Uma pesquisa exclusiva da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) indica que a restrição ao uso de celulares nas escolas públicas melhorou a aprendizagem, a atenção, o comportamento e a convivência entre estudantes. O levantamento foi realizado entre 25 de março e 10 de abril de 2026 e ouviu 4.033 integrantes da comunidade escolar.
Segundo o estudo, 85% dos professores participantes perceberam melhora na aprendizagem dos estudantes desde a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que regulamenta o uso de aparelhos eletrônicos portáteis nas instituições de educação básica. Desse total, 45% apontaram contribuição significativa da medida para o desempenho escolar, enquanto 40% observaram melhorias parciais, associadas ao aumento da atenção, do foco e da participação nas atividades pedagógicas.
A pesquisa também registrou avaliação positiva sobre o comportamento dos alunos. Entre os profissionais da educação consultados, 78,3% disseram ter observado mudanças favoráveis após a implementação da lei, com destaque para maior envolvimento nas atividades escolares, melhora na socialização e fortalecimento da convivência nas unidades de ensino.
O engajamento em sala de aula também foi apontado como um dos principais efeitos da medida. De acordo com o levantamento, 75,7% dos profissionais identificaram impactos positivos na participação dos estudantes após a redução das distrações provocadas pelos aparelhos eletrônicos. Além disso, 32,3% perceberam melhora significativa na atenção dos alunos, com maior concentração durante as aulas e melhor aproveitamento das atividades propostas pelos professores.
Na avaliação da secretária de Educação do Distrito Federal, Iêdes Braga, os resultados mostram que a escola voltou a ocupar um papel ainda mais forte como espaço de aprendizagem, convivência e desenvolvimento. Ela afirmou que o uso consciente da tecnologia continua sendo incentivado, mas dentro de uma perspectiva pedagógica.
Os ganhos também apareceram nas relações interpessoais. Para 46,7% dos profissionais, a restrição ao uso dos celulares contribuiu significativamente para melhorar a convivência entre os estudantes. Outros 36,3% apontaram avanços parciais, citando maior diálogo, fortalecimento de vínculos e ampliação das interações presenciais nos momentos de convivência.
No Centro de Ensino Médio Asa Norte (Cean), uma das escolas da rede pública do Distrito Federal, o diretor Claudinei de Oliveira disse que a mudança foi percebida desde as primeiras semanas de implementação da medida. Segundo ele, os estudantes passaram a interagir mais entre si, os intervalos voltaram a ser espaços de convivência e, em sala de aula, os professores relatam maior atenção e participação.
O levantamento reuniu as percepções de 1.888 estudantes, 1.665 familiares, 362 professores e 118 gestores escolares, totalizando 4.033 respondentes. O objetivo foi avaliar os impactos da Lei nº 15.100/2025 no cotidiano das unidades escolares da rede pública do Distrito Federal.
A pesquisa também mostra que 73,9% dos respondentes da rede pública classificaram a implementação da legislação como eficiente ou muito eficiente. Para apoiar as unidades de ensino, a Secretaria de Educação desenvolveu o material “O Celular na Escola: Modo Aprendizagem”, com orientações sobre o uso responsável das tecnologias digitais e o fortalecimento de práticas pedagógicas alinhadas à legislação.
Na terça-feira (30), Iêdes Braga participou do lançamento de uma pesquisa nacional sobre o primeiro ano de implementação da Lei nº 15.100/2025, em evento realizado no auditório do Ministério da Educação (MEC). A atividade reuniu representantes do ministério, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), do Instituto Alana e de redes estaduais de educação.
Com informações da SEE-DF