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Brasília

Pai e filho são libertados após 4h no HRP

Arquivo Geral

25/11/2013 7h43

Uma família  viveu quatro horas e meia de tensão e desespero dentro da ala de internação do Hospital Regional do Paranoá (HRP). Um paciente de dez anos, que foi submetido a uma cirurgia de apendicite na madrugada de ontem, foi feito refém no quarto da unidade de saúde. O pai, Weclef Resende Moreira, de 30 anos, que acompanhava o garoto,  também ficou sob poder dos dois detentos do Complexo Penitenciário da Papuda que estavam internados no hospital há pelo menos duas semanas. Ribamar Rufino de Lira, 38 anos, e Wanderson Alex Borges, de 20 anos, conseguiram tomar a arma de um agente penitenciário da Polícia Civil e pelo menos quatro disparos foram efetuados antes de manter as vítimas em cárcere privado.

 

Os dois detentos aguardavam cirurgia internados no quarto andar do hospital. O mais jovem está com o braço esquerdo quebrado há seis meses e precisa ser submetido a uma cirurgia. 

 

Planejamento


Por volta das 12h de ontem, um dos presos, considerados indivíduos de alta periculosidade pela polícia, pediu para ir ao banheiro. Ao retirar a algema, rendeu um dos agentes, que estava desarmado, e fez com que contasse onde estava a arma. Entretanto, ao tentarem fugir, se depararam com outros dois agentes  no corredor.

 

Ribamar atirou contra a dupla de policiais, que revidou. Por sorte, ninguém ficou ferido. Depois disso, os presos entraram no quarto onde estava o paciente de dez anos, acompanhado do pai. Os criminosos se entregaram à polícia, às 16h30, após intensa negociação. Dentre as exigências, os presos pediram a presença de um juiz e representantes da Comissão de Direitos Humanos, além de um advogado e a cobertura do caso pela imprensa.

 

A mãe do menino, a operadora de caixa Nilka Bezerra Nunes, recebeu uma ligação por volta das 12h de ontem. Do outro lado da linha, um dos detentos conversou com ela e apresentou suas  exigências. “Fui em casa resolver algumas coisas e voltaria às 16h porque amanhã (hoje) meu marido trabalha. Eu  recebi a ligação do celular do meu esposo, mas foi  um dos presos que falou comigo. Depois disso, só consegui falar com Weclef duas vezes”, explicou.

 

Objetivo era fugir e não voltar à prisão

Nilka Bezerra Nunes,  mãe do menino de dez anos, após falar com os criminosos pediu para a madrinha do filho acionar a imprensa. “Um dos que já estavam rendendo meu marido e meu filho disse que eu só conseguiria reverter essa situação se chamasse a mídia e um juiz”, conta.

 

Quando soube da notícia toda a família foi para o hospital. Um dos familiares que auxiliou a polícia com informações foi o tio  da criança, Antônio Pereira. O vigilante, de 47 anos, subiu com os negociadores até o quarto andar do hospital. Ele recebia ligações dos presos sobre o estado de saúde do garoto. 


Brincadeira

 Antônio disse que os detentos estavam se articulando para se livrar da prisão. “A negociação ocorreu bem, o meu sobrinho está medicado e vai permanecer no hospital por causa da cirurgia. Ele está estável, mas se percebe que os presos queriam se safar da cadeia”, explicou. O tio considera que o paciente é forte e resistente. “Ele ainda brincou que foi furado por agulhas por cinco vezes, fez uma cirurgia e ainda foi rendido por detentos. E eu disse que ele é muito macho”, destaca.

 

 

Durante as negociações policiais do 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM) do Paranoá auxiliaram na ocorrência e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) também foi acionado, mas no decorrer da situação a responsabilidade das negociações foi transferida para a Polícia Civil. 

 

Pânico entre os pacientes


A copeira Valdelice Alves dos Santos, 42 anos, se deslocou do Itapoã para acompanhar uma amiga em um atendimento de emergência. Durante a espera, ela conta que ouviu pelo menos quatro disparos. “As pessoas ficaram em pânico e todo mundo, com medo, queria sair o mais rápido possível lá de dentro, mas os funcionários fecharam as entradas e saídas do hospital”, ressalta. 

 

Mãe de uma paciente de sete anos, internada no terceiro andar do hospital, destaca que a situação colocou em risco principalmente crianças pequenas. Lúcia Maria Inácio, 41 anos, deixou a filha acompanhada da mãe, de 69 anos, enquanto foi  em casa buscar roupas. “Cheguei aqui e elas estavam lá fechadas no terceiro andar. Foi um susto muito grande quando minha mãe me ligou nervosa, contando o que aconteceu. Estou besta com essa situação, porque não dá  nem para imaginar como isso ocorreu”, relata.

 

No quarto andar, onde tudo ocorreu, os pacientes foram estrategicamente reposicionados . Quinze pessoas foram deslocadas para outras áreas do hospital e outros dez pacientes foram isolados no mesmo andar. Representantes das secretarias de Segurança  e de Saúde, além da direção do hospital, foram responsáveis pela logística médica dos internados.

 

Ribamar Rufino de Lira tem condenação de 26 anos e seis meses de prisão por homicídio qualificado, injúria, ameaça e lesão corporal. Já Wanderson Alex Borges é condenado a 12 anos em regime fechado por roubo e tráfico de drogas. O diretor e delegado-chefe da Divisão de Operações Especiais (DOE), Guilherme Lorentz, aponta que a dupla é de alta periculosidade.

 

Procedimento  padrão

O delegado explica que o quarto onde os pacientes estavam sob poder dos meliantes ficou fechado e, segundo Lorentz, após um tempo a crise foi contida e os ânimos começaram a se acalmar. “Após constatarem a presença da imprensa e do advogado, eles liberaram os reféns e foram contidos. A dupla agiu em comum acordo e o objetivo era a fuga do hospital”, explica.

 

Os dois foram conduzidos para a 6ª DP (Paranoá) para prestarem depoimento. O delegado-chefe da DOE, Guilherme Lorentz, destaca que o procedimento do agente penitenciário não estar armado no hospital é comum. “Existe uma ala específica para detentos no hospital e inclusive há uma cela de proteção”, aponta.   O agente penitenciário  que sofreu a agressão  ficou machucado e teve lesões pelo corpo.

 

 

Mãe de Wanderson, Fabiana Borges da Silva, 36 anos, conta que o filho está preso na Papuda há nove meses e a previsão era de que ele saísse em meados de abril ou maio. “Estou surpresa, porque ele sempre foi um menino carinhoso e  não é  rebelde e nem agressivo. Agora eu nem sei o que vai acontecer com ele”, conta. “Ele dizia que em breve estava saindo da prisão e não ia mais para o mundo do crime, pois isso só 

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