O plástico em volta dos equipamentos denuncia: as máquinas são novinhas, this nunca foram usadas. Em volta dos equipamentos, uma faixa impede a passagem de curiosos que querem saber do que se trata aquele monte de máquinas juntas. Ao ar livre e com uma vista agradável para o lago onde antigamente circulavam os pedalinhos, a Academia da Terceira Idade do Parque da Cidade promete ser mais uma atração.
A academia, ainda não inaugurada, está situada ao lado da Praça Renato Russo, que vai passar por uma reforma, com entrada no estacionamento 10 do Parque da Cidade. São 13 aparelhos diferentes para idosos. No total, cerca de 20 pessoas podem fazer exercícios ao mesmo tempo, já que alguns dos equipamentos permitem a utilização de duas a três a um só tempo. Ainda não há data de abertura certa. Segundo o administrador do Parque da Cidade, Rivaldo de Paiva, até o fim do mês ela deve ser inaugurada.
“Falta confirmar a data com a Administração de Brasília e ainda acertar alguns detalhes. Mas até o fim do mês conseguiremos fazer isso. Já está pronto para usar, agora é só tirar os plásticos”, garante Paiva.
Opções de lazer
Os atrativos do Parque da Cidade, segundo o administrador, são bem variados para os jovens. Há, por exemplo, a oportunidade de se utilizar as quadras para praticar esportes, os campos e a pista de cooper, que é dividida com as bicicletas e patins. No entanto, para os idosos, essa diversidade ainda não é tão grande no Parque. “Temos aulas de tai chi chuan de manhã, que atraem um grande número de pessoas dessa faixa de idade. Mas como academia, não tem nada ainda para esse público”, explica o administrador.
Por isso veio a necessidade de se fazer algo específico para a terceira idade, que constituem grande parte das pessoas que utilizam o Parque da Cidade como meio de praticar esportes e como opção de lazer.
A idéia veio depois de se pensar em uma pista de corrida para portadores de necessidades especiais, que deve ser inaugurada em breve, segundo Paiva. A pista, com sinalização específica para deficientes visuais, também servirá para a terceira idade por não ter acesso de bicicletas e patins e, assim oferece mais segurança para os pedestres.
Projeto piloto
De acordo com a Secretaria de Esportes do DF, as academias vão atender idosos e portadores de deficiência física. “Levei o projeto piloto para o governador. Ele gostou da idéia e pediu para que a iniciativa se espalhasse pela cidade”, comemorou o secretário Agnaldo de Jesus.
A academia, instalada ao ar livre no Parque da Cidade, é a primeira no DF. Outras 18, com o dobro do tamanho, já estão sendo montadas em todas as regiões administrativas. De acordo com o secretário, as administrações regionais ficam responsáveis por instalar a iluminação pública e o cimento no local. Quando tudo estiver pronto, a secretaria monta as academias.
Segundo Agnaldo, os empresários costumam fazer muitos equipamentos de ginástica para a juventude e esquecem dos idosos e portadores de deficiência física, que também usam os espaços para prática esportiva. “Eles precisam de mais atenção. Essa iniciativa pretende estimular a prática de atividades físicas saudáveis para, consequentemente, diminuir as filas de atendimentos nos hospitais públicos”.
Os equipamentos, segundo o secretário, saíram a custo zero para o governo. No contrato, uma empresa de publicidade ficará responsável pela manutenção dos aparelhos. Em troca, teria o espaço para a divulgação de propagandas. O projeto, com a instalação das 18 academias, ficará pronto nos próximos dias.
Vovó radical aprova novo espaço do idoso
Ao ser convidada pelo Jornal de Brasília para testar os equipamentos do Parque da Cidade, Dona Geralda de Araújo, 72 anos, conhecida como “a vovó radical”, não pôde atender inicialmente às nossas ligações por estar na aula de trampolim. Após a aula, ela topou conhecer os aparelhos que foram colocados no parque, local que ela costuma frequentar aos fins de semana para fazer caminhadas.
Com um currículo extenso de atividades (ela faz aulas de trampolim, musculação e natação), Dona Geralda aprovou a idéia de se construir uma academia para idosos no Parque, ao ar livre. “Não vou mais precisar pagar academia, aqui é tudo de graça”, brinca ela.
Além da diversidade dos aparelhos, Dona Geralda elogiou o local onde foi colocada a academia. “A vista é bonita e tem lugar para sentar e conversar depois de fazer os exercícios”, afirma. Com a inauguração da nova área, a “vovó radical” promete tentar ir mais vezes ao parque. “O dia em que abrir, venho fazer exercícios. Provavelmente na segunda e na quarta-feira”.
Segurança do Usuário
Vovó Geralda foi ao parque acompanhada do personal trainer Charlton Oliveira dos Santos. Eles olharam de perto cada equipamento e aprovaram. Charlton lembrou que, para cada equipamento é indispensável a segurança para o usuário. “Como o usuário é idoso, o equipamento tem que ter controle do movimento. Não pode ser nem muito
leve, que faz com que a pessoa deslize, nem muito pesado, em que é necessária uma força muito grande para fazer o exercício”, explica.
Nas máquinas de transport, por exemplo, é necessário que o pé tenha um apoio, e que não deslize, como foi observado nas máquinas. Outro ponto positivo são as cargas leves das máquinas, específicas para pessoas da terceira idade. Mas, mesmo mais leve do que nas academias, um detalhe dever ser observado. Pessoas com problemas de saúde devem ter acompanhamento. “Se uma pessoa que tem bursite e fizer esse exercício de braço, pode acabar se machucando”, lembra Charlton.
Exercícios específicos
Segundo o administrador do Parque da Cidade, as máquinas são adequadas para os idosos por possuírem uma carga menor. Uma placa no centro da academia mostra para que serve cada equipamento e como deve ser utilizado. “As pessoas podem vir aqui fazer os exercícios sem acompanhamento que tem a instrução no mastro”, explica.
Mas para o professor de Geriatria e médico do Hospital Universitário de Brasília, Einstein Camargos, é necessário ter um acompanhamento de cada caso quando se trata de exercícios musculares. “Cada paciente tem que ser acompanhado. Nas academias, é necessário ter um acompanhamento específico. O que é algo diferente quando se faz caminhadas”, explica Einstein.
Charlton Oliveira, convidado pelo JBr para conhecer e falar sobre a eficácia dos aparelhos, acredita que é uma boa iniciativa, mas concorda que o ideal é ter um acompanhamento profissional. “Alguns idosos precisam de acompanhamento mais preciso. Dependendo dos aparelhos, eles podem causar uma lesão para quem não tem conhecimento do modo certo de utilizar”, afirma.
E a preocupação do médico e do personal trainer são semelhantes à de Dona Geralda. Para ela, o grande problema é com o modo como serão realizados os exercícios. “Todos os equipamentos são novidade. Algumas pessoas fazem o exercício errado e acham que está certo. Seria bom ter alguém para acompanhar”.
Detalhes importantes
Até mesmo ao fazer caminhadas, coisa que muitas pessoas acham simples, é necessário ter um cuidado especial quando se trata da pessoa de terceira idade. O médio Einstein Camargos lembra da necessidade de se prestar atenção a alguns detalhes.
Por exemplo, é sempre necessário se encontrar um local apropriado para andar. Pistas com buracos e que tenham risco de escorregar podem causar um acidente, que mais tarde vira um problema sério para o idoso.
O começo das sessões de exercícios deve ser mais lento e com distâncias mais curtas. Conforme a pessoa for se adaptando à caminhada, ela pode começar a ir num ritmo mais rápido ou percorrer uma distância maior.
O importante é não tentar passar do limite. E a última dica é essencial para o desenvolvimento físico dos idosos: “Exercício muscular, só com acompanhamento profissional”.
Benefícios para a terceira idade
Coluna
A mobilidade da coluna é pequena e há um grande número de vértebras, se houver um movimento brusco ou força acontece o comprometimento da coluna e, com isso, vem a dor. Dependendo do exercício, as dores de coluna podem ficar mais estáveis e a postura tem uma melhora significante.
Pressão
Para pessoas com pressão alta, o exercício físico é essencial. Ele que vai ser o responsável pelo equilíbrio da pressão. Tanto quedas bruscas de pressão quanto a pressão alta são responsáveis por várias doenças relacionadas ao coração e à circulação sanguínea. O exercício evita os picos e as quedas bruscas e deixa a pressão constante.
Diabetes
A diabetes se caracteriza pelo aumento anormal da glicose no sangue. É provocada pela deficiência de produção de insulina, hormônio responsável pela redução do açúcar no sangue. A atividade física melhora a atuação da insulina no corpo do diabético. Faz com que o pouco de insulina que é produzido seja suficiente para reduzir a glicose.
Osteoporose
Um problema recorrente nos idosos está relacionado à calcificação dos ossos. A osteoporose é resultante da carência de cálcio nos ossos. Exercitar o corpo auxilia no combate à doença. O cálcio absorvido pelo organismo vai para o osso, fortalecendo-o, ao invés de ser desperdiçado na urina.
Tonturas
Tonturas e desequilíbrios muitas vezes podem estar ligados à labirintite. Ela ocorre quando o corpo está em desequilíbrio, mas também pode ser decorrente de problemas de pressão. Com os exercícios físicos, as tonturas se tornam menos frequentes, pois eles equilibram a pressão arterial.
Problemas de sono
Insônia, e apnéia do sono (problemas respiratórios durante o sono) são freqüentes entres a população da terceira idade. Metade dos idosos tem problemas relacionados a sono. Os exercícios físicos são eficazes nesse tratamento. Eles liberam a melatonina, que é o hormônio do sono, além de melhorar a respiração.
Fraqueza muscular
Tanto nos jovens quanto nos idosos, os exercícios são essenciais para melhorar e fortalecer a musculatura. Nos idosos, especificamente, os músculos vão perdendo a elasticidade com o passar do tempo. Com a fraqueza muscular, um pequeno esforço acaba precisando de grande força para se realizar uma tarefa. O exercício contínuo auxilia no fortalecimento dos músculos
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| Dona Geralda, a vovó radical, é um exemplo de boa forma na terceira idade. Já atravessou o Lago Paranoá duas vezes, de uma ponta a outra A terceira tentativa, em janeiro deste ano, não deu tanto certo. Dona Geralda se queixou de dores no braço e teve que voltar para as margens escoltada por um caiaque e um pequeno barco do Corpo de Bombeiros Mas nada a desanima. Em julho de 2009 ela voou de parapente em São Sebastião pela primeira vez. Também já fez rapel e pulou de paraquedas e bungee jump. Energia de sobra da vovó radical, que dá inveja em muitos jovens |