Soraya Sobreira
soraia.sobreira@jornaldebrasilia.com.br
O lazer do fim de semana de Tatiana de Carvalho, 36 anos, terminou em tragédia. A mulher e uma criança de cinco anos caíram de uma altura de 20 metros, em uma cachoeira localizada no quilômetro 105 da DF-001, em um ponto turístico conhecido como Poço Azul, na área rural de Brazlândia, a 56 quilômetros de Brasília. Tatiana morreu no local, mas a criança foi socorrida e transportada pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros para o Hospital de Base.
Tatiana estava junto com um grupo de amigos que faziam a trilha da cachoeira, por volta das 13h de ontem. A equipe do Corpo de Bombeiros acredita que, no momento do acidente, a vítima estaria com a criança no colo, observando algumas pessoas que praticavam rappel na queda d´água.
“Trata-se de um local muito perigoso porque, além de ser íngreme, apresenta muitas pedras que estão sempre lisas, pelo contato constante com a água”, explicou o coronel Alvarenga, do Corpo de Bombeiros.
Até mesmo o acesso à cachoeira apresenta muitos riscos. “Esta trilha não deveria ser feita com crianças, pois é muito perigoso escorregar e, além de tudo, as pedras são muito pontiagudas. Todo cuidado é pouco”, alertou o coronel.
Difícil acesso
O local dificultou também a retirada do corpo de imediato pelo Instituto Médico-Legal (IML). “O transporte deve ser feito de uma maneira especial porque não dá para subir com o corpo normalmente”, contou o bombeiro. O corpo da jovem teve de ser retirado por meio de uma técnica conhecida como tirolesa, sendo puxado por uma corda.
Os familiares demoraram a ser informados sobre o acidente. O menino que também se acidentou é filho de uma amiga da vítima. “A mãe da criança seguiu com a criança na aeronave, mas o marido da vítima mora na Chapada dos Veadeiros e o sinal de telefone lá é ruim. Por isso, ainda não foi possível avisá-lo. Outros familiares são de São Paulo”, informou Alvarenga.
A suspeita é de que a vítima tenha sofrido traumatismo craniano. “Ela bateu a cabeça nas pedras, mas só a perícia vai atestar a real causa da morte”, informa o coronel. Um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) verificou, ainda no local, que a mulher já tinha falecido.
“Infelizmente, não deu nem tempo de socorrê-la. Somente a criança foi encontrada com vida e foi encaminhada imediatamente ao hospital”, disse o coronel Alvarenga. No primeiro atendimento à criança a suspeita foi de hemorragia e lesão no quadril.
Imagem preservada
Até o fechamento da edição não foram dadas informações sobre a identidade da criança ou sobre o seu real estado de saúde.
Acompanhavam Tatiana duas amigas que ficaram todo o tempo próximas ao corpo, se despedindo, até que fosse feita a perícia e o resgate. “Estamos muito chocadas com o que aconteceu, mas preferimos não comentar nada sobre o ocorrido. Queremos também preservar a imagem dela neste momento”, pediu uma das amigas, bastante abalada.