A confraternização de Páscoa terminou em tragédia para uma família do Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. Por volta das 17h de ontem, durante uma forte tempestade, pai e filho morreram eletrocutados quando tentavam retirar um cabo que caiu em cima do carro da família, um GM Celta preto, depois que um raio atingiu a parte elétrica.
Paulo Roberto Loureiro de Alencar, 65 anos, e Igor Simões da Silva de Alencar, 30, morreram na hora. Aparentemente, os dois estavam descalços. Uma terceira vítima, Felipe Simões Julien Riand, 37, também foi atingida, mas foi levada para o hospital com vida. O estado de saúde dele é desconhecido. Apesar do mesmo sobrenome, o parentesco não foi confirmado pela polícia.
Segundo a Polícia Militar, o carro pegou fogo na hora. Até as 20h, a perícia ainda estava no local. O Corpo de Bombeiros também foi prestar socorro, o que só foi possível após a Companhia Energética de Brasília (CEB) cortar a luz da quadra. De acordo com um morador, o barulho no momento que o cabo atingiu o veículo foi estrondoso e, em seguida, o cheiro de borracha queimada tomou conta do condomínio.
Fumaça nos corpos
O designer Victor Baqui, 36 anos, que mora na mesma rua, afirma ter presenciado a tragédia. “Ele (Paulo) foi tentar tirar o cabo elétrico do carro com um pedaço de madeira, quando a energia voltou. Quando o filho foi ajudar, também foi eletrocutado. Tinha muita fumaça saindo dos corpos e muita criança na casa. Eles estavam comemorando a Páscoa”, conta Victor, lembrando que ajudou a apagar o fogo do carro e teve que usar quatro extintores.
Muitos moradores ficaram incrédulos e familiares, desesperados. Para o advogado Maurício Gieseler, 39, que também mora na mesma rua, o caso é assustador. “Estou perplexo, o condomínio nunca teve um caso de tragédia. É uma grande tristeza para todos, principalmente, na Páscoa. Poderia ter acontecido com qualquer um”, conclui, afirmando que a CEB demorou 45 minutos para chegar e desligar a energia.
A CEB nega a demora, lamenta o ocorrido e orienta a população a jamais tocar na rede de energia – mesmo com o apoio de materiais aparentemente isoladores. Em situações como essa, deve-se ligar para o telefone 116.