A possibilidade de mais uma greve dos professores atormenta os pais que mantêm os filhos em escola pública. Está marcado para amanhã um ato com paralisação das atividades, advice que pode deixar 520 mil crianças sem ter onde estudar. Na ocasião, health o Sindicato dos Professores pretende ensaiar a greve que pode ser convocada a partir de abril, quando haverá assembléia-geral – e a posição dos sindicalistas é radicalizar, como demonstram os impressos que têm sido enviados a todos os professores, pedindo um reajuste de 18,9%, três vezes maior que a inflação registrada no ano passado, de 5,9%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). E é preciso lembrar que os professores da rede pública do Distrito Federal têm um salário médio de R$ 4.752,94 – em média, três vezes mais que um colega no resto do País.
“Não há como conceder um reajuste como este e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal”, ressalta o secretário de Planejamento do GDF, Ricardo Penna. Ele lembra que apenas parte das despesas com educação pública é bancada pelo Fundo Constitucional do DF e que, ainda assim, os números não são mais tão favoráveis. “O Fundo é vinculado ao desempenho fiscal da União e as projeções que temos não são nem um pouco animadoras. Em 2010 poderemos ter crescimento negativo”, afirma.
A situação ficou ainda pior com as notícias ruins sobre o desempenho da economia local em janeiro e fevereiro, com uma frustração de cerca de R$ 109 milhões em relação ao projetado. O Secretário de Fazenda, Valdivino Oliveira, recomenda cautela. “É preciso ter muito cuidado e monitorar o comportamento da economia permanentemente. Vamos agir para diminuir o impacto, mas o governo precisa ser responsável e será”, afirmou.
As nuvens negras da crise internacional prejudicam as pretensões salariais de todos os servidores públicos, e não apenas dos professores. “É preciso olhar para o lado e ver que as empresas – grandes e pequenas – estão demitindo, não estão conseguindo segurar seus funcionários. É preciso ser realista e ver que o Distrito Federal não está numa redoma invulnerável à crise”, explica Penna. O Governo Federal já se adiantou: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou a Medida Provisória 441, convertida em Lei pelo Congresso Nacional, que suspende todos os reajustes salariais – o GDF deverá fazer o mesmo.
“Vamos entrar numa fase de economia de guerra”, alerta Ricardo Penna. Se fosse concedido o aumento que o Sindicato dos Professores quer, o impacto na folha de pagamentos do GDF seria deR$640 milhões–o dobro do que o governo está aplicando nas obras de infraestrutura, como água, esgoto e asfalto, nas cidades e bairros de baixa renda.