Elaine Siqueira
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Em alusão ao combate ao câncer de mama, prédios públicos da capital recebem uma iluminação cor-de-rosa ao longo deste mês – é o chamado Outubro Rosa, uma iniciativa internacional. Mas muito além do simbolismo da ação, a realidade encontrada pelas brasilienses que buscam tratamento ou prevenção não é tão colorida assim. Atualmente, 1,5 mil pacientes esperam na fila da Central de Regulação de Exames para poder ter acesso à mamografia, fundamental para a detecção do câncer. Quem também depende da rede pública para fazer quimioterapia ou radioterapia não consegue ser submetido aos tratamentos com agilidade.
A autônoma Vera Magalhães, de 49 anos, foi diagnosticada com câncer de mama em setembro de 2011. De lá para cá, só conseguiu uma vaga para ser operada há dois meses. “Sempre fui acostumada a fazer o autoexame, isso me ajudou muito no meu diagnóstico. Porém, as dificuldades que enfrentamos nas filas são monstruosas”, diz.
Atualmente desempregada e com três filhos, Vera conta que depende da rede pública para fazer os exames e o tratamento. “As coisas não são tão simples como muitos pensam. Quando consegui o meu exame, o meu câncer já estava avançado. Conheci muita mulher que já tinha o diagnóstico, mas não havia conseguido uma vaga para operar. É muito doloroso”, desabafa.
RADIOTERAPIA
Após seis sessões de quimioterapia e a retirada de toda mama, Vera agora espera pelo tratamento de radioterapia. “Já me informaram que a demanda está grande. O que passam para a gente é tentar um encaixe quando houver desistência, em dia de consulta” revela.
Os pacientes da fila são classificados dentro das linhas verde e vermelha. Vera está na linha na vermelha por se tratar de um caso avançado. Recentemente, ela recebeu a notícia de que não poderá fazer o tratamento no Hospital de Base, pois o equipamento está em manutenção. “Desisti em dois momentos na minha doença. Um deles foi quando precisei fazer uma ressonância, assim que tive o diagnóstico. Até hoje, o hospital não me chamou”, lamenta.