Soraya Sobreira
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Os moradores do Distrito Federal dispõem dos serviços das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) há quase dois anos. A primeira, de Samambaia, abriu as portas em fevereiro de 2011. Hoje, são quatro, e a previsão do governo é que sejam construídas mais dez até o fim de 2014. No entanto, os pacientes enxergam essas unidades com certa desconfiança, uma vez que o atendimento, muitas vezes, é demorado como nos hospitais públicos comuns.
Também há UPAs no Recanto das Emas, São Sebastião e Núcleo Bandeirante. Nestes espaços, a reclamação mais frequente é de que a demanda de pacientes é grande para a quantidade de profissionais de saúde.
De acordo com a Secretaria de Saúde, a média de atendimento diário é de 400 pessoas nas UPAs. No Núcleo Bandeirante, em três meses de funcionamento, foram feitos 16 mil exames. Ali, a principal reclamação é quanto à localização. A unidade é situada às margens da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB). Não há paradas de ônibus nem passarelas próximas.
O motorista Afonso de Souza, 69 anos, fica desanimado todas as vezes que precisa ir à unidade. “Esse local é isolado, e a parada fica longe”, diz.
Na terceira vez que o conferente de saída Francisco Santos, 29 anos, usou a UPA do Recanto das Emas, ele disse não aprovar o atendimento da maneira como está. “Já ficamos mais de cinco horas esperando. Ainda por cima, o médico examinou tão mal que tivemos que retornar, só que no particular”, relembra.
Em Samambaia, a pedagoga Sirlei Rocha teve mais sorte. Ela avaliou que seu atendimento foi rápido. “A saúde sempre deve ser tratada com respeito. Quanto mais investimento, melhor”, disse.
Planejamento
A abertura das outras dez UPAs vai aprimorar o atendimento. O secretário-adjunto de Saúde, Elias Fernando Miziara, explica o plano de inaugurar, ainda no primeiro semestre de 2013, as UPAS do Plano Piloto e de Ceilândia. “Pelo menos estas duas serão entregues rapidamente, mas queremos entregar também as de Sobradinho e Planaltina”, informa.
Quanto aos médicos, ele acredita que o número é suficiente. “O quantidade está adequada”, alega. Para humanizar o atendimento, o Secretaria de Saúde criou um sistema de cores. Elee indica quais pacientes devem ser atendidos com prioridade.
Mudança na estratégia de acolhimento
Para o secretário-adjunto de Saúde, Elias Miziara, as UPAs representam uma mudança na saúde pública. “A unidade busca rapidez e também orienta os pacientes, que antes não sabiam a quem recorrer. Todos acabavam lotando os hospitais com casos que se resolvem atualmente nas UPAs. As quatro unidades demonstram o acerto desta política. A população precisava de atenção e está sendo dada hoje”, avalia Miziara.
Enfermidades
As ocorrências comuns são de pacientes com quadro gripal, diarreia, pressão e febre altas, fraturas, cortes, infarto e derrame. A UPA oferece estrutura com raios X, eletrocardiografia, ambulatório de pediatria, laboratório de exames e leitos de observação. “Quando o paciente chega às unidades, os médicos prestam socorro e detalham o diagnóstico. Analisam ainda se é necessário encaminhá-lo a um hospital ou mantê-lo em observação”, diz Miziara.