Vinícius Borba,
com agências
vinicius.borba@jornaldebrasilia.com.br
O Governo Federal lançou em Brasília a primeira etapa do Programa de Investimentos em Logística, que prevê aplicação R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias e ferrovias federais. O pacote abrange concessões para empresas privadas investirem nestas obras e, como contrapartida, terão a exploração de pedágios em BRs como a 040 e a 060, pistas que cortam o DF em direção a Goiás e Minas Gerais. A BR-040 deve ser uma das primeiras a passar pelo processo, que prevê sua duplicação a partir de Luziânia (GO).
Pistas de grande fluxo e tomadas pelo crescimento urbano a sua volta, como as BR-040, que liga o DF a Goiás e Minas Gerais, e ainda a BR-060, que faz a ponte Brasília-Goiânia, devem ter novidades para sua manutenção, e impacto financeiro para os motoristas que as cruzam. O pacote prevê que do valor total, R$ 42,5 bilhões sejam investidos na duplicação das pistas, medida que inclui trechos como o que liga Luziânia a Cristalina, e segue para Minas sem duplicação. E ainda está prevista a instalação de pedágio entre Brasília e Luziânia, como contrapartida à empresa que apresentar o menor valor de tarifa a ser cobrada dos usuários. A outra rodovia também deve ter pedágio.
Para o caminhoneiro Carlos Eduardo Mota, de 28 anos, a notícia não vem em bom momento. Ele veio de São Paulo fazer entrega em Brasília, e volta carregado até Sete Lagoas (MG). Acostumado aos altos valores de pedágios paulistas, acredita que as melhorias não deveriam passar por mais prejuízos aos profissionais da estrada. “Praticamente 40% dos meus ganhos são em pedágios na região de São Paulo. Dependendo de onde pegar a carga, e como venho a Brasília constantemente, isso pode encarecer e até inviabilizar nosso trabalho aqui. Caminhoneiro hoje já vende o almoço para comer a janta”, disse.
Ele ressalta que o trecho entre Luziânia e Cristalina é sempre uma preocupação para os motoristas, e a chegada a Valparaíso é outra insegurança. “A gente fica ressabiado. A pista é meia-boca e a sinalização é ruim, com um monte de curvas”, afirmou. Para Carlos, a boa notícia é uma das exigências do Ministério dos Transportes, de que os pedágios só poderão ter a cobrança iniciada quando pelo menos 10% das obras estiverem concluídas, o que pode trazer as melhorias esperadas.
Outra motorista que passa constantemente pela BR-060 e circula também pela 040 é Tania Aparecida Silva. Para ela, a segurança que as empresas privadas oferecem, com atenção aos motoristas e manutenção de sinalização e asfalto, pode ser importante para quem roda pela região. “Sabemos que isso tudo traz melhorias”, observou. Apesar disso, ela faz ressalvas: “Já pagamos muitos impostos para manutenção dessas vias, e ainda assim teremos que pagar mais para ter o direito a essa segurança. É complicado entender”, completa.
Segundo o agente da Polícia Rodoviária Federal D. Ferreira, que atua na BR-040, o serviço ali é intenso pelas dificuldades estruturais. “São inúmeras as variáveis que influenciam os acidentes, mas sabemos que o aumento crescente do trânsito nestas rodovias pede mais estrutura para amparar este crescimento e ajudar a evitar acidentes”, lembra.
Até maio deste ano, nove pessoas perderam a vida em acidentes violentos nas duas pistas, conforme o balanço mais recente da PRF. Acidentes com morte em todas as BRs que cortam o Distrito Federal cresceram de 17%, comparando o primeiro semestre de 2011 com o mesmo período deste ano.
Até dezembro, o edital de licitação da BR-040 deve ser aberto para apresentação das propostas. Até janeiro de 2013, a licitação deve ser concluída, e em abril o contrato deverá ser assinado. Já a BR-060 terá certame lançado até março de 2013, em abril deve ser feita a licitação e entre maio e julho ocorre a assinatura.