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Brasília

Pais enfrentam longas filas no primeiro dia de remanejamento em escolas públicas

Arquivo Geral

15/02/2016 17h25

O prazo para preencher vagas remanescentes nas escolas públicas começou ontem, mas muitos pais ficaram acampados desde a semana passada para tentar garantir  que o filho possa estudar perto de casa. O JBr. esteve em   colégios de Taguatinga e constatou a formação de longas filas, acompanhadas de muitas reclamações.

No Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), que fica na QSA 3/5, mais de 60 pessoas aguardavam pelo atendimento na manhã de ontem.

Para o 1º ano do período vespertino, foram disponibilizadas 20 vagas. Para o 2º ano, não havia nenhuma, e, para o 3º ano matutino, apenas cinco. Para o noturno, estavam disponíveis oportunidades para todas as séries e alunos acima de 16 anos.

A vendedora Maria Bernadete da Silva, 55 anos, tentava uma vaga noturna para o filho. “Ele arrumou emprego e   vai ter que mudar de escola e turno. É a primeira vez que   vai estudar nesse horário. Ao que parece, há vagas suficientes para o EJA. Porém, vi que muitos pais chegaram cedo e saíram daqui sem conseguir nada para os turnos da manhã e da tarde. Isso é lamentável”, comenta.

Foi o caso da aposentada Maria das Graças Duarte, 68. Ela buscava   vaga   para a filha, no 1º ano do Ensino Médio, mas foi informada de que todas foram ocupadas. “E agora? Não sei o que faremos. Ficar sem estudar é que não pode”, reclama.

Matrícula acaba em   minutos


O servidor público Ademir Guimarães, 53 anos, estava transtornado com a situação no Cemab. “Estou tentando uma vaga para um local mais próximo. Desde a quinta- feira, estávamos acampados aqui em frente, e as vagas acabaram em questão de minutos. É muito sofrimento. A maioria das vagas foi ocupada  por ‘peixada’. Às vezes, a pessoa conhece alguém ou tem algum parente lá dentro  e sequer enfrenta fila”, opina.

Supervisor do Cemab, Gabriel Resende orientava  os pais  para que procurassem a regional de ensino  para encontrar vagas em uma escola    mais próxima. O início das aulas está previsto para o dia 29/02. 

Enquanto isso, no Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit), na QNB 2, restaram 20 vagas para o 1º ano do período vespertino, 40 vagas para o 2º ano vespertino e 15 para o 3º ano matutino.

Ao relento

A aposentada Luísa Aparecida Guimarães, 61 anos, conta que dormiu na porta da escola para tentar uma vaga para a sobrinha, mas também não obteve êxito. “Não é justo. Enfrentamos uma fila grande, chuva e relento para tentar garantir um direito. É muita humilhação. Passamos tanto tempo aqui. Agora estou aguardando um encaixe, mas também não é certeza”, comenta.

Saiba mais

As longas filas sugeriam que logo todas as vagas seriam preenchidas, embora o prazo para a matrícula ainda não tenha acabado. No entanto, de acordo com  a Secretaria de Educação, ainda não é possível obter um balanço devido ao grande volume de escolas. 

Estudantes ou responsáveis (no caso de menores de idade) interessados deverão comparecer à secretaria da escola desejada, das 8h às 17h, até a próxima sexta-feira,   para verificação de vagas. 

Caso não haja naquele colégio, deverá procurar outra unidade educacional.

 Em caso positivo, o candidato que esteja com a documentação exigida poderá efetuar a matrícula no ato. 

Em relação aos que querem trocar de escola, o pedido de transferência deve ser feito apenas após a obtenção de garantia da vaga. 

Famílias revezam lugar na fila

A funcionária pública Magnalva Lopes, 49 anos, conseguiu uma vaga no Cemeit, mas conta que contou com a ajuda de uma amiga para revezar o lugar na fila.
 
No Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte (CEMTN), foram disponibilizadas 20 vagas para o 1º ano, 15 para o 2º e duas para o 3º. Porém, a procura foi bem maior, e cerca de 80 pessoas se aglomeraram em frente à secretaria.
 
O estudante Iago Alves, 16 anos, acompanhava a mãe e tentava uma vaga para o 3º ano. “Isso aqui é resultado de super concentração. O fato é que existem colégios com infraestrutura melhor e esses são os mais procurados. Os alunos vêm de outras cidades do DF, e acaba que quem mora aqui perto fica sem vaga. É muita falta de organização”, completa o adolescente.
 
A técnica de enfermagem Claudenice Maria da Silva, 45 anos, conta que, desde a última sexta-feira, estava acampada na escola e revezando com toda a família na esperança de conseguir uma vaga para o 2º ano. 
 
“Estamos na expectativa, mas as vagas já foram preenchidas. Podiam ter feito isso de outra forma ou realizar um cadastro reserva com quem já está aqui e passou esse tempo todo esperando, mas disseram que não podem fazer isso. Vou ter que ficar ligando e vindo  para ver se surge algum desistente. Mas quem mora aqui do lado e tem mais tempo livre  vai acabar pegando”, acredita.
 
Oferta não supre  a demanda
 
Com a filha de seis meses no colo, Reny Gonçalves, 41 anos, tentava vaga para a sobrinha que cursaria o 3º ano. “Nos mudamos de Anápolis (GO), estamos com todos os documentos em mãos. Acontece que só tinham duas vagas, e eu fui a terceira a procurar. Tentei antes pelo telefone, mas também não consegui. Vou correr atrás e ver o que ainda dá pra fazer”, conta Reny Gonçalves.
 
O sargento Itamar também participou da maratona. Ele relata que os pais tentaram se organizar da melhor maneira para evitar confusões e mal entendidos. Listas por ordem de chegada dos alunos foram feitas. Só para o 1º ano, ficaram 27 na lista de espera feita por eles. 
 
“Assim que eu saía do serviço, corria para cá. E aí trocava com a minha esposa. Fizemos filas de acordo com as vagas de cada ano. Organizamos lista de chamada para evitar que segurassem lugar na fila, mas ainda não consegui um lugar para minha filha. Uma coisa é certa: se fazemos isso é porque precisamos”, afirma o sargento.
 
Centro não tem mais vaga
O vice-diretor do  Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte (CEMTN), Adriano Moura Meradil, conta que o cartaz com o número de vagas foi fixado na última sexta-feira, quando já havia pais acampados. “Explicamos a situação e, apesar do quantitativo, eles persistiram na esperança de surgir um encaixe. A procura é grande, mas não temos mais vagas. O jeito é procurar outras escolas”, finaliza.
 
O período para efetivar a matrícula vai até sexta-feira. As datas são para atendimento aos interessados em estudar na rede pública de ensino no ano letivo de 2016 que não fizeram inscrição pelo número 156 ou que querem mudar de escola. 
 
De acordo com a Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, todos que se inscreveram pelo número 156 dentro do período foram contemplados. Das 40 mil vagas, cerca de 35 mil já foram preenchidas. A pasta ressalta que todos os interessados em vagas da Educação Básica e Educação de Jovens e Adultos serão matriculados em unidades escolares com disponibilidade para a efetivação.
 
A secretaria acrescenta que a formação de filas nas escolas não garante a efetivação de matrículas. Tudo dependerá da disponibilidade de vagas.
 
Documentação para a matrícula nas vagas remanescentes
 
 Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA): original e cópia da certidão de nascimento (RG, no caso da EJA), duas fotos 3×4, comprovante de residência e informações sobre tipo sanguíneo e fator RH. No caso de estudantes menores de idade, o responsável deverá apresentar RG e CPF.
 
Documentos específicos
Ensino Fundamental:  declaração provisória de matrícula, histórico escolar ou ficha individual do estudante (séries/anos finais).
Ensino Médio:  declaração provisória de matrícula ou histórico escolar.
EJA:  declaração provisória de matrícula ou histórico escolar. 
Educação Especial:  declaração provisória de matrícula, histórico escolar ou ficha individual do estudante (séries/anos finais). Também é obrigatório anexar a documentação de cada etapa/modalidade e incluir diagnóstico clínico, expedido por profissional habilitado, identificando a deficiência e/ou o transtorno global do desenvolvimento, além de relatório de avaliação e intervenção educacional, caso possua. O responsável deverá apresentar RG e CPF.
 

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