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Brasília

Pacientes crônicos receberão tratamento em casa

Arquivo Geral

08/11/2012 7h41

Johnny Braga

redacao@jornaldebrasilia.com.br


Uma medida inédita no País promete levar esperança para pacientes que necessitam de tratamento de alta complexidade, internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), da rede pública de saúde. Pessoas que hoje dependem de aparelhos para respirar terão oportunidade de seguir com o tratamento no aconchego do lar e da família. Um levantamento da Secretaria de Saúde identificou 18 pessoas nessa situação ocupando leitos nos hospitais públicos do DF. A secretaria informa que hoje tem condições de manter o tratamento de 40 pacientes no sistema estilo home care (cuidados em casa). Com essa forma de tratamento, cada paciente pode significar uma economia entre R$ 1,5 mil a R$ 1,8 mil ao dia. Cada leito em hospital tem um custo diário de R$ 3 mil.

 

A transferência para a casa é feita após autorização da família e uma vistoria técnica das condições da residência. As casas devem oferecer espaço para instalação de equipamentos. A partir de então, a família passa a contar com a ajuda de um técnico em enfermagem, 24 horas por dia, de um médico que acompanha o paciente em atendimentos em casa, um enfermeiro e um nutricionista. Os 18 pacientes que atualmente apresentam esse quadro têm idades que variam  entre um e 72 anos.

 

Uma empresa de São Paulo venceu a licitação para administrar os leitos home care. O contrato vigora durante um período de um ano, com custo de R$ 12 milhões. “É um marco histórico para a saúde pública. Além de beneficiar os pacientes crônicos, aqueles que estão na fila por vagas em  UTIs passam a contar com mais leitos”, afirma o subsecretário de Saúde, Roberto Bitencourt.

 

Uma das contempladas, a pequena Myllena, de apenas cinco anos, está há dois internada no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), respirando com ajuda de aparelhos. A mãe de Myllena, a dona de casa Flávia Ferreira da Costa, 43 anos, comemora.

 

“Estou muito feliz. A Myllena sofre de ataxia espinocerebelar, do tipo 7, adquirida aos três anos de idade,  que compromete a estrutura muscular. Eu e minha família estamos ansiosos e já começamos a preparar nossa casa para recebê-la”, afirma.  

 

Números

 

R$ 25 milhões é o valor gasto anualmente pela Secretaria de Saúde para manter 40 leitos em UTIs nos hospitais públicos.

 

R$ 12 milhões será o valor gasto para manter a mesma quantidade de pacientes em casa, no mesmo período, com atendimento semelhante.

 

36 é o número médio de pacientes, em rotatividade, que ocupam um leito de UTI a cada ano.

 

648 é o número médio, provável, de pacientes que deverão ser atendidos anualmente nos 18 leitos vagos a partir da transferência dos pacientes em home care.

 
Mais vagas oferecidas na UTI

Os pacientes que serão transferidos para tratamento em casa estão atualmente internados em quatro hospitais da rede pública. Oito no Hmib, outros oito no Hospital de Santa Maria –  a primeira paciente a ir para casa está internada neste hospital. Os outros dois pacientes estão nos hospitais do Paranoá e no de Base.
 
À medida que cada paciente é liberado para tratamento em casa, o leito anteriormente ocupado pode dar lugar a três novos pacientes, rotativamente, em um período de um mês. Hoje, 20 pessoas aguardam na fila por vagas em UTIs da rede pública. Com a transferência para casa dos 18 pacientes , em um mês, quem está na fila pode ganhar espaço nas unidades.
 
Evolução
Para o subsecretário de Saúde, Roberto Bitencourt, a expectativa é que os pacientes evoluam o quadro a partir do momento que passam a ter contato integral com toda a família. “Só de estar em casa, com o contato diário com o círculo familiar, o paciente já ganha estímulo e força para lutar pela vida”, acredita.
 
Até o início de 2013, a Secretaria de Saúde espera ter um total de 210 leitos de UTIs em toda a rede pública. Este número chega a ser o dobro da quantidade que o DF possuía há 40 anos. Hoje, são 130 leitos em todos os hospitais públicos. Algumas unidades estão em obras para aumentar a capacidade. Também estão sendo construídos mais 20 leitos neonatais em Sobradinho e Gama – sendo dez em cada – e 26 no Hospital de Base.
 

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