
Lidiane Regina Viana dos Santos tem 32 anos e está internada há aproximadamente um mês na Clínica Médica do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB). Nesta sexta (22), ela viveu um dia emocionante de celebração. Mesmo com a dificuldade de se locomover e respirar por conta do quadro clínico, ela saiu do quarto para realizar o grande sonho. “Toda mulher sonha em se casar e hoje é o meu dia. Estou muito feliz e emocionada”, conta Lidiane.
Desde agosto de 2015, Lidiane luta contra um câncer que se iniciou no útero, mas hoje também atinge o pulmão. A mãe, Divina Viana dos Santos, que acompanha a filha na internação, ajudou a prepará-la para a cerimônia. “Hoje era o dia do casamento civil da Lidiane. No entanto, foi da vontade de Deus que estivéssemos aqui e estamos felizes com essa grande realização”, diz Divina.
A paciente ganhou vestido, arranjo de cabelo, buquê de flores e maquiagem. Enquanto a mãe e as voluntárias do HUB ajudavam a arrumar a noiva, o companheiro dela, Edgard Bezerra, com quem vive há 19 anos, aguardava emocionado a chegada da futura esposa. “Hoje é um dia de felicidade, porque estamos realizando um sonho que é nosso. Estamos aprendendo a lidar com esta situação difícil, mas a força dela me ajuda a permanecer forte”, declara ele.
A filha de quatro anos do casal foi uma das damas de honra. Amigos, familiares e colaboradores da instituição lotaram a capela onde foi realizado o casamento religioso. A melhor amiga de Lidiane e madrinha de casamento, Marcela Veras, estava ansiosa. “Estou emocionada. Temos nos apegado em Deus para superar este momento, mas a Lidiane tem muita fé e força de vontade para viver”, afirmou a amiga.
O papel do voluntariado
A cerimônia ocorreu com o apoio de familiares, da Associação de Voluntários do HUB (AVHUB) e de colaboradores do hospital; como: médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.
O vestido da noiva e das damas de honra, a maquiagem, a decoração e o músico ficaram por conta da Associação de Voluntários do HUB, que também já realizou outros eventos no hospital: batizado e chá de bebê. “Nos mobilizamos para conseguir organizar tudo em menos de quatro dias”, relata a voluntária Maria de Lourdes Lima, conhecida como Lurdinha.
O trabalho da associação envolveu aproximadamente 15 pessoas. “Não somos uma fábrica de sonho, mas tentamos fazer a vontade dos pacientes”, afirma a voluntária Márcia Bernardes. Georgina Penna Fernandes fala da importância de atender aos pedidos dos pacientes em estado mais grave. “Satisfazer os desejos e resolver os problemas pendentes deles é importante para aliviar o sofrimento físico e o mental”, diz a voluntária.
As equipes médica e multiprofissional do HUB se encarregaram de planejar os detalhes da cerimônia, que passam pela escolha das músicas, cor da decoração e o buquê de flores, conforme contam as residentes em oncologia da Terapia Ocupacional, Mariana Fialho e Maria Luísa Andrade. “A paciente participou de todas as decisões do planejamento da cerimônia. A união da equipe facilitou a realização dessa atividade e foi muito gratificante para todos”.