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Brasília

Palhaços pedem financiamento para continuar programa em hospitais

Arquivo Geral

25/06/2014 7h00

As quintas-feiras são um dia de mais leveza em três hospitais públicos do Distrito Federal. Será  assim pelo menos até amanhã, provável último dia do projeto Risadinha. Por meio da ação,  dez  atores profissionais  se revezam e se vestem de palhaços para visitar os pacientes. No entanto, devido à falta de recursos, o projeto precisará ser suspenso. 

À frente do projeto desde 2011,  Ludmila Valejo diz que a iniciativa terá de ser interrompida porque o   patrocínio do governo, por meio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), vai acabar. “Os palhaços recebem cachê e temos uma estrutura administrativa a manter. Sem essa verba, nossas atividades podem não acontecer”, ressaltou Ludmila,   ou Adelaide Marmita, nome de sua personagem.

Iniciativa

O grupo começou com trabalhos voluntários em 1998, mas, desde 2009, paga  os seus integrantes, o que garante maior assiduidade e compromisso. “Todos são formados em Artes Cênicas, então dependem disso para viver também. Todos têm que conciliar com outros projetos e, sem pagamento, com certeza seremos prejudicados nessa questão”, ponderou a coordenadora.

A ação mais recente ocorreu no  Núcleo de Controle de  Infecções do Hospital Regional de Sobradinho (HRS). Na semana passada, a unidade convidou os atores para promover um arraiá de conscientização quanto à higienização.

Com a missão de  animar a campanha, os integrantes do grupo   abordaram médicos e enfermeiros. Eles premiavam com doces típicos de festa junina aqueles que se adequavam aos padrões de higiene. “Muitos têm uma certa relutância. As brincadeiras e o arraiá são para tentar sensibilizá-los”, conta o palhaço Gaubi Peixoto, nome adotado pelo ator Hugo Leonardo.

 Ludmila Valejo  ressaltou que o próprio grupo, em visitas   aos hospitais, já toma cuidados. “Nossas roupas sempre estão higienizadas. Procuramos não tocar os pacientes e limpar as mãos com frequência”, diz a coordenadora do Risadinha.

Respeitável público

Os atores se utilizam da lógica do “palhaço visitador”, que não parodia a figura do médico. Estão lá simplesmente para interferir nos ambientes do hospital, em que, para eles, não há pacientes ou acompanhantes: há público. “As intervenções artísticas  têm o intuito de desdramatizar o universo hospitalar e oportunizar ao nosso público o direito de abstrair e rir, promovendo momentos de leveza e graça, para que melhor se enfrente a fragilidade na saúde”, explica a diretora artística Ana Flávia Garcia.

Parcerias indispensáveis

As três duplas do projeto Risadinha costumam animar pacientes  dos hospitais regionais da Asa Norte (Hran), do Paranoá (HRP) e de Sobradinho (HRS) uma vez por semana, das 14h às 18h. Os atores são treinados e também ensinam novatos sobre maneiras de atuar e como proceder no ambiente hospitalar.  Por meio de parcerias, eles conseguem locais de ensaio e ajuda de custo com vestimentas.

O grupo pretende concorrer ao FAC novamente, assim que um edital for lançado. Eles também estão de olho em outras iniciativas de patrocínio. Procurada, a Secretaria de Cultura não informou sobre a previsão de publicação do edital até o fechamento desta edição.

 

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