A vitalidade já não é mais mesma. Os reflexos ficaram para trás. Mesmo assim, visit a aposentada Alzira Ferreiro de Abreu, generic 62 anos, information pills insiste em atravessar a BR-450, antiga Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), uma das mais movimentadas do Distrito Federal, na altura da Candangolândia. Ela olha para os lados, calcula a distância e inicia uma corrida com dificuldade, até chegar esbaforida ao outro lado da avenida. Mesmo com uma passarela ao lado, Alzira prefere desafiar os carros em alta velocidade.
O pior é que a mulher não é uma exceção. Parte vulnerável no trânsito, os idosos lideraram a estatística de mortes por atropelamento em 2008. De acordo com o Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), das 145 pessoas que perderam a vida, 30 tinham 60 anos ou mais. O número pode ser maior, uma vez que os dados de dezembro não foram contabilizados.
O Jornal de Brasília percorreu alguns dos pontos mais movimentados do DF e não foi difícil encontrar vários velhinhos tentando atravessar avenidas onde o tráfego de veículos é intenso. Os pontos de observação foram escolhidos estrategicamente pela reportagem: próximo a passarelas. A justificativa das pessoas para não usar o acesso é quase sempre a mesma: pressa.
Esse é o caso de Alzira, que corria para chegar a tempo na consulta médica. “Estou apressada, porque se não me atraso para o médico. Perde-se muito tempo subindo, descendo e virando nas passarelas, mas eu costumo usar quando estou com o tempo de sobra”, disse.
O comerciante Valdir dos Santos Neves, 63 anos, mesmo mancando, teimou em atravessar a BR-450 por baixo da passarela. Concentrado sobre o meio-fio, ele sente o vento dos carros passando. Observa mais um pouco, calcula o tempo exato e parte puxando a perna. Assim como Alzira, a correria do dia a dia o fez ignorar a recomendação de atravessar na passarela. “Não estou com o pé bom para dar todas essas voltas e também tenho compromissos que preciso resolver logo. Sei que é errado, mas fazer o quê?.”
Tragédia
Porém, muitas vezes, o cálculo entre o tempo e a velocidade não funciona e a travessia acaba na metade. Foi o que ocorreu com o aposentado Lourival Gonçalves Lima, 87 anos. Ele foi atropelado por um Gol na Via Estrutural, em frente à Cidade do Automóvel, no último dia 7. O motorista do carro, o estudante Eduardo Lopes, 24 anos, disse que, apesar de estar na velocidade da via, não conseguiu desviar do idoso, que chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu. Do local da tragédia,via-se uma passarela.
Dois dias antes, outro idoso de 87 anos foi atropelado por um caminhão, na DF- 085, em frente ao ParkShopping. O aposentado Antônio Carneiro do Amaral morreu no local. De acordo com a polícia, ele não conseguiu completar a travessia e foi atingido por um caminhão que descia em alta velocidade.O motorista fugiu sem socorrê-lo.