feminicídio de parceiras íntimas.
As entrevistas com os autores de feminicídio indicam que o crime não decorre de uma causa única, mas de trajetórias marcadas por padrões de masculinidade ligados à autoridade, ao controle e à dificuldade em lidar com conflitos. O estudo também identificou comportamentos de escalada da violência, como controle de celular, ameaças, agressões físicas e uso de armas.
Entre os resultados, 77,6% das mulheres relataram já ter vivido alguma situação de violência ao longo da vida. Já 44,8% reconheceram ter sido vítimas e, entre essas, 15,4% ainda mantêm relação com o agressor. A dependência financeira aparece como principal fator associado à violência por parceiros íntimos.
A pesquisa também apontou dificuldade no reconhecimento de diferentes formas de violência. Para 49,4% dos entrevistados, negar acesso ao próprio dinheiro não é sempre considerado violência. Apenas 33,8% das mulheres e 19,7% dos homens identificaram corretamente todas as situações apresentadas. O levantamento ainda registrou concordância com frases que reforçam estereótipos sobre mulheres, como “toda mulher é um pouco histérica”, “mulher é o sexo frágil” e “tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama”, com maior naturalização entre os homens.
O secretário de Segurança Pública do DF, Alexandre Paturi, afirmou que os dados refletem a realidade enfrentada diariamente pelas forças de segurança. Segundo ele, o programa DF360 mostra a frequência dos casos de violência doméstica, e muitos episódios podem ficar subnotificados porque as vítimas não acionam a polícia por medo.
A governadora também apresentou um panorama das ações do GDF em defesa das mulheres desde 2019, com a criação da Secretaria da Mulher. Entre as iniciativas citadas estão a inauguração da Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia, a criação da Força-Tarefa contra o Feminicídio, do programa Acolher Eles e Elas, do Comitê de Proteção à Mulher, do Aluguel Social e do Passe Livre, além de centros de referência e da previsão de abertura de uma nova Casa da Mulher Brasileira no Plano Piloto.
Segundo o governo, a rede de proteção foi ampliada com a implantação de 17 novos equipamentos públicos, chegando a 31 unidades. A Secretaria da Mulher informou ainda que, em 2025, realizou mais de 70 mil atendimentos diretos e alcançou mais de 100 mil mulheres por meio de programas e ações, com investimentos superiores a R$ 86 milhões.