O partido Democrata (antigo Partido da Mulher Brasileira – PMB) decidiu, nesta segunda-feira (27), adiar a decisão sobre qual candidatura apoiar na disputa pelo Governo do Distrito Federal. O anúncio oficial da posição da legenda ocorrerá somente no dia 3 de agosto, data limite de sua convenção oficial.
Segundo projeções internas, o Democrata estruturou uma nominata para deputado distrital com potencial para ultrapassar os 100 mil votos. Paralelamente, para a Câmara dos Deputados, a legenda aposta em uma estratégia de lançar até nove candidatos com forte apelo nas redes sociais, a maioria composta por influenciadores digitais com mais de 1 milhão de seguidores cada.
“Efeito Luis Miranda”
A inspiração para o desenho eleitoral do Democrata vem das eleições de 2018, quando Luis Miranda surpreendeu o cenário político tradicional. Impulsionado pelas redes sociais e sem o apoio de grandes estruturas partidárias, Miranda conquistou 65.107 votos e garantiu uma das oito vagas do DF na Câmara dos Deputados.
Agora, a legenda busca multiplicar essa fórmula. Em vez de depender de um único nome de grande visibilidade, reuniu nove pré-candidatos de expressivo alcance digital. A avaliação dos dirigentes é que o efeito somado desse grupo pode alterar sensivelmente o quociente eleitoral das oito cadeiras da capital federal — tornando o apoio do Democrata um ativo cobiçado por chapas majoritárias.
Apoio à Celina Leão
Apesar das sinalizações anteriores de alinhamento com a governadora Celina Leão (PP), a executiva nacional do Democrata afirma que não existe acordo selado. A presidente nacional do partido, Suêd Haidar Nogueira, destacou que a convenção foi agendada para o final do prazo justamente para avaliar a existência de reciprocidade política.
“Uma aliança precisa ser demonstrada por gestos concretos. Os partidos que integram uma base política participam do governo, ajudam na gestão e possuem condições de executar os compromissos assumidos com a população. O Democrata não pode ser chamado apenas para entregar votos”, cobrou Suêd Haidar.
Suêd ressaltou ainda que a prioridade nacional do partido é assegurar a competitividade e a proteção de toda a sua nominata, dando centralidade à eleição do ex-deputado Luis Miranda para a Câmara Legislativa do DF (CLDF):
“Luis Miranda é uma prioridade nacional do Democrata. Não abriremos mão de construir as condições necessárias para que ele seja eleito. Se isso exigir uma mudança de estratégia ou de aliança, o partido está preparado para fazê-la”, complementou a presidente.
Jorge Vianna
Entre as alternativas em análise no tabuleiro político do Democrata está o lançamento do deputado distrital Jorge Vianna como candidato a deputado federal.
Reeleito para a CLDF em 2022 com 30.640 votos, nas projeções do partido, uma candidatura de Vianna ao Congresso Nacional poderia levá-lo próximo à marca de 90 mil votos. Essa movimentação alteraria drasticamente os cálculos das chapas federais de outros partidos alinhados ao governo, podendo retirar a vaga de nomes tidos até então como favoritos.
O dirigente nacional Luis Miranda ressaltou que as conversas não têm viés de chantagem, mas de cumprimento de acordos:
“Política não é um jogo, e o Democrata não está jogando. Política deve ser feita com compromissos com a população e com alianças capazes de transformar esses compromissos em resultados. A palavra que buscamos é reciprocidade”, afirmou Miranda.
“A filiação do deputado Jorge Vianna foi construída dentro de um projeto para eleger até três deputados distritais. Os demais candidatos do Democrata não podem ser abandonados depois de aceitarem participar desse projeto. Acordo só existe quando é cumprido por todos”, acrescentou.