Asfaltos desgastados, buracos na pista, ausência de acostamentos, sinalização insuficiente e curvas perigosas sem muretas de proteção. Assim está grande parte das rodovias pavimentadas do Distrito Federal. Para mudar essa situação, seria necessário o investimento de R$ 5,7 bilhões. O cálculo é da Confederação Nacional do Transporte (CNT), feito com base na Pesquisa Rodoviária 2009, divulgada ontem.
Foram analisados 404 quilômetros da malha rodoviária do DF, isto é, quase metade dos 974 quilômetros das rodovias federais e estaduais existentes na capital federal. Apesar de constatar a necessidade de investimento, a pesquisa concluiu também que as rodovias que cortam o DF não apresentam trechos classificados pela CNT como péssimos. A maioria das rodovias avaliadas, ou seja, 55,7% delas, foi considerada regular; 24,8%, ótimas; 13,4%, boas; e 6,2%, ruins.
“Aqui, além da malha ser pequena, elas são formadas pelas rodovias federais radiais. Isso contribui para que o volume de recursos dos governos federal e distrital para a manutenção delas seja maior”, explica o diretor executivo da CNT, Bruno Batista. As radiais são aquelas que têm sua origem no anel rodoviário de Brasília e rumam em direção aos extremos do país.
A Pesquisa Rodoviária 2009 está na 13ª edição e avaliou 89.552 quilômetros da rede pavimentada de rodovias brasileiras. O resultado geral da pesquisa é determinado pela análise das condições do pavimento, sinalização e geometria das rodovias. No DF, 63,9% dos trechos analisados foram considerados ótimos ou bons quanto à pavimentação. Quanto à sinalização, 46% também receberam a mesma avaliação, bem como 44,3% das vias, quanto às suas geometrias.
Situação é pior no resto do País
Se por um lado, a condição das estradas no DF não chega a ser considerada péssima, as demais rodovias brasileiras estão longe da perfeição. Segundo a CNT, 69% da malha rodoviária do país é considerada regular ou péssima.
De acordo com a pesquisa, um dos grandes problemas é o fato de que 88,9% das rodovias são formadas por pistas simples de mão dupla. O estudo da CNT aponta que problemas como pavimentação danificada, sinalização comprometida e carência de infraestrutura, provocam o aumento de 28% do custo operacional dos caminhões, além do aumento de 5% do consumo de combustível no país.
Segundo estimativas do presidente da CNT, Clésio Andrade, o investimento mínimo necessário para deixar as estradas pavimentadas em bom estado é de R$ 32 bilhões. Já para deixar o país com rodovias com o padrão de primeiro mundo, o investimento deveria ser de R$ 124 bilhões. A realidade, porém, está longe das estimativas de Andrade. Segundo a CNT, de 2003 a setembro de 2009, apenas R$ 23,8 bilhões foram gastos em rodovias.
Críticas
O presidente da CNT criticou a ação do governo principalmente na timidez do uso do dinheiro da arrecadação da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). O imposto, criado em 2001 e cobrado na importação e comercialização de combustíveis, deveria ser voltado, entre outros destinos, para infraestrutura de transportes. A arrecadação bruta do imposto, de 2002 a agosto de 2009, foi de R$ 65 bilhões. Desse total, apenas R$ 23,4 bilhões teriam sido usados em transportes.
Andrade indicou também os embargos do TCU (Tribunal de Contas da União) como um dos grandes empecilhos para a melhoria da condição das estradas brasileiras. Em 2009, o TCU fiscalizou 62 obras de infraestrutura rodoviária e recomendou a paralisação de 26 delas. A CNT estima um aumento de R$ 745,5 milhões por ano no custo operacional do transporte devido ao atraso dessas obras.
A pesquisa da CNT foi realizada em 89.552 quilômetros da malha rodoviária do país. A melhor malha é a da região sudeste, seguida pelas regiões Sul, Centro-Oeste, Nordeste e, por último, a região Norte.
De uma forma geral, as estradas federais estão em melhor situação que as estaduais. Das federais, 33,1% estão em estado entre bom e ótimo, enquanto o índice das estaduais é de 26,9%. As pistas concedidas apresentam resultado muito superior, sendo 42% delas avaliadas como em estado ótimo. Já nas vias geridas pelo governo, apenas 8% estão em estado ótimo.
Acostamento em quase toda a pista, pavimentação quase perfeita e placas legíveis fazem da BR-116, na Bahia, a melhor rodovia do país. A BR liga as cidades Jequié a Divisa Alegre. A pior pista é a BR-74/BR210, em Roraima.