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Brasília

PCDF investiga dívida que motivou trio a levar homem para cativeiro em MT

Arquivo Geral

15/03/2018 7h00

Atualizada 14/03/2018 22h47

Homem foi rendido em Samambaia e escondido em casa na fronteira com a Bolívia. Foto: Divulgação/PCDF

Ana Clara Arantes
anaclara.arantes@grupojbr.com

Vítima de sequestro em Samambaia, um homem foi resgatado após ficar uma semana em cativeiro no interior do Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia. Três homens foram presos na operação da Polícia Civil do DF, em conjunto com as polícias Federal, Rodoviária Federal e Militar de Mato Grosso. O suposto líder do crime alega que o motivo foi a dívida de um carro, porém, as declarações não convenceram totalmente os investigadores.

O sequestro ocorreu no último dia 6, quando a vítima, Ivanildo da Silva Rodrigues Magalhães, 35 anos, estava com a esposa e o filho. Ao serem abordados, a mulher e a criança conseguiram fugir, mas o homem foi levado por dois sequestradores, identificados como Osvaldo Donizete Garcia, 49 anos, e Leonardo Teixeira da Rocha, 29. Eles entraram no carro de Ivanildo, um Renault Sandero, mas não conseguiram sair porque o automóvel estava protegido por corta-corrente. Foi então que entraram em uma caminhonete, também pertencente à vítima.

Os homens seguiram até um motel em Alexânia (GO), onde deixaram o veículo e fugiram pela madrugada com um terceiro suspeito, Mário Elizário da Silva, 50, em um VW gol que havia sido usado para chegar a Brasília.

A família da vítima só prestou queixa horas depois, o que, segundo o delegado-chefe da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), Leandro Ritt, é uma atitude suspeita. “Imagino que, se não fosse a repercussão dada ao ocorrido, a família nem teria registrado ocorrência”, conjectura. Ainda segundo o delegado, após depoimentos prestados, a família rompeu “todo e qualquer contato com a divisão”.

Presos em flagrante, homens negam que tenha havido sequestro. Foto: João Stangherlin

Ivanildo foi mantido em cativeiro no município de Porto Esperidião (MT). Segundo Ritt, havia uma chance de ele não voltar vivo. “Essas questões de fronteira são complicadas. Às vezes paga-se a dívida e a pessoa não é libertada. É um risco sério. E o caso foge da extorsão mediante sequestro clássica. Havia uma relação entre autor e vítima e uma quebra de confiança, que talvez pudesse ter sido paga com a vida”, observa.

Lacunas

A princípio, o motivo do crime foi a dívida entre Ivanildo e Osvaldo Donizete, mas o valor não está claro. À polícia, Osvaldo disse que a vítima lhe devia R$ 80 mil. “Vendi um carro para ele e o combinado era que me pagasse em 30 dias, mas já faz um ano e não recebi a quitação”, alega. Ainda segundo o acusado, não houve sequestro. “Peguei ele para conversar. Ele não estava preso”, justifica.

De acordo com a investigação da polícia, o débito ultrapassa o valor informado por Osvaldo. A família da vítima havia contratado uma pessoa para levar um dinheiro de resgate e uma caminhonete para o pagamento do sequestro. Além disso, um amigo do Mato Grosso se ofereceu para ajudar com outra caminhonete.

“Se o valor do resgate eram duas caminhonetes e um valor entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, a dívida era muito maior do que o suspeito está dizendo. Segundo as investigações, esses pagamentos seriam apenas uma parte, mas o motivo ainda está em apuração”, diz Ritt.

Saiba mais

A vítima ainda seria ouvida pela polícia ontem. Os suspeitos responderão por crime de extorsão mediante sequestro e, se condenados, poderão pegar de 12 a 20 anos de reclusão.

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