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Brasília

PCC se infiltrava no DF por cidades goianas

Arquivo Geral

08/11/2014 9h55

Uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC)  foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil. Na ação, intitulada Tabuleiro, homens da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) e da Polícia Civil de Goiás identificaram nada menos que 27 envolvidos e cumpriram 14 mandados de prisão. A maior parte   em penitenciárias da Região Metropolitana do DF, além de dois em São Paulo e um no Ceará. Os investigadores  também fizeram operações de busca e apreensão em nove endereços. Quatro acusados continuam foragidos. 

Mais de 120 homens da Deco e 70 investigadores da Polícia Civil de Goiás participaram da operação. De acordo com a polícia, o PCC atua no DF desde a passagem de seu líder, Marcos Willians Camacho,  pela Papuda, entre 2001 e 2002. 

Além de documentos, dez contas correntes com um montante ainda não calculado foram bloqueadas. Segundo o delegado-chefe da Deco, Fábio Santos de Souza, as investigações começaram há cerca de um ano e coincidiram com o período de divisão de tarefas entres os integrantes da célula na capital. 

“A operação só foi deflagrada agora porque precisávamos identificar os envolvidos. Além disso, descobrimos um plano para o resgate de um preso, que está no presídio de Santa Maria, programada para a próxima semana”, afirma.

Plano

De acordo com Souza, o grupo pretendia aliciar o maior número de pessoas possível, dentro e fora da cadeia, começando pela Região Metropolitana do DF. “A intenção   era dominar primeiro os presídios goianos, para só depois entrar no sistema prisional do Distrito Federal, que é um pouco mais ‘duro’”, explicou. Para isso, eles tinham em mente artifícios como a corrupção de  agentes. 

O delegado afirmou que o grupo cometia crimes como tráfico de drogas, roubo e furto de veículos e posse, porte e comércio de arma de fogo, afim de alimentar os cofres da organização e ajudar a fortalecê-la na região. “A apreensão de um caminhão carregado com uma tonelada e meia de maconha, em agosto, por exemplo, estaria ligada à quadrilha. Também estamos investigando a participação do PCC na explosão de  caixas eletrônicos na capital”, completou Souza. 

Detentos

Dos 14 mandados de prisão cumpridos, 13 eram de pessoas que já estavam presas. Em função dos novos crimes, a polícia  e Ministério Público já solicitaram a transferências desses homens para presídios de segurança máxima. Inicialmente, eles devem passar 360 dias em instituições federais, período passível de prorrogação. Além disso, perderão possíveis benefícios e terão a pena aumentada. A polícia acredita que as prisões devem descapitalizar o movimento e ajudar a enfraquecê-lo no DF.

Liderança
 
Principal líder da facção no Brasil, Marcos Willians Camacho (foto) atualmente está preso na Penitenciária de Presidente Venceslau, em São Paulo. Ele foi condenado a 232 anos de reclusão por tráfico de drogas, assalto a banco e envolvimento com o crime organizado. Os suspeitos que foram alvo da operação de ontem também  devem responder pelo crime de integrar organização criminosa armada, com pena de oito a 20 anos de prisão. Quem tiver informações sobre os foragidos pode entrar em contato com a polícia pelo telefone 197 e registrar uma denúncia anônima.  Segundo a polícia, ainda há pessoas sendo ouvidas nas cidades goianas de Águas Lindas e Luziânia, o que indica que, em no máximo dez dias, deve haver novas prisões. 
 
Sistema tem níveis e hierarquia
 
Para controlar a atuação em cada unidade da Federação, o PCC separa os estados pelo número do DDD. O DF, por exemplo, é a “unidade 61”. No Centro-Oeste, organização   criminosa recebeu nome de PLD: Paz, Liberdade e Direito.
 
Dentro do esquema, cada integrante tem uma função específica. Os dirigentes são conhecidos como Sintonia Geral do Estado e toda prática criminosa ocorrida nos níveis abaixo deve ser autorizada por eles. São apontados como integrantes desse setor  José Humberto da Silva, conhecido como Trovão, atualmente preso no Ceará; Pedro Antônio da Silva Júnior, vulgo Jovem, preso ontem em São Paulo; e Rafael Nogueira Moraes, conhecido como Ramires, também preso em São Paulo.
 
Abaixo deles está o setor denominado Sintonia Geral do Sistema, supostamente controlado por José Fábio Felix Barbosa, conhecido como Paraíba ou Fabinho, e preso em Luziânia (GO). Era dele a responsabilidade de coordenar a disciplina dentro do sistema prisional. 
 
Márcio Jesus de Souza, o Bitrem, era o Salveiro. Também preso em Luziânia (GO), seria dele a responsabilidade de manter o cadastro de integrantes do PCC atualizado. 
 
Sirlon Francisco Nunes, vulgo Simbá, preso em Águas Lindas (GO), tinha a atribuição de coordenar as ações de rua (pessoas livres). 
Ainda segundo a polícia,  Márcio Junio Evangelista da Silva, o Ferrugem, residente no   presídio de Bitrem, cuidava da Sintonia Geral dos Gravatas, acompanhando a atuação dos advogados nas visitas.  José Dalmo de Xavier Moura, o Deboa, por sua vez, estava em liberdade. Ele coordenava e expandia o trabalho da organização  no DF, função denominada Sintonia Geral do Progresso. 
 
E os Irmãos de Rua, subgrupo formado por Romário Bandeira da Silva, o Ponto 30, foragido no Maranhão; Camilo Chaves da Silva, o Xavier; e Fabricio de Jesus da Silva, o Pequeno, eram responsáveis pelos crimes de tráfico de drogas, roubo ou furto de veículos.
 
Do batismo às rifas
 
Segundo a polícia, o criminoso interessado em entrar no PCC precisar ter um padrinho e passar por um processo chamado “batismo”. A partir do momento que é aceito no grupo, ele começa pagar as chamadas “cebolas”, que são mensalidades no valor de R$ 400, além de rifas esporádicas, de R$ 30, cujos prêmios incluíam motos  roubadas. Somente os integrantes presos ficam liberados da obrigatoriedade de fazer os pagamentos. As rifas, porém, precisam continuar sendo honradas.  
 
“Se somarmos as ‘cebolas’ com as rifas o camarada tem uma despesa mensal de quase R$ 700 para pertencer ao PCC. Com isso, quem está desempregado vai buscar recursos fora, cometendo crimes”, explica Luis Fernando Cocito, delegado-adjunto da Deco. 
 
Questionado sobre a possibilidade de rebeliões após a prisão dos acusados – a exemplo do que costuma acontecer em São Paulo -,  o delegado regional da Polícia Civil de Goiás, Rodrigo Mendes, garantiu que foram feitas diligências nos presídios afim evitar represálias. 
 
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