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Brasília

Pais e associação reclamam de ajustes na reposição de aulas

Arquivo Geral

26/11/2015 6h00

Carla Rodrigues

carla.rodrigues@jornaldebrasilia.com.br

A reposição das aulas nas escolas públicas   pode não ocorrer integralmente como o determinado após  a greve dos professores. A situação veio à tona por meio de uma denúncia à Associação de Pais e Alunos (Aspa). Segundo relato do pai de um aluno do Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), de Taguatinga, a informação repassada é de que “as avaliações bimestrais ocorreriam entre 9 e 11 de dezembro, e que os alunos já aprovados não precisariam mais ir à escola”. Antes mesmo da paralisação, o fim das aulas ocorreria somente em 23 de dezembro. 

Preocupado, o presidente da Aspa, Luis Claudio Megiorin, afirma que é preciso fiscalização para saber se, de fato, as escolas estão cumprindo o calendário acordado entre o Sindicato dos Professores (Sinpro) e o governo.  

“É uma confusão. Tem escolas que aderiram 100% à greve. Em outras, alguns professores continuavam dando aula isoladamente. Tem ainda escolas que aderiram parcialmente e aquelas que não aderiram. É preciso que haja um esforço maior para entender, organizar e fiscalizar   a reposição. Há relatos de que  professores estão passando trabalhos para  casa e apenas tirando dúvidas em sala. Isso não é repor aula”, critica. 

Previsão de férias

O JBr. esteve no Cemab e conversou com pais e alunos. De fato, à primeira vista, o que parece é haver a intenção de liberar os alunos aprovados em 12 de dezembro. “As provas serão feitas entre   9 e 11. Aí, o que foi repassado   é que os aprovados estão de férias a partir do dia 12”, diz Sofia Dias, de 16 anos. Para a aluna do 2º ano, os conteúdos perdidos jamais serão repostos. “Eu estudo em casa para tentar recuperar. Mas, por exemplo, a gente está sem aula de Matemática. O professor está de atestado. E aí? Não dá para recuperar”, reclama. 

A mãe de Sofia, Joelma Novaes Santana,   42, diz ter reclamado sobre o   cronograma apresentado aos pais. No entanto, sem retorno satisfatório. Com o novo calendário em mãos, a servidora afirma: “São conteúdos completamente perdidos”.  Para ela, a lógica   é incompreensível. “Eu não entendo como o calendário deles conseguiu ser menor do que o de antes da greve. É uma matemática sem lógica”, reclama. 

Sobre os trabalhos  feitos em casa, Joelma ressalta: “Se professor não fosse necessário para aprender conteúdo, não precisaríamos de escolas. Estão correndo  e é impossível aprender assim”.

Aulas até 23 de janeiro

Outros alunos do Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), de Taguatinga, que preferiram não se identificar, asseguram que a situação está “bagunçada”, pois alguns professores alegam ter dado aula mesmo com a escola de portas fechadas durante a greve. E, por isso, terminarão o ano letivo no calendário previsto antes da paralisação da categoria. “Meu professor de Matemática diz que já terminou o conteúdo. Agora, é só prova. Porque ele estava aqui durante a greve”, conta P.S., de 16 anos. 

O amigo, de 15 anos, aluno do 1º ano da escola, diz: “Tem alguns que nem darão prova final. Eles estão apenas passando trabalhos para casa, ou seja,  vão substituir a prova. É o caso de Geografia, História, Português, Física”, conta. “Para nós, não é bom, claro. A gente quer entrar de férias logo, mas sabe que está perdendo conteúdo importante”. 

Por telefone, o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer, Fábio Pereira de Sousa, salientou que o cronograma do Cemab sequer passou pela Secretaria de Educação. Além disso, destacou, o calendário escolar de todas as unidades de ensino “não pode acabar no dia 12”. 

“Não tem como, pois, no calendário normal, era o dia 23. A escola tem que estar aberta para receber os alunos nos 200 dias letivos. Nenhum professor pode encerrar sem cumprir os dias letivos e as mil horas-aula”, disse o subsecretário. “Temos escolas em que 100% dos professores aderiram, e elas vão repor até 23 de janeiro”, explicou. 

Segundo o subsecretário, ao ser elaborado pela escola, o cronograma para reposição de aulas tem que ser apreciado pelo conselho escolar e pela coordenação regional. “O do Cemab nem foi encaminhado para a regional de ensino para ser aprovado ainda. Tem que avaliar se foi aprovado pelo conselho escolar. Que pai que assinou esse calendário? Isso tudo tem que ser encaminhado para a Secretaria de Educação”, salientou Sousa.

Flexibilidade para as unidades

O Sindicato dos Professores (Sinpro) afirmou que a determinação é de que todas as escolas da rede pública de ensino que aderiram parcialmente ou integralmente à greve devem terminar o ano letivo até o dia 23 de janeiro. “Esse calendário foi dado justamente para dar flexibilidade para a escola repor. Então, ela terá a oportunidade de repor no mês de janeiro, de segunda a sexta-feira ou aos sábados também. Os pais têm como acompanhar, e a escola tem que divulgar isso”, disse Samuel Fernandes, um dos representantes da entidade.

Saiba mais

Ainda segundo a Secretaria de Educação, o professor ou direção da escola que não cumpre a determinação do calendário de reposição  pode responder a um processo administrativo. Verificada a veracidade da situação, o profissional pode  ser suspenso. Os docentes ou membros da direção podem, inclusive, ser exonerados dos cargos. 

Sobre a situação específica do Cemab,  Samuel Fernandes, do Sinpro, afirmou que “é preciso ver como ficou a reposição desses professores que fizeram greve”. Além disso, ele também disse que o novo cronograma da escola não chegou ao conhecimento do sindicato. Para ele, pode ter havido uma falha na redação do documento entregue aos pais.

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