Tácio Lorran
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A Polícia Civil do DF (PCDF) prendeu quatro pessoas em flagrante na tarde dessa quarta-feira (3), acusadas de falsificarem documentos públicos e distribuírem para toda a capital federal. A gráfica onde o bando atuava funcionava na QNM 4, em Ceilândia, e servia como um laboratório destinado à falsificação dos documentos.
Durante cumprimento dos mandados de busca e apreensão no interior da gráfica, agentes da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) recolheram dezenas de espelhos em branco de identidades; certificados de registro e licenciamento de veículos; selos falsificados, referentes a departamentos de trânsito de várias unidades da federação (GO, SP, MG, MT, PR, PB, TO) e do DF.
Coordenador da Corf, o delegado Wisllei Salomão explica que quando os policiais chegaram ao local, um dos criminosos jogou o material em cima do telhado para tentar esconder. “A gráfica tem sistema de câmera e, quando chegamos, eles notaram a presença da polícia e tentaram se desfazer do material”, conta.
Uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) estava sendo produzida quando a PCDF bateu no local. O modelo do documento estava no computador, enquanto uma máquina fazia a impressão. A polícia ainda não sabe quantos documentos foram produzidos no total. Ali, foram achados mais de 100 espelhos.
Os investigadores também encontraram cártulas de cheque em branco; espelhos de certidões de cartórios em branco; impressoras; dispositivos de armazenamento, contendo vasta documentação relativa à produção de documentos; diversos apetrechos destinados à produção de documentos falsos; e cerca de R$ 2 mil, em espécie.
“A Polícia vai continuar com as investigações. Ainda vamos atrás das pessoas que compraram esses documentos”, diz o delegado Salomão. “Na hora, havia uma pessoa que estava indo lá para comprar o documento. Qualquer pessoa que compre esses documentos respondem pelo crime de receptação”.
A gráfica existia há oito anos. Segundo Wisllei Salomão, o proprietário alegou que praticava a falsificação dos documentos durante um bom tempo, mas que tinha parado e retornado recentemente.
O dono do lugar também disse que que recebia R$ 100 por cada documento produzido, além de uma mensalidade da pessoa que havia o contratado. “Ele alegou que teria sido contratado por uma pessoa que encaminhava para ele os espelhos e cabia à gráfica preencher esses documentos de forma falsa”, diz Wisllei Salomão. A polícia ainda não sabe a origem e o destino dos documentos.
Punições
O grupo foi recolhido à carceragem da PCDF após os procedimentos legais. Os envolvidos foram identificadas pelas iniciais M.J.F.F., 49 anos; J.A.F.A., 56; M.M.S., 55; S.M.R., 40. Todas vão responder pelos crimes de associação criminosa, falsificação de documento público e receptação. J.A.F.A. também irá responder por uso de documento falso.
A pena para falsificação de documento público ou uso de documento falso é de dois a seis anos de prisão e multa. Para o crime de receptação, a pena é de dois a oito anos e de um a três anos por associação criminosa.

Foto: PCDF/ Divulgação