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Brasília

Pedido de socorro em Ceilândia Norte

Arquivo Geral

14/01/2015 6h50

Em meio a uma via pública de Ceilândia Norte, um aviso assusta quem passa  por ali. No muro de uma igreja evangélica, está grafada a frase “risco de assalto”. O recado, escrito com tinta branca, foi o jeito encontrado pelo borracheiro Paulo Roberto da Silva, 46, para chamar a atenção sobre a falta de segurança na passagem que liga as QNNs 23 e 39 da cidade. “Eu já presenciei mais de 50 assaltos nesse lugar”, relata o morador.

Mas o estopim, descreve ele, foi quando os criminosos tentaram assaltar o filho, de 15 anos. “Ele só conseguiu fugir porque entrou em uma casa desconhecida e se passou por morador”, lembra. “Eu ainda procurei os bandidos, mas não os encontrei”, completa.

De acordo com ele, a Polícia Militar não faz rondas com frequência na região, o que pode facilitar e até encorajar os criminosos. “Não tem rondas ostensivas. É raridade ver uma viatura na rua”, lamenta.

Circulação intensa

Apesar do aviso, a circulação de pedestres continua intensa. Isso porque o atalho representa pelo menos 400 metros de caminhada para quem desce na para de ônibus da QNN 39.  Os moradores relatam que a maioria dos assaltos ocorre  à luz do dia. “Durante o dia tem mais assalto que à noite”, afirma o vigilante Evandro Sousa, 45. Ele trabalha em uma creche pública, que fica ao lado da passagem.

Evandro conta que já presenciou vários roubos a transeuntes naquele trecho de Ceilândia Norte. E também quase foi vítima da ação dos criminosos. “Eu e meu colega saíamos para buscar verduras, quando dois assaltantes nos renderam. Eles, porém, se assustaram com a faca que meu amigo carregava para cortar as verduras”, disse.

As vítimas preferenciais dos bandidos, afirmam os moradores, são as mulheres. Por isso, a passagem delas pelo beco entre o templo religioso e a creche costuma ser mais cautelosa. A empregada doméstica Maria Domingos, 26, afirmou que ali “é muito perigoso, mas nunca foi assaltada”.

A dona de casa Márcia Maria Pereira, 35, evita passar pela local. Mas ontem estava com pressa e precisou cortar o caminho. “Não se pode passar por esse trecho. A qualquer hora  é perigoso. Estamos em três, mas isso não diminui o risco de roubo”, acredita.

 

Para os moradores, a responsabilidade do aumento da criminalidade é da falta de policiamento na região. Um borracheiro, que não se identificou, afirmou que os crimes já são rotina. “Aqui, todos os dias  tem assalto. Pode ficar de plantão  que você vai presenciar uma cena”, desafiou.

 

Levantamento

No ano passado, Ceilândia foi a cidade com mais registros de homicídios (137), seguida por Samambaia (65) e Planaltina (61), de acordo com o levantamento divulgado pela Secretária de Segurança Pública ontem. Para combater essa realidade, as regiões com os maiores índices de violência devem ganhar reforço no patrulhamento nos próximos meses, conforme anúncio da pasta.  

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