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Brasília

Pesquisa da UnB sugere avaliação mais apurada em pistas de aeroportos

Arquivo Geral

27/07/2009 0h00

A segurança de pousos e decolagens no Brasil depende de inspeção permanente da Infraero nas pistas dos aeroportos. O prazo de manutenção varia conforme o movimento de aeronaves e as condições da pista. Em Brasília, cialis 40mg a área que recebe os aviões passa por testes e limpeza a cada seis meses, malady segundo norma da Agência Nacional de Aviação Civil. Apesar de atender à regra, o pesquisador da Universidade de Brasília João Paulo Souza Silva afirma que a Infraero deveria realizar análises mais apuradas para confirmar a segurança dos aeroportos brasileiros.


João Paulo, autor da dissertação em Geotecnia Aderência pneu-pavimento em revestimentos asfálticos aeroportuários, fez uma varredura completa das partes mais importantes da pista antiga – que é a mais utilizada – do Aeroporto Internacional de Brasília. A avaliação feita pela UnB é diferente da realizada pelos técnicos da Infraero. A entidade analisa, a cada 100 metros, pontos no centro da pista, três metros à direita e três à esquerda. “A avaliação é superficial. A distância de 100 metros é muito longa”, diz o pesquisador.


Ele realizou três testes em cinco pontos diferentes da zona mais tocada pelos trens de pouso (ver arte). “As aeronaves mais comuns – Boeing, Airbus e Fokker – utilizam principalmente os 20 metros centrais da pista, por uma extensão de 660 metros”, explica João Paulo. A análise se repetiu a cada 50 metros, e o levantamento foi realizado antes e depois da manutenção da pista (retirada dos resíduos de borracha das rodas dos aviões). “Se a parte mais utilizada são os primeiros 600 metros, recolher pontos a cada 100 metros é pouco”, destaca João Paulo.


OS TESTES – O pesquisador da UnB analisou a macrotextura – rugosidade do pavimento –, a microtextura – rugosidade de cada pedrinha do asfalto, que determina a resistência à derrapagem – e a capacidade de drenagem da superfície. Os dois primeiros testes ajudam a determinar o Índice Internacional de Atrito, que varia de 0 a 1, sendo 0 o mais crítico. “Quando o pavimento está em 0,52, a administração aeroportuária precisa tomar providências. Abaixo de 0,42, a pista deve ser interditada”, ressalta João Paulo. O aeroporto JK teve índice médio de 0,62.


Mesmo com as boas condições da pista, o pesquisador defende avaliação mais criteriosa na parte principal do pavimento. No caso de Brasília, é a cabeceira 11L, que recebe cerca de 85% dos pousos e decolagens do aeroporto. A Infraero não tem dados sobre nenhum acidente ocorrido por problemas na pista do JK. “Mas um acidente pode ocorrer a qualquer hora. Os aeroportos deveriam fazer uma avaliação estatística mais rigorosa”, observa João Paulo.


RISCOS


Cerca de 52% dos acidentes aéreos ocorrem durante o pouso, quando a aeronave se aproxima ou toca a pista. Outros 17% acontecem durante a decolagem. Apenas 6% são registrados quando o avião está em cruzeiro. “O impacto social é maior quando um avião cai. Mas quase 70% dos incidentes são registrados próximo à pista”, reforça João Paulo.


O Aeroporto JK é o terceiro mais movimentado do país, com fluxo de cerca de 400 aeronaves por mês. O local possui duas pistas, ambas com a camada porosa de atrito, conhecida como grooving. A manutenção é realizada a cada seis meses, segundo regras da Instrução de Aviação Civil nº 4302. A instrução foi elaborada em 2001, com base em orientações da Organização Internacional de Aviação Civil.

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