
Para a família Dutra, ontem seria um dia de festa. O pequeno João Victor estaria completando sete anos. Porém, em vez disso, cães farejadores, bombeiros e policiais procuravam o corpo do menino. Levado por uma forte enxurrada quando voltava da escola com a mãe, na Quadra 4 da Vila Buritis, em Planaltina, a criança foi achada no dia seguinte, no Córrego do Atoleiro.
O pai e a mãe dele, assolados pela dor, não conseguiram falar. As irmãs, próximas ao local de busca, tentavam consolar umas as outras. “Ele era o mais novo entre oito irmãos. Era o neném da família”, relatou Grazielle Dutra, 32 anos, irmã de João Victor. Ela disse ainda que o pai do menino, Sérgio Geraldo Dutra, 53, ao saber da notícia de que ele havia sido levado pela chuva, falou para todos: “Vou atrás dele. É o meu menino, minha criança. Não vou viver sem meu filho”.
E foi o que ele fez. Até as 2h de terça-feira, ele procurou incessantemente pela criança. Só parou às 5h. De manhã cedo, por volta das 8h, já estava de pé, entrando nos córregos atrás do filho.
Quando o corpo de João foi encontrado, com ajuda de cinco mergulhadores, dois militares e cinco bombeiros, Sérgio Geraldo entrou em transe. Visivelmente alterado, dizia, aos prantos: “Só quero abraçar meu filho”. A triste cena paralisou os curiosos. Para Andréia Dutra, 30 anos, irmã da criança, a esperança de encontrar o menino virou o pesadelo de achá-lo sem vida. “Não tem explicação. Uma chuva fez isso. A gente perdeu nossa alegria”, disse. Transtornada, a mãe, Kenya Dutra, 28, nem foi ao local, para não ver o filho morto.
Para os moradores de Planaltina, que assistiam atentos às cenas da busca, a forte chuva da noite anterior surpreendeu a todos, mas a falta de limpeza e manutenção das bocas de lobo da região não é novidade. “O escoamento da água não estava funcionando bem. Se estivesse, essa tragédia não teria acontecido. A chuva estava na cintura das pessoas”, contou Selma Maria de Jesus, 36 anos. Ela presenciou o desespero da mãe de João Victor quando o menino caiu e foi levado pela enxurrada.
“Todos estavam passando com muito cuidado. Mas, de repente, uma tromba d’água se formou. Eu também caí”, disse, apontando para os braços e pernas escoriados.