Tudo indica que o Brasil ficará dourado quando disputar a prova olímpica do salto com vara. Sem a russa Yelena Insinbayeva, a paulista Fabiana Murer tem tudo para se dourar. Como anunciou que encerrará a carreira depois dos Jogos, pode ser a consagração da menina que, a partir dos 7 anos de idade, em Campinas-SP, tentou a ginástica artística, o que a sua altura impediu, a partir dos 15. Crescera muito.
Sem chances como ginasta, Fabiana tentou o vôlei e a natação. Ao chegar ao atletismo, pensou em corrida e salto em distância, mas, ao saber que ela fora ginasta, o treinador Elson Miranda propôs-lhe o salto com vara, coisa nova para moças no Brasil, em 1997.
No Rio de Janeiro, a maior vitória de Fabiana foi o ouro do Pan-Americano-2007, cravando 4m60cm e superando, em 20cm, o recorde da competição. Mas faria melhor durante o Troféu Brasil-2008, pulando 4m80cm, beliscando mais um ouro e batendo o recorde sul-americano. Esta marca, por sinal, ela já deixou para trás em duas oportunidades, saltando 4m82cm (recorde continental indoor), durante o inglês GP de Birmingham-2010, e atingindo 4m85cm (recorde sul-americano) no Ibero-Americano, na mesma temporada, na espanhola San Fernando.
Para manter a forma, Fabiana Murer ingere, durante os treinos, sachês de carboidratos em gel, para ter mais energia, evitar hipoglicemia, fadiga e perda do glicogênio muscular. Após os treinos, aminoácidos líquidos para recuperação muscular. Pelo final do dia, suplementos proteicos que ajudam a manter e construir fibras musculares. Quando é maior e intenso o treinamento, ela ataca os carboidratos de pães, massas, cereais integrais, arroz, batata, e as proteínas das carnes, ovos, leites e derivados.
Os trabalhos de Fabiana mudam de acordo com a época do ano e a disputa que ela terá pela frente. Antes da prova, são seis horas diárias na pista, e metade disso pelas vésperas da competição. Além das marcas já citadas, ela tem no currículo o hepta do Troféu Brasil (2001/05.06.07/08/09/10). Em uma de suas melhores temporadas, em 2010, foi campeã da Diamond League, com ouro nas provas de Roma-ITA, Eugene-EUA, Mônaco e Zurique-SUI; dos GPs de Londres-ING, de Rieti-ITA e do Rio de Janeiro e da Copa Latina. Em competições indoor (ginásio coberto), venceu, também, Mundial, em Doha-Katar-2010 e o GP de Stuttgart-ALE.
Nascida em 16 de março de 1981, aos 35 anos de idade, a campineria Fabiana não deve quebrar o recorde mundial do salto com vara, de 5m06cm, de Insinbayeva, que tem 34 e não veio ao Brasil. Medindo 1m72cm e pesando, normalmente, 58 quilos, ela deve ficar pela casa dos 4m82, 83,84, 85cm.
Medalhas de lata
Ao contrário das glórias de Fabiana Murer, algumas atletas brasileiras já andaram pela contramão da história esportiva. Entre 1995 a 2007, por exemplo, tivemos estas punições, por ordem alfabética:
Daiane dos Santos, ginasta campeã mundial de solo-2003, punida com cinco meses fora das provas. Acusação: uso de furosemida, segundo ela, usada em tratamento estético quando recuperava-se de cirurgia de joelho.
Elisângela Adriana, arremessador, suspensa sob a acusação de uso de nandrolona, que aumenta a massa muscular.
Elisângela Paulino, voleira, acusada de usar o estimulante isometepteno, levou dois meses de castigo, quando jogava por um time italiano.
Daniela Mapeli, defendia um time alemão de vôlei e pegou três meses de suspensão, acusada de usar o mesmo isometepteno.
Jaqueline, mais uma voleira, ficou nove meses de fora das quadras, acusada de usar sibutramina, encontrada em medicamentos emagrecedores. Em 2008, foi campeã olímpica, o primeiro ouro brasileiro da modalidade.
Juliana Kury, nadadora suspensas, por dois anos, acusada de usa o anabolizante nandrolona.
Mariana Ohata, a brasiliense que pegou 60 dias de gancho, acusada de ingerir dietil propiol, derivado de anfetamina que ajuda a emagrecer.
Mauren Maggi, saltadora em distância, passou dois anos suspensa, acusada de usar clostebol, que aumenta a força muscular. Alegou que o produto estava em uma pomada usada como cicatrizante. Voltou a competir e foi ouro na Olimpíada-2008.
Rebeca Gusmão, nadadora, acusada de usar testosterona exógena, para aumento de massa muscular. Foi banida, pela Federação Internacional de Natação.
Sueli Pereira, arremessadora de peso, suspensa, por dois anos, acusada de usar esteroides anabolizandes. Voltou a competir e foi às Olimpíadas da australiana Sidney-2000.