Luís Augusto Gomes
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O roubo de R$ 590 mil ocorrido no centro de Taguatinga, na última quarta-feira, será investigado pela equipe da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF). A empresa vítima do assalto pertence ao deputado distrital Olair Francisco (PTdoB). A princípio, o caso estava sob os cuidados da 21ª Delegacia de Polícia, responsável pela área, mas foi transferido devido ao aparato tecnológico que dispõe a especializada, além de possuir um grupo maior, preparado para investigar crimes dessa natureza.
O delegado Fernando César, chefe da DRF, avalia que o roubo foi praticado por criminosos experientes. Por isso, acredita que precisará usar métodos mais técnicos para analisar as circunstâncias em que o roubo foi praticado e a rota de fuga dos envolvidos.
Apesar de não fornecer detalhes do caso, para não alertar os suspeitos e prejudicar a investigação, sabe-se que a polícia está em busca de imagens que ajudem a descobrir a direção dos criminosos. Parte delas gravada pelas câmeras do circuito de segurança de um edifício vizinho ao local do assalto. As outras são dos pardais próximos e ao longo da Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG), que podem ter flagrado a fuga.
Em depoimento à polícia, o motoboy que transportava o valor disse ter sido abordado por dois homens, no momento em que estacionou em frente à agência bancária. O suspeito que estava na garupa desceu, se aproximou, encostou uma arma de fogo em seu peito e disse: “É um assalto, fica quieto e entrega a grana”. O motoboy não teve chance de reação.
Depois de pegar o dinheiro – R$ 461 mil em cheques e mais de R$ 120 mil em dinheiro –, o assaltante retornou para a motocicleta do comparsa e os dois fugiram no meio dos carros. Há indícios de que outros dois cúmplices davam cobertura em um Gol prata.
A polícia não tem dúvida de que os ladrões tiveram informações privilegiadas e aguardavam o motoboy em frente ao banco. O escritório da empresa do deputado Olair Francisco fica em um edifício próximo à agência e não teria como o motoboy ser seguido.
O delegado responsável pela investigação recomenda que valores elevados sejam transportados por empresas especializadas em transporte de valores, para evitar a ação de criminosos. Fernando César destaca que a vítima corre risco de perder o valor e ainda ser morta durante a ação do criminoso.
O deputado Olair Francisco diz ter contratado uma empresa para transportar os valores, mas como os cheques eram nominais e destinados ao pagamento de impostos, a contabilidade preferiu mandar o motoboy fazer as transações. Na opinião do parlamentar, os roubos ocorrem constantemente, sejam a pequenos ou grandes valores, mas ele acredita no trabalho da polícia para encontrar os envolvidos.