João Paulo Mariano
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No DF, tem muito motorista não se importando com a necessidade de dirigir somente após adquirir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No ano passado, até outubro, 11.374 condutores foram flagrados conduzindo veículos sem o documento obrigatório. E, de 2016 para 2017, houve aumento de 3,28% no número de multas.
Porém, o diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, Glauber Peixoto, acredita que o número real possa ser maior: “Não existe um estudo feito pelo Detran, mas a minha experiência em abordagens de rua, na prática, me faz acreditar que se em 2017 foram dadas 15 mil multas, o número de motoristas que trafegam sem a carteira é duas vezes maior. Então, 30 mil insistem no erro”, afirma ao comentar sobre as 15.508 infrações daquele ano.
Trafegar sem CNH é uma infração gravíssima, com pena de multa de até R$ 840,41 e retenção do veículo. Além disso, se um motorista com toda a documentação pode causar graves acidentes, aqueles sem a devida preparação podem trazer ainda mais insegurança. Por exemplo, no dia 2 dezembro do ano passado, um domingo, um jovem de 21 anos, e sem carteira de motorista, invadiu a cena de um acidente em Ceilândia e saiu arrastando os cones que estavam no local. Por pouco não causou um outro incidente.
De acordo com a Polícia Militar, o homem estava em alta velocidade, perdeu o controle e acabou cometendo a infração. Ao ser abordado, ele disse que não tinha habilitação. O carro foi recolhido e o condutor irregular acabou detido. Em outu bro, outro caso foi ainda mais grave: um motociclista bêbado e inabilitado bateu em outra moto, no início da W3 norte. Ele foi levado para a 5ª DP (Área Central).
Existem ainda aqueles que acabam se colocando em perigo, mesmo não causando acidentes. Wagner* (nome fictício) aprendeu a dirigir aos 15 anos, mas só começou a conduzir um veículo, com frequência, aos 21. Hoje, o jovem tem 25 e só tirou a CNH neste ano. “Antes eu ficava com muito medo de blitz. Olhava para frente mais prestando atenção nos carros de polícia que no caminho”, diz.
Ele lembra que uma vez fugiu de uma blitz e teve que despistar um carro da Polícia Militar. Além de estar sem o documento, o sobrinho, que ainda era criança, estava sem a cadeirinha, um item obrigatório.
Dificuldades
Para tirar a carteira, uma pessoa paga em média R$ 2 mil. Não é tão em conta. Tanto que a balconista Iarla Ferreira Souza, 23, só conseguiu pagar as aulas teóricas e começar as práticas neste ano. Ela quer, até o fim do ano, fazer a prova final e obter sua habilitação. O motivo de ter começado só agora foi porque o dinheiro era curto e não dava para pagar as outras contas e arcar com esses custos.
Ela diz que não dirige o carro fora da autoescola. Até para evitar problemas que a impeçam de obter sua CNH. Para Glauber Peixoto, diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran, a situação financeira pode fazer com que algumas pessoas deixem de obter a CNH e se arrisquem, mas ele entende que ainda falta consciência de muita gente e que há sensação de que a infração ficará impune.
Carteira tirada aos 18
Entre os mais de 24 mil que conseguiram obter a CNH até outubro de ano passado, está a estudante universitária, Camilla Anselmo, que fez 18 anos em abril. A jovem utiliza o carro emprestado dos pais sempre que pode, em especial, nos fins de semana. Camilla garante que a única vez que dirigiu antes de começar as aulas na autoescola foi em um estacionamento vazio, apenas para treinar. Ela não queria que isso fosse um problema na hora de obter o documento. Não queria ter nenhum risco.
Porém, o que a incomoda é a quantidade de carros nas ruas. “As ruas estão muito lotadas. Perco muito tempo com o trânsito tão engarrafado, em especial na região do Guará e de Taguatinga”, afirma.
O Detran está ciente dessa falta de espaço para todo mundo. Além dos engarrafamentos, existe a dificuldade de conseguir um estacionamento perto dos centros urbanos. Mas, apesar da lotação das vias, para o diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito do Detran-DF, Glauber Peixoto, esse crescimento de habilitados é algo bom. “Quanto maior o número de habilitados menos irregularidades nas ruas com os inabilitados. Muitos dos que dirigiam sem carteira entram na legalidade”, avalia.
Saiba mais
– Até outubro de 2018, o Distrito Federal registrou uma frota de 1.764.953 veículos.
– De 2016 para 2017 o número de novos habilitados no DF cresceu 56.11%. Saiu de 24.307 novas CNHs em 2016 para 37.947 no ano passado. Contudo, o que houve nesses dois anos foi uma quebra no ritmo de queda. Em 2014, 81.104 motoristas começaram a fazer parte do trânsito brasiliense. Em 2015, já foram 70.338. Em 2016, ainda caiu para 24.307.
– Nos dez primeiros meses do ano passado, 25.741 pessoas passaram pelo processo das aulas teóricas e práticas e conseguiram a aprovação. Só de agosto para setembro de 2018, foram 8.479 novos motoristas com a possibilidade de ir para as ruas.