Soraya Sobreira
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Mais de 80% dos jovens de três regiões de baixa renda do Distrito Federal iniciaram a vida sexual até aos 17 anos, antes mesmo de concluir o Ensino Médio. O dado faz parte da pesquisa divulgada pela Central Única das Favelas (Cufa) em parceria com o Ministério da Saúde. O levantamento foi feito em Arapoanga, Estrutural e Itapoã e revelou o comportamento, a vida social e sexual desta parcela da população. Destes jovens, cerca de 70% afirmam ter um vida sexualmente ativa, e a consequência, muitas vezes, é a gravidez precoce.
Moradora da Estrutural, a estudante Nayara Martins, 19 anos, é exemplo desta realidade. “Eu tinha 15 anos quando tive minha primeira relação sexual, e um ano depois nasceu minha filha”, conta a balconista de padaria. Ela confessa que quase não usava métodos contraceptivos. “Às vezes sim, outras não”, admite. Depois da gravidez, a jovem foi morar com o namorado, de 18 anos, na casa da mãe. “Meus pais se separaram pouco tempo depois, e o pai da minha filha morreu assassinado. Ficou complicado criar minha filha, tive que arrumar um emprego”, revela.
Para Nayara, a falta de experiência foi o motivo para o rumo que sua vida tomou. “Quase não tinha conhecimento sobre as coisas. Não me arrependo de ter minha filha porque, já que eu fiz, agora tenho que criá-la”, avalia. Hoje, a jovem está no último ano do Ensino Médio.
Assim como Nayara, 42% dos jovens confessam que não utilizam qualquer tipo de preservativo. A camisinha é o mais popular dos métodos. “E apesar de 81% contarem que sabem usá-la, percebe-se que na realidade não é bem assim. Vinte e cinco por cento dizem que a camisinha já estourou. Ou seja, é contraditório, por conta do uso de forma inadequada”, observa Priscila Dourado, agente de desenvolvimento do projeto Saúde Ativa, responsável pela pesquisa.
Segundo a pesquisadora, o desconhecimento a respeito das drogas e das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ainda preocupa. Priscila explica que o projeto servirá de base para atuação de políticas públicas.
O estudante B.L., 15 anos, assim como muitos dos jovens ouvidos no levantamento, sabia pouco sobre as DSTs. “Só agora estou aprendendo sobre como é perigoso quando a gente não se previne”, diz. Ele conta que gostaria de obter mais informações a respeito de sexualidade. “Acho importante que os jovens tenham conhecimento sobre este assunto, porque nos atinge diretamente, e assim evitamos cometer muitos deslizes durante a juventude”, ressalta.
Conforme a pesquisa, os jovens só pedem informação a respeito de sexo, drogas e DSTs em postos de saúde em último caso. “Muitos não têm um diálogo em casa por conta da família desestruturada. Por isso, pode vir gravidez indesejada, em alguns casos até por procurar liberdade saindo de casa”, observa a representante da Cufa.