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Brasília

Parceria insere atividades culturais em ambientes hospitalares

Arquivo Geral

23/01/2014 14h05

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) inicia, em fevereiro, a primeira etapa do Circuito de Ocupação Cultural para a Saúde. O projeto, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Casa Civil do DF e Secretaria de Cultura do DF, terá duração de três meses.

O projeto tem por objetivo levar atividades artísticas, culturais e educativas para os centros de saúde do DF, hospitais regionais, Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atendimentos Psicossociais (Caps) e para a Fiocruz Brasília. 

Representante da SES-DF no Comitê Gestor do Circuito da Rede Saúde e Cultura, o servidor Vittor Ibanes afirma que será um projeto piloto. “Primeiramente, realizaremos as atividades no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Centro de Atenção Psicossocial de Taguatinga (Caps II), Centro de Saúde nº1 de Planaltina e na Fiocruz”, comenta. Segundo ele, ao final da primeira edição, outras unidades serão contempladas.

O público-alvo são usuários da rede pública de saúde e servidores. “O projeto visa sensibilizar os servidores para o grande potencial das atividades culturais tanto como auxiliares das terapias médicas, como também promotoras de qualidade de vida no ambiente de trabalho”, complementa Vittor.

A abertura das atividades será marcada pela assinatura do Termo de Cooperação Técnica com a presença de autoridades e representantes de cada instituição parceira. Entre as atividades educativas a serem desenvolvidas pelo projeto estão manifestações e apresentações culturais, lançamentos de livros, exposições artísticas, show musical, oficina de confecção de brinquedos populares, leitura de cordel, teatro infantil e recital de poesia oferecido aos pacientes, profissionais da saúde e comunidade acadêmica.

Atendimento a pacientes

O enfermeiro Amador Soares Ferreira, do Centro de Saúde nº 1 de Planaltina, a fim de se aproximar e preparar os pacientes para o atendimento toca violão, gaita, cavaquinho e harpa nos corredores.

De acordo com o profissional, o resultado é imediato, “já que a música permite a adesão terapêutica, acalma, retira a ansiedade e ainda relaxa o cérebro para absorver informações”, disse.

Para Amador, a ligação entre a saúde e a arte é essencial. “Não pode haver saúde sem arte, porque você consegue convencer a pessoa a aceitar uma mudança de comportamento, seja definitiva, permanente ou transitória. A música e a arte possibilitam a qualquer indivíduo aceitar a ideia, não pela imposição”, explica. Para ele, ambientes como hospitais e centros de saúde não são lugares só para médicos, enfermeiros, dentistas e psicólogos. “O que a gente percebe é que a saúde precisa da inclusão da arte, ela deve ser pensada no ponto de vista da cultura também”, completa.

Para comemorar o Natal, no dia 23 de dezembro os servidores do centro de saúde n° 01 saíram pelos corredores e leitos do hospital de Planaltina cantando músicas natalinas, ao som do violão e da gaita do Papai Noel, e entregando brinquedos, doados por eles mesmos. Segundo a administradora do Centro de Saúde n° 01, Ildinete Conrado, o objetivo foi proporcionar alegria às crianças.

A atendente Elizabete Santana, mãe de Pietro Santana, de quatro anos, que estava internado, relata que o filho ficou muito feliz com a iniciativa. “Atitudes como essa são importantes para distrai-lo”, afirma.

Recuperação da autoestima

Usar a arte como terapia é um dos objetivos do grupo Arte-Sã, que funciona no Centro de Referência em Práticas Integrativas em Saúde de Planaltina. O grupo une os conhecimentos vindos da psicologia às atividades artísticas para a comunidade, que procura o Centro em busca de cura para a depressão, baixa autoestima, ansiedade, inquietações, estresse, dificuldades de relacionamento.

O grupo produz diversos artesanatos, dentre eles, bordados, tapete, cachecol e trabalhos de madeira. Os trabalhos têm como tema valores como amor, verdade, paz e são explorados por meio de conversas, palestras, exercício de relaxamento e a prática.

Os alunos produzem baseado no que aprenderam. “Quando vê que é capaz de fazer algo bonito, ele leva isso para a vida, e há uma transformação de dentro para fora e vai melhorando socialmente em todas as esferas da vida”, afirma a psicóloga Maria Luísa Costa.

Para Maria Luísa, o objetivo é conduzir a pessoa ao autoconhecimento e a arte por si só é terapêutica. O cérebro responde bem à obra de arte e à sua beleza, e as duas agregadas fortalecem, resgatam e equilibram a autoestima.

Importância da música

O Cerpis de Planaltina realizou no dia 14 de novembro, a oficina Música é Remédio com ocirurgião dentista e músico Wellington Frazão.

Segundo o coordenador do Cerpis, Marcos Freire, a música oferece vários benefícios para a saúde. “Além de ser um entretenimento, também tem o poder de acalmar, relaxare estimular a memória”, explica.

Para a dona de casa Maria Coelho, a oficina foi uma terapia, “ajudou muito no meu tratamento”, disse.

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