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Brasília

Para-raios: útil, mas não infalível

Arquivo Geral

07/04/2015 6h50

A existência de um sistema completo de para-raios no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, não foi suficiente para evitar a morte de duas pessoas eletrocutadas no último domingo. Ainda assim, o instrumento de segurança, no caso de uma descarga elétrica, é fundamental para garantir a segurança da população e se torna indispensável na maioria das edificações, reforçam especialistas.

 As duas vítimas, Paulo Roberto Loureiro de Alencar, de 65 anos, e Igor Simões da Silva de Alencar, 30,  pai e filho, morreram por volta das 17h, enquanto tentavam retirar um cabo energizado que caiu em cima do carro da família, um GM Celta preto, durante um temporal. Felipe Simões Julien Riand, 37, sobrinho de Paulo, também foi eletrocutado, mas passa bem.

Estrutura

 Segundo testemunhas, não há registros de tragédias dessa natureza no Solar de Brasília. O diretor de obras do condomínio, que se identificou como Carlos, informou que o residencial possui cerca de 150 para-raios de linha e três instalados em caixas d’água. Além disso, Carlos afirmou que ainda existem 34 transformadores, fora as chaves de energia. “O condomínio é muito seguro e a rede de distribuição elétrica é bastante moderna. Foi uma grande fatalidade”, lamenta o diretor. 

 Questionada sobre a reclamação de alguns moradores que constataram a demora para chegar ao local do acidente, a   Companhia Energética de Brasília (CEB)  nega o atraso. “Assim que a energia é cortada, o que garante o trabalho dos bombeiros, o local não é liberado imediatamente. Isso porque é feita uma vistoria para verificar se, de fato, não existe risco a bombeiros, moradores e técnicos”, explicou a CEB, por meio da assessoria. A companhia informou que o primeiro chamado foi feito às 16h02 e   o desligamento da energia ocorreu às 16h20. 

 Ainda de acordo com a CEB, três equipes foram enviadas. “Assim que a energia de alguma região acaba, o primeiro procedimento é mandar uma equipe de técnicos de manutenção. Em seguida, diante da gravidade da situação, tivemos que enviar um técnico de segurança e, posteriormente, outra equipe para reparar o dano. No entanto, a última equipe só foi liberada para trabalhar após a perícia”, declara.

Aparelhos não são obrigatórios

A tragédia ocorreu durante a comemoração de Páscoa e, segundo a Polícia Militar  (PMDF), o carro pegou fogo na hora em que o cabo energizado se rompeu e atingiu o veículo. Um raio foi o responsável pelo dano na parte elétrica. Na ocasião, moradores lembraram o cheiro de borracha queimada que tomou conta do local. 

 O professor do Departamento de Energia Elétrica da UnB  Mauro Moura alerta para a importância do para-raio e explica que ele é apenas um componente do sistema de proteção contra descargas atmosféricas. “O objetivo do equipamento é atrair o raio, impedindo, ou melhor, dificultando que ele caia próximo. Isso porque, ainda que esse instrumento de segurança nos dias de chuva seja fundamental, ele não elimina por completo as chances de incidência do raio”, explica.

 Vale lembrar ainda que “ele apenas atrai a descarga elétrica, mas o sistema de proteção ainda conta com um subsistema de descida do raio até a terra e o próprio aterramento do raio”, completa. 

 Entretanto, Mauro ressalta que a existência de para-raios não é obrigatória para todas as construções. “Questões como altura, localização e   quantidade de pessoas precisam ser analisadas por um engenheiro. Uma avaliação precisa é o mais indicado para evitar tragédias”.

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