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Brasília

Paulo Octávio renuncia ao governo do DF

Arquivo Geral

23/02/2010 16h15

O governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, envia hoje, às 17h, a carta de renúncia ao cargo. A informação foi confirmada agora há pouco pelo próprio Paulo Octávio ao Clicabrasília. Com a renúncia, Wilson Lima (PR), presidente da Câmara Legislativa do DF, deve assumir o cargo. A decisão foi tomada devido à falta de apoio político. A carta de renúncia será lida no plenário da Câmara ainda hoje e, só assim, o pedido de renúncia será oficializado. 

 

A redação do Clicabrasília conversou há pouco com Paulo Octávio que disse que a desfiliação do Democratas foi decisiva para a renúnica. “Sem apoio do partido, o que eu vou fazer. Tentei costurar uma aliança, mas não consegui”, argumentou.

 

Na quinta-feira, Paulo Octávio informara à imprensa que a carta de renúncia estava nas mãos da deputada distrita Eliana Pedrosa, mas o documento será entregue ao presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR) por um emissário de PO.

 

Para o ex-governador, seu sucessor encontrará tudo pronto para governar. “Acho que o Wilson Lima vai ter todas as condições de governar. O governo está montado e é só ele seguir em frente”, avaliou Paulo Octávio, que agora voltará à iniciativa privada – é proprietário de empresas do ramo imobiliário no DF.

 

O Clicabrasília falou há pouco com o deputado distrital Wilson Lima, que se disse surpreso com a renúncia e ainda não estava sabendo do fato. O deputado informou ainda que iria esperar a oficialização da saída de Paulo Octávio para dizer se assumiria ou não o governo do Distrito Federal. No caso de não aceitar, quem assume é o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT).

 

Paulo Octávio foi pressionado pelo Democratas (DEM) a largar a posição política por causa das denúncias feitas ao decorrer da investigação do Mensalão do DEM. O partido iria julgar amanhã sua desfiliação e a tendência era pela expulsão do governador em exercício. Hoje, PO antecipou-se e deixou a legenda.

 

Renúncia anunciada

Na semana passada, Paulo Octávio ameaçou pedir a renúncia e chegou a convocar a imprensa para anunciar a decisão. Mesmo com a carta pronta, resolveu voltar atrás e decidiu continuar no governo.

 

Paulo Octávio ocupava o cargo de governador interino do DF por duas semanas, substituindo o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM).

 

O governador em exercício foi citado durante filmagens feitas por Durval Barbosa.

 

Leia a íntegra da carta de renúncia de Paulo Octávio:

“Brasília, 23 de fevereiro de 2010
 
Excelentíssimo Senhor
Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal
Excelentíssimos senhoras e senhores deputados distritais,
 
Ao longo de duas décadas fui distinguido por servir ao Distrito Federal e sua população. Durante esse período recebi apoio, consideração e a confiança dos eleitores dessa cidade que, em pleitos sucessivos, sufragou meu nome para Deputado Federal, Senador e Vice-Governador.
 
Assumi, interinamente, o Governo do Distrito Federal com o propósito de colaborar para a superação da grave crise política que se abate sobre Brasília. Considerei desde o início que só poderia desempenhar essas funções se pudesse construir um possível consenso sobre a melhor maneira de vencer os atuais impasses.
 
 
Dediquei-me, nos últimos dias, a realizar consultas junto a líderes partidários dos mais variados matizes. Busquei a interlocução com figuras representativas da sociedade. As negociações apenas tornaram mais claras para mim as dificuldades de garantir, neste momento, a tão necessária governabilidade para o Distrito Federal.
 
Contudo, recebi manifestações de apoio e solidariedade de secretários, parlamentares, amigos, familiares e de parte da população. Por essa razão, adiei por alguns dias o anúncio da decisão que já havia tomado. Diante dos desdobramentos recentes do processo político local, cheguei a uma conclusão definitiva.
 
Assim, por intermédio deste documento, comunico ao Presidente da Câmara Legislativa minha renúncia ao cargo de Vice-Governador do Distrito Federal. Assumi o Governo do Distrito Federal, de maneira interina, em condições excepcionalmente difíceis. O titular está privado de sua liberdade, por decisão judicial. No entanto, continua a ser o governador da cidade.
 
Pode, portanto, em tese, retornar às suas funções a qualquer momento. Não há sentido em aprofundar uma gestão nessas circunstâncias.  Existem diversas obras, por toda a cidade, em fase de execução. São trabalhos contratados que possuem prazo e projetos definidos. Não deverão ser afetados pela situação política. É o que espero.
 
Permanecer no cargo, nas circunstâncias que chamei de excepcionais, exigiria a criação de condições também excepcionais. Imprescindível contar com apoio político suprapartidário para que todas as forças vivas do DF, juntas, pudessem superar a perspectiva de intervenção federal. Além disso, seria imperioso construir uma agenda mínima de consenso com amplo respaldo na sociedade. Ainda mais fundamental seria estabelecer os interesses da cidade acima das ambições políticas em meio às paixões do ano eleitoral. E, não menos importante, teria que receber respaldo de meu partido.
 
Nenhuma dessas premissas se tornou realidade e, acima de tudo, o partido a que pertencia solicitou a seus militantes que deixem o governo. Sem o apoio do DEM, legenda que ajudei a fundar no Distrito Federal, e a qual pertenci até hoje, considero perdidas as condições para solicitar respaldo de outros partidos no esforço de união por Brasília.
 
Não é saudável para o governante, nem para os governados, ver sua administração fragilizada. Sem que existam condições políticas, torna-se impossível permanecer à frente do Poder Executivo local, sobretudo, repito, em circunstâncias tão excepcionais.
 
Sempre sonhei ser Governador do Distrito Federal. Trabalhei para alcançar esse objetivo. Mas em situação de plena normalidade. Não posso, nem devo, contribuir de nenhuma maneira para gerar desagregação e desassossego para o brasiliense.
 
Não tenho receios. Respondo, tranqüilamente, por todos os meus atos. Minha história é longa em Brasília, aonde cheguei em 1962. Vivo aqui há 48 anos. Trabalho desde os quinze. Aqui constituí família, aqui nasceram meus filhos. Sou um legítimo candango.
 
Amo esta cidade. Conheço-a profundamente. Aqui estão minhas raízes e meu futuro. Por essas razões decidi que o melhor a ser feito, neste momento, é deixar o honroso cargo de Vice-Governador do DF. O Excelentíssimo Senhor  Presidente da Câmara Legislativa possui as atribuições constitucionais para exercer as funções de Chefe do Executivo.
 
Quero dizer que todos os esforços que realizei para garantir as condições mínimas de governabilidade tiveram como objetivo maior evitar que a autonomia política e administrativa do Distrito Federal venha a ser gravemente afetada por decisão judicial. Foi essa minha única motivação nos últimos dias.
 
Com minha renúncia, pretendo oferecer às forças políticas a oportunidade de restabelecer seu poder e, sobretudo, ao apaziguar os ânimos, garantir ao brasiliense a recuperação de sua auto-estima. Quanto a mim, deixo o Governo, saio da cena política e me incorporo às fileiras da cidadania.
 
Que Deus ilumine nossas decisões e nossos atos.
             
Atenciosamente,
 
 
Paulo Octávio Alves Pereira”
      

 

[Aguarde mais informações]

 

Leia mais na edição desta quarta-feira (24) do Jornal de Brasília.

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