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Brasília

Parque Ecológico Águas Claras carece de estrutura para atletas

Quadras desgastadas já chegaram a machucar pessoas que fazem uso dos equipamentos públicos

Guilherme Pontes

10/04/2024 18h42

Quadras desgastadas no Parque de Águas Claras. Foto: Guilherme Pontes Lima/Jornal de Brasília

Falta de um ambiente apropriado para a prática esportiva é um ponto que marca alguns parques do Distrito Federal, e o Parque Ecológico Águas Claras não é exceção. Segundo relatos dos usuários, é cotidiano se machucar pelo piso inapropriado de algumas quadras, e ter que compensar do próprio bolso uma estrutura que o ambiente não consegue dar. De acordo com o Ibram, órgão responsável pelo parque ecológico Águas Claras, o parque recebe manutenção constantemente de roçagem, poda, limpeza entre outros serviços com a parceria da Novacap.

As quadras são os focos dos maiores problemas do parque quanto a prática esportiva. Lá existem 3 quadras de vôlei de praia, duas poliesportivas, e uma de grama sintética para futebol. Uma das poliesportivas está, atualmente, interditada para fins de uma reforma, e a outra, segundo frequentadores praticantes de vôlei, possui o piso muito áspero, ocasionando um rápido desgaste do tênis. No entanto, dentre todas, a que apresenta um estado mais degradado é a quadra voltada exclusivamente para futebol. O tapete sintético, há muito tempo verde intenso, tem tons de preto da borracha, devido ao ao uso, e um aspecto sujo pela areia trazida das proximidades. 

As grades, que deveriam conter a bola, e portanto o jogo, dentro das quatro linhas da quadra estão, em muitos pontos, arrebentadas pela ação de anos da ferrugem, e o campo, em si, é rasgado além de apresentar desníveis que, não raro, causam feridas aos jogadores. Gustavo Rios e seus amigos, que usam o espaço constantemente, tem marcas nos pés, nos dedões e nos dedinhos que mostram a consequência de só ter esse campo como lugar para realizar uma partida. “O sintético tá bem desgastado,  cheio de buraco, chega a machucar o pé às vezes, toda vez na verdade. Tá assim há uns dois anos”, conta. Segundo diz, além dos machucados, uma partida sequer consegue acontecer de forma convencional ali. “Quando a bola quica nos buracos atrapalha, porque ela muda de direção, mas a gente joga aqui toda hora, é o que tem”.

Mas se quem joga futebol sofre, os que praticam vôlei de praia não estão muito melhores. Toda a areia que acaba indo parar no sintético vem justamente desses campos, e por um motivo: a areia usada ali não é do tipo correto. É o que explica Gustavo Guedes, professor de Vôlei de Praia que dá suas lições no parque. “É muito porosa, então quando venta leva embora, quando chove leva embora, se tivesse a granulação maior, já ia ajudar muito”, explica. Essa areia, segundo o professor, é doada, e se trata de areia de parquinho quando não de construção, que levanta fácil no ar, incomoda os praticantes e os visitantes, e exige uma troca mais constante, de 6 em 6 meses. Caso fosse do tipo próprio, além de evitar os problemas, a troca só precisaria ocorrer de um em um ano.

O que leva a esse cenário, segundo aponta Gustavo, é uma falta de estrutura generalizada, que tangencia outros pontos, e que faz com que o professor tire do próprio bolso para continuar no espaço, e os alunos usem de esforço a mais em dias de treino. “Passamos 4 meses sem luz, nunca recebemos uma área de qualidade. Quem passa o rastelo, para deixar a areia fofa, são meus alunos. Qualquer reforma que acontece aqui, quem paga sou eu. Tudo que a gente precisa aqui, se não for eu pagando, não tem”, diz. Como se não bastasse, a chuva, que poderia ser um alívio, evitando que a areia subisse é um estorvo. “Toda época de chuva alaga todas as quadras. A parte da drenagem tá comprometida porque antes de a gente começar a vir aqui dar aula foram mais de 8 anos sem uso, então quebrou muito cano, entupiu muito. A drenagem não existe mais.”

Gustavo e seus alunos tem uma concessão do parque para utilizar espaço em horários e dias constantes e de pouco movimento, para não prejudicar a população que queira fazer uso do bem público. Segundo diz, apesar dos perrengues, recebem apoio do Ibram, que intermedia a doação de areia para as quadras. Ele chegou a conversar com o presidente do Instituto recentemente, que disse estar correndo atrás de uma doação de areia para o parque. “Espero que dê certo”, disse.

Segundo o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), o parque vem sendo assistido, de modo a inspirar intervenções constantes. “Por meio de compensação ambiental, foi realizada, recentemente, a reforma de duas quadras poliesportivas e a implementação de um novo parquinho infantil com acessibilidade na entrada da UC. Em março, o parquinho próximo à sede, o parquinho da entrada que dá acesso à Educação Ambiental e a quadra de vôlei de areia receberam areia nova”, informou o órgão.

Ainda de acordo com o Ibram, atualmente está sendo realizada a reforma das calçadas ao redor das quadras e a construção de calçada ao redor do parquinho, além da implantação, em parceria com a Novacap, do guarda-corpo nas duas lagoas. Também em parceria com a Novacap, foi realizado no ano passado, a manutenção da iluminação na quadra coberta. Melhorias na iluminação pública, por meio de compensação ambiental, também estariam em andamento. O Parque Ecológico Águas Claras é um dos mais visitados parques do DF, possuindo área de quase 114 hectares.

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