Os blocos Baratinha, Baratona e Raparigueiros levaram mais de 200 mil pessoas ao Parque Ana Lídia e ao Eixinho, na altura da 106 Sul. No Baratinha, a festa era das crianças. Com fantasias variadas, elas comeram algodão-doce, fizeram pintura de rosto, brincaram nos pula-pulas e se divertiram com sprays de espuma, confete e serpentina. No Baratona e Raparigueiros, variados ritmos deram o tom à festa. Do axé ao funk carioca, tinha para todos os gostos e idades.
Em todos os blocos, o clima era de paz e quem quis brigar foi rapidamente reprimido pelos mais de 300 policiais militares que garantiam a segurança do público.
Alegrando os foliões mirins desde 1990, este ano a Baratinha ofereceu ao público – de mais de 35 mil pessoas -, oficinas pedagógicas, culturais, praça de alimentação, sorteios de brindes e shows. Durante toda a tarde, os foliões puderam se refrescar com refrigerante distribuído gratuitamente.
Na praça de alimentação era possível degustar pastéis, crepes e yakissoba. Bebida alcóolica e cigarro estavam proibidos.
O auxiliar de almoxarifado Fábio Pinheiro, 32 anos, saiu de Sobradinho para levar os filhos e sobrinhos ao Baratinha. “Está tranquilo, seguro e organizado. Os meninos estão adorando. Se bem que para eles,
qualquer coisa simples vira festa”, brinca. Mas não só as crianças se divertiram. “Nós também aproveitamos para brincar. É festa para toda a família”, afirma ele.
A comerciante Marlene Fontenele, 36 anos, levou o marido e as filhas. Fantasiados, eles curtiram juntos o bloco. “Estamos gostando. Está organizado. Os blocos de rua são a opção para quem fica em Brasília”, afirma.
“Eu vou fazer tudo, pintura de rosto, comer algodão-doce e brincar no pula-pula”, relata sua filha Hana Fontenele, de cinco anos.
Há 28 anos saindo no bloco Baratinha, José dos Santos Cavalcanti, 49, mais conhecido como palhaço Pirulito, vendia produtos para a criançada. E fazia promoção: “Um é três, dois são cinco”. O potiguar, que vive há 30 anos em Brasília, já havia passado por quatro clubes pela manhã, antes do bloco. “Adoro Carnaval. Me pinto de palhaço e vendo até mais barato do que a concorrência”, comenta.
Saiba mais
Antes de saírem da concentração, por volta das 17h30, o Baratona e o Raparigueiros – que dão a largada juntos – já reuniam cerca de 25 mil pessoas.
Apesar de estarem próximos, em uma mesma linha reta no Eixinho, os blocos atraem públicos nitidamente distintos.
Enquanto no Baratona há famílias, casais e pessoas na faixa dos 18 aos 40 anos, o Raparigueiros atrai mais jovens solteiros, na faixa dos 15 aos 25 anos.
Nos dois blocos, os ritmos são os sucessos da atualidade.
Ilustres super-heróis brilharam e deram show de entusiasmo

Baratinha toma novamente conta do Parque da Cidade amanhã, a partir das 15h

Fábio saiu de Sobradinho para levar os filhos e sobrinhos para a festa

Ajuda providencial
De acordo com Paulo Henrique de Oliveira, organizador da Baratona, em função da redução da verba governamental destinada ao Carnaval de rua neste ano, os organizadores precisaram realizar uma campanha junto a empresários locais para arrecadar dinheiro.
“Conseguimos R$ 30 mil com doações e ainda precisamos desembolsar outros R$ 25 mil do nosso próprio bolso, tudo para o conforto dos foliões. Com o dinheiro foram montadas 12 tendas, de 100 m cada, 380 banheiros químicos, funcionários, entre outras coisas”, enumera o organizador.
Pais na folia, filhos em casa
Engana-se quem pensa que Carnaval só é coisa de gente jovem. Há foliões “maduros” mais animados do que muitos adolescentes, que não abrem mão da folia. É o caso das baianas Vera Lúcia dos Santos, professora, 60 anos, e de sua irmã, a aposentada Sandra Jurema dos Santos, de 59.
“Amo Carnaval. Sou baiana e está no sangue. Todos os anos passamos em Salvador, na rua. No entanto, como em 2014 perdemos nosso pai, resolvemos ficar por aqui. Vir para a rua é uma forma de homenageá-lo, já que ele também era um amante da festa”, conta Vera Lúcia.
Sandra diz que este é o primeiro Carnaval da dupla em Brasília. “Não se compara ao da Bahia, claro, mas por enquanto estamos gostando bastante”, diz ela.
Animação de sobra
A servidora pública Eliane Lourenço, 53, foi conferir o movimento da Baratona com o marido, o também funcionário público Francisco José, 53. “Gosto muito de Carnaval. Resolvemos descer para ver o movimento. Já nossos filhos adolescentes estão em casa. Não gostam muito da festa, muito menos com a gente junto”, diverte-se Eliane.
Enquanto Eliane e Francisco deixam os filhos em casa, a jovem Lorena Menezes, 17, vai para o bloco com os pais. Se ela gosta de sair na companhia deles? “Sim, sempre fazemos isso”, assegura.
Alerta
Sua mãe, a advogada Cleia Lago, 48, é natural de Salvador. Quando não está lá, faz questão de sair nos blocos daqui. “Em Brasília tem mais espaço para brincar. Mas percebo que o interesse dos jovens daqui nem sempre é a diversão. Só querem beber. Depois, bêbados, não conseguem mais curtir e nem lembrar do que aconteceu”, alerta ela.
Juntos há mais de 30 carnavais
Os aposentados Ivone Silva, 78, e seu esposo, Cícero Silva, 84, também fizeram questão de conferir de perto a animação do Carnaval brasiliense. “Somos do Rio de Janeiro e desde que nos casamos, há mais de 30 anos, acompanhamos juntos o Carnaval de rua carioca. Confesso que não gosto muito do daqui, tem muito axé, funk. Prefiro samba e marchinhas. Mas está valendo, é bom ver a alegria do povo”, comenta ela. “Também gosto do Carnaval. O segredo para estar bem é manter a mente jovem”, aconselha ele.
Segundo o organizador, durante uma chuva rápida, por volta das 18h, mais de duas mil pessoas se abrigaram debaixo das tendas. “Isso dá uma dimensão do público que já estava aqui nesse horário, e da estrutura do evento”, enfatiza ele.
Beijar na boca
De uma brincadeira entre amigos, surgiu o Raparigueiros. “Na época, estávamos todos solteiros e gostávamos de brincar o Carnaval e beijar na boca, daí o nome raparigueiros, uma expressão nordestina que significa homens que gostam de curtir”, conta o organizador Jean de Sousa Costa. “Desde então, não paramos mais e a coisa foi só aumentando”, completa.
Mas ele admite que neste ano o bloco precisou reduzir a participação em função da falta de verba. “Saíamos seis vezes e, este ano, só vamos sair três. Somos o maior bloco do DF, temos dois trios, contratamos banda ao vivo. Para conseguir fazer uma festa a altura, recebemos entre R$ 25 mil e R$ 30 mil de empresários e ainda nem conseguimos contabilizar o que gastamos do nosso bolso”, afirma ele.
Para ajudar com os custos da festa, os Raparigueiros estavam vendendo camisetas com o nome do bloco por R$ 30. “Quem comprar o nosso abadá ainda leva três latas de cerveja. Vamos ajudar, pessoal”, pedia Jean aos foliões pelo microfone.
Apesar das dificuldades financeiras, teve Carnaval – e muito. Por volta das 19h30, a banda baiana Patacundum, que já toca no bloco Raparigueiros há quatro anos, assumiu o som e animou os foliões. A festa foi até as 2h.