Quem costuma comprar medicamentos com frequência deve ter notado que alguns fabricantes aumentaram o preço de seus produtos bem além do reajuste autorizado pelo governo, sick de 5, story 9%, que entrou em vigor no último dia 31. Uma pesquisa do Conselho Regional de Farmácia do DF (CRF-DF) registrou aumentos até 156,87% no preço dos medicamentos genéricos, aqueles lançados no mercado justamente para dar um alívio no bolso dos consumidores. De acordo com o levantamento, não foram detectados reajustes abusivos nos remédios de marca.
O maior aumento foi verificado no antibacteriano Cloridrato de Ciprofloxacino, do Laboratório Aurobindo Pharma, que em março custava R$ 31,95 e passou a custar em abril R$ 82,07, um reajuste de 156,87%. Com os medicamentos mais caros, o CRF-DF aconselha que o consumidor faça uma pesquisa de preço antes da compra, pois laboratórios cobram valores bem diferentes para o mesmo medicamento.
Segundo o presidente do CRF-DF, Hélio José de Araújo, “o usuário de medicamento procura o medicamento genérico por ser a opção mais barata, mas é preciso que ele pesquise, pois além de serem reajustados muito além do permitido pelo governo, a diferença no preço dos genéricos é gritante, fazendo com que o usuário, que acredita está fazendo a melhor opção, saia prejudicado”.
Pesquise
E é bom gastar muita sola de sapato mesmo antes de comprar. A pesquisa do CRF-DF mostrou, ainda, diferença de preço entre os genéricos, que chegam a quase 200%. A maior diferença encontrada foi entre o genérico do Cloridrato de Ciprofloxacino, do laboratório EMS (R$ 92,40), que custa 172,08% a mais que o mesmo genérico do Laboratório Mdley (R$ 33,96). Outro exemplo é o genérico da Amoxicilina, do laboratório Ranbaxy (R$ 23,37), que custa 168,62% a mais que o do laboratório Genericos Germed (R$ 8,70).
Para fazer o levantamento, o CRF-DF utilizou as revistas ABCFARMA e Guia da Farmácia (meses de março e abril de 2009), publicações da indústria farmacêutica distribuídas para todas as farmácias do País e utilizadas nos balcões na hora da venda para verificação dos preços, como fontes, como também fez pesquisas nos próprios estabelecimentos.
O aposentado Edson Nogueira Alves, 74 anos, não precisou saber do resultado da pesquisa para notar que alguns medicamentos foram reajustados bem acima do índice estabelecido pelo governo. O remédio que ele utiliza para controlar a pressão teve, segundo ele, um aumento de quase 40%. “Passou de R$ 18 para R$ 25, sem mais nem menos. E ninguém sabe explicar o motivo”, diz ele, indignado.
Reajuste
Desde o dia 31 de março, 20 mil remédios ficaram até 5,9% mais caros. Com exceção dos homeopáticos, fitoterápicos e de cerca de outros 400 remédios de grande concorrência no mercado, que não precisam de prescrição médica, como Dipirona e Melhoral, o restante foi enquadrado no reajuste que levou em conta, entre outros itens, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O reajuste de preços é concedido anualmente, no dia 31 de março, e leva em conta a participação dos genéricos no mercado, a projeção do lucro dos laboratórios e de custos dos insumos e o IPCA acumulado nos últimos 12 meses – de março de 2008 a fevereiro deste ano.
O segmento de medicamentos genéricos movimentou 277,1 milhões de unidades em 2008, uma expansão de 18,9% em relação ao ano anterior. O crescimento superou a média do setor farmacêutico como um todo, que apresentou alta de 7,9%, para 1,634 bilhão de unidades, segundo dados referentes à venda no varejo farmacêutico divulgados pela Pró Genéricos. A entidade prevê que, em 2009, o segmento deve crescer entre 10% e 15%, aumentando sua participação para 20%.