Daniel Cardozo
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O número de vagas que não foram preenchidas no sistema de cotas para escolas públicas do Programa de Avaliação Seriada (PAS) preocupa a comunidade escolar. Apenas 32% dos candidatos que se enquadram nas exigências conseguiram a aprovação. Para alguns professores, a nota de corte mais rigorosa pode ter sido a vilã. Até 2016, metade das vagas será destinada a estudantes de colégios públicos.
Na última edição do PAS, a primeira com cotas sociais, apenas cem das 305 vagas foram preenchidas. No total de 2.092 oportunidades, foram aprovados 1.417 alunos, o que significa que 675 vagas, inclusive do sistema universal, deixaram de ser ocupadas.
O candidato precisava obter um resultado mínimo de 20% dos acertos, chamado de escore bruto; 20% nas questões discursivas, tipo D; e mais 40% da nota das redações nas três etapas. A novidade era a exigência de acertos nas questões tipo D, além da redação, que passou a exigir 10% a mais.
Para o professor Cláudio Bastos, do Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb), o resultado pode não ser apenas reflexo do nível das escolas. “A alteração da nota de corte pode ser questionada. Eu entendo que a UnB queira manter um nível, mas as escolas podem ter sido pegas de surpresa com a mudança”, defende.
O método de avaliação e o sistema de cotas precisam estudados, segundo o docente, para que os alunos de escola pública não sejam prejudicados. “A universidade cumpre o seu papel pedindo que os alunos ingressem com um nível razoável, mas também não pode exigir um nível elevado, para que não haja segregação”, avalia.
O diretor-geral do Cespe, Paulo Portela, afirma que o sistema é complexo, mas, com o tempo, pode ser assimilado. “Esperamos que as escolas públicas possam trabalhar melhor com os alunos para alcançar a meta das vagas na universidade”.