Acesso fechado para veículos. É o que dizem as faixas na entrada do Parque Ecológico de Águas Claras. O aviso reforça a decisão do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) de proibir a entrada de carros na reserva. A mudança provocou uma reação imediata de quem utiliza o espaço. Para muitos usuários, a medida foi tomada sem motivação e será a causa de transtornos desnecessários. Por outro lado, há quem defenda a atitude. Os carros dos funcionários da administração e da Polícia Ambiental estão trafegando normalmente no interior do parque.
Segundo o instituto, a restrição se deve ao grande fluxo de automóveis registrado diariamente, excedendo a quantidade de vagas sinalizadas e pavimentadas. “O excesso de veículos compromete a segurança dos frequentadores e degrada as áreas verdes, que eram utilizadas como estacionamento irregular”, afirma o Ibram, por meio de nota. Atualmente, a média diária de usuários é de 1,5 mil. Nos feriados, o número chega a quatro mil.
Segundo o instituto, a decisão considerou que, ao longo da Avenida Parque Águas Claras, há sete acessos para pedestres e a distância da via até a praça central da reserva é de 800 metros. “A restrição não se aplica a pessoas com deficiência, servidores, policiais e permissionários”, esclarece o Ibram.
Reclamações
As justificativas, no entanto, não foram suficientes para alguns usuários. As amigas Rogéria Rodrigues, 35 anos, professora, e Heloisa Salgueiro, 62, aposentada, por exemplo, não aprovaram a mudança. Toda semana, as duas levam o filho e o neto para fazer aula de futebol no parque. Para Rogéria, a distância a ser percorrida até as quadras esportivas é enorme e exaustiva para as crianças.
“Também não podemos esquecer da segurança. Quando meu filho sai do futebol, já está escuro. Além disso, as famílias que quiserem fazer um piquenique, por exemplo, terão que trazer tudo nas mãos? E como vamos fazer com os idosos e com as grávidas?”, questiona a professora.
Já Heloisa destaca a queda no movimento do parque. Segundo ela, desde que proibiram a entrada dos veículos, a reserva está mais vazia. “Quase todos os dias estou aqui, o parque era cheio sempre antes dessa mudança. Muita gente desistiu de vir pelo trabalho que terão. Além disso, se alguém passar mal ou se acidentar, vai ter de caminhar até o estacionamento externo? Não faz sentido. A medida deveria valer para os carros dos servidores também”, opina a aposentada, ressaltando que falta fiscalização.
A favor e contra a entrada de veículos
O professor de Educação Física Júlio Ventura é contra a decisão do Ibram. “Dou aula de corrida. Os alunos estão inseguros de estacionar o carro na área externa. Além disso, toda a estrutura do parque está longe da entrada. Não há banheiros próximos”, completa. A iniciativa tampouco agradou os comerciantes. Segundo o proprietário de um estabelecimento dentro da reserva, o faturamento caiu 40%, o que o obrigou a demitir duas funcionárias.
Por outro lado, outros moradores comemoraram a medida, como o casal de engenheiros Jorge Tavares, 35 anos, e Carla Oliveira, 31. Pais de Maria Eduarda, 1 ano, eles acreditam que os benefícios serão maiores do que os transtornos. “O parque fica muito lotado de carros aos fins de semana. Isso atrapalha quem vem passear”, ressalta Carla.
A mesma opinião tem a artista plástica Júlia Sorrentino, 41. Ela afirma que a presença dos veículos acaba com o objetivo do local, que é incentivar a prática do esporte e o lazer. “A decisão foi acertada. Muitas pessoas entravam aqui para ingerir bebida alcoólica e fazer bagunça”, conclui.