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Brasília

Paralisação no Hmib: faltou médico de novo

Arquivo Geral

04/11/2014 6h50

Pais que procuraram o Hospital Materno Infantil (Hmib) ontem voltaram para casa sem atendimento. A direção da unidade decidiu suspender o atendimento no Pronto-Socorro devido à falta de médicos. Isso porque a Secretaria de Saúde descumpriu a promessa de enviar um reforço de 12 pediatras para atuar na emergência e mandou apenas quatro. Mas como eles fizeram plantão no último domingo, ontem só havia um pediatra na equipe médica.

De acordo com a pasta, em virtude da limitada quantidade de funcionários, o hospital decidiu priorizar os casos mais graves, além de dar continuidade ao tratamento dos pacientes que já estavam na unidade antes do desfalque do quadro. 

Sem atendimento

A moradora de São Sebastião Iraci Dias, 32 anos, sentiu na pele as consequências da falta de profissionais para atender sua filha, a pequena Gabriela, de três anos. A garota reclamava de dor no ouvido. Visivelmente emocionada, a mãe criticou a situação precária da saúde pública. “Disseram que não tinha médico. É um absurdo. Onde vou encontrar hospital agora?”, questionou. 

Na mesma situação estava o casal Silas de Sousa, 22, e Geanine Barbosa, 19, que reside em Águas Lindas (GO), na Região Metropolitana do DF. “Minha filha está com febre e vomitando. O jeito é ir a um hospital particular”, disse o pai.

Acordo

Em reunião há uma semana  com o Ministério Público e a Secretaria de Saúde, foi decidido que o hospital ganharia o reforço de 12 médicos. Quatro foram transferidos e oito são os aprovados no último concurso. Os pediatras cogitaram ainda suspender as duas horas extras diárias. Ontem, sindicato e médicos se reuniram novamente, mas até o fechamento desta edição o encontro não havia terminado.  

Aumenta a procura pela unidade
 
De acordo com a assessoria do Hospital Materno Infantil de Brasília, em 2014  a unidade prestou, em média, 6,8 mil atendimentos por mês. Mas somente no mês de outubro, esse número cresceu para 8,4 mil, sendo 1,4 mil a mais que no mesmo período de 2013.
 
A alta demanda se reflete na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTINeo), que atingiu a lotação máxima de 40 pacientes. As condições deste setor, inclusive, foram questionadas recentemente por profissionais do hospital e pais dos bebês. Além do problema considerado mais grave – a carência de médicos –, questões como a falta de ar-condicionado foram motivos de denúncia. A Secretaria de Saúde, no entanto, nega que algum problema estrutural esteja afetando o atendimento aos bebês. 
 
Bactéria
 
Também foi negado pela pasta um possível surto da bactéria Klibsiella pneumoniae carbapenemase (KPC). Desde a semana passada,  três bebês estão isolados por serem portadores de colônias da superbactéria, mas exames descartaram o desenvolvimento de infecção.
 
Pense nisso
 
A carência de médicos no Hmib era como uma bomba-relógio. Os médicos já haviam dado o recado, sob ameaça de   uma paralisação. E cumpriram a promessa, ao contrário do que fizeram as autoridades. Mas vale lembrar que não é apenas no Hmib que faltam profissionais. Um dia antes, no Hospital Regional de Planaltina, apenas um pediatra estava escalado pela manhã e não compareceu ao trabalho. Ele teria apresentado atestado. Ou seja, ao paciente resta torcer para que os poucos médicos disponíveis também não precisem de assistência.

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