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Brasília

Pacientes com câncer: dança pela vida, com alegria

Arquivo Geral

07/04/2014 8h00

“Nem parece que tenho câncer, parece que estou curada”, comemora Rafaela Eduarda Nunes, 14 anos, diante da alegria de poder realizar o maior sonho: um baile de debutante. Assim como Rafaela, que vai completar 15 anos em agosto, outras 14 meninas humildes de faixa etária parecida e que também enfrentam a doença ganharam a tão sonhada festa na noite de ontem. A iniciativa é da Abrace – instituição que presta assistência a crianças e adolescentes  do DF em tratamento contra a doença –  com parcerias como o estilista Fernando Peixoto, a doceira Maria Amélia e o cerimonialista Cristian de Britto. 

 Com direito a vestido de princesa, sapato, maquiagem e até uma dança com os cadetes da Polícia Militar do Distrito Federal, as adolescentes não contiveram a emoção. “A festa marca uma nova fase das nossas vidas. Parece que estamos deixando a adolescência. Nunca estive tão nervosa, ansiosa e feliz”, afirma Rafaela, que trata de um câncer na coluna há sete meses. 

Energia

A gravidade da doença, no entanto, parece não abater a energia da menina, que impressiona pela força de cada palavra dita. “Quando crescer, quero ser modelo careca, pois amei o meu visual e não tenho vergonha de ser diferente. Toda pessoa doente tem que querer viver e vencer o problema. Nunca imaginei que tivesse essa força dentro de mim. Hoje, sei dar valor ao que realmente importa e acho que ninguém tem o direito de reclamar da vida”, relata a jovem, que deixa um recado: “Tem muita gente que machuca o dedo e acha que é o fim do mundo”. 

Esforço

A vontade de vencer o câncer de Rafaela surpreende, inclusive, a mãe. Para Zelandia Maria Gomes, 50 anos, a filha é um exemplo. Isso porque, mesmo com o tratamento intenso, a adolescente continuou estudando em casa e no hospital e passou de ano. Além disso, Zelandia conta que a filha não deixa ninguém ficar triste em casa. 

“De fato, o câncer não é só da Rafaela, ele atinge a família inteira. Mesmo assim, ela não permite que ninguém fique abalado por conta do problema. É ela que me dá força, por isso é tão emocionante ver a expectativa dela com essa festa. Só tenho a agradecer a Abrace e a todos os colaboradores, pois eu não teria condições de realizar um baile para ela”, completa.

Força de vontade para  ir em frente

A debutante Andressa da Silva Xavier também não escondeu a emoção. No início do tratamento de um câncer no pulmão, ela afirmou estar com as energias renovadas para dar continuidade ao processo depois da festa. “Está tudo lindo, tudo como eu sempre sonhei. Esse é um momento em que esquecemos da doença. Estou tão feliz que tenho mais garra para curar o meu câncer. Minha autoestima está enorme hoje”, declara, ressaltando que medicina será a sua profissão no futuro.
 
A adolescente Sheyla Paula Rocha também quer medicina como carreira. Segundo a debutante, a doença, uma anemia falciforme, fez com que o sonho de ser médica se tornasse uma certeza no futuro. “Tenho vontade de cuidar das pessoas para que elas não sintam a dor que eu sinto, não quero que ninguém tenha o mesmo sofrimento que eu”, afirma. Para a mãe da Sheyla, Maria dos Passos, 35 anos, o baile é mais do que uma simples festa. “O sonho da minha filha é o meu sonho”, completa. 
 
 Para a diretora da Abrace, Lysia Alarcão, a iniciativa contribui não apenas para a autoestima das meninas, mas também para a cura. “Temos   exemplos da importância dessa festa na rotina de tratamento das adolescentes. Hoje, são 15 meninas que tiveram a oportunidade de acordar amanhã com mais vontade de vencer. Desejo que elas aproveitem o máximo possível”.

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