Nesta terça-feira (8), a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) se apresenta sob a regência do maestro e solista Erich Lehninger. O violinista apresentará diversas obras do compositor George Frideric Haendel. O concerto será às 20h na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
Abrindo a noite, ‘Concerto Grosso, opus 6 n°1’. Em relação às óperas e aos oratórios, a produção concertante de Haendel é pequena, mas muito representativa. Além da “Música Aquática” e da “Música para os Fogos de Artifício Reais” e dos três concertos para oboé, obras de juventude, Haendel publicou na maturidade três coletâneas de concertos: os seis do opus 3, em 1738; os doze do opus 6, dois anos depois; e outro grupo de concertos para seu instrumento de preferência só publicamente postumamente, em 1761. Os mais conhecidos são, sem dúvida, os doze concertos do opus 6, conhecidos na época como “Grand Concertos”. Obedecem à estrutura dos ‘concerti grossi’ – onde um pequeno grupo de instrumentos atua como solistas em relação ao tutti orquestral – e foram todos escritos para a mesma instrumentação: dois violinos e um violoncelo solistas, cordas e contínuo. Ele acrescentou partes de dois oboés nos concertos n° 1, 2, 5 e 6.
O concerto n° 1 é um dos mais encantadores. Prestem atenção no Adagio, de forte influência italiana; e no terceiro Allegro, que já remete aos andamentos típicos das sinfonias pré-clássicas da segunda metade do século 18. É sempre bom lembrar que estes concertos não foram concebidos para o palco, mas sim como intermezzi instrumentais de grandes obras vocais, sobretudo nos intervalos de seus oratórios.
Em seguida, é a vez da ’Música aquática’. A história não parece de todo verdadeira, mas é sensacional. Em 1712, Georg Friedrich Händel, músico da corte de Hanôver, obteve permissão do Eleitor de Hanôver para viajar a Londres e ausentar-se por um período determinado de seu emprego. O compositor, entretanto, entusiasmado com os ingleses, não deu satisfação alguma – e estabeleceu-se em Londres definitivamente. Mudou até seu nome para George Frideric Haendel. Mas não contava que seu antigo patrão germânico assumisse, dois anos depois, o trono inglês com o nome de George I. Reza a lenda que Haendel compôs três suítes instrumentais, estreadas por um grupo de músicos a bordo de um barco logo atrás da embarcação real, em 17 de julho de 1717: em pleno verão inglês, o rei George I decidiu subir o rio Tamisa de Whitehall a Chelsea, onde jantou com Lord Ranelagh; e em seguida regressou ao Palácio de Saint James. Haendel e seu grupo de músicos executaram então, durante o percurso real, estas suítes que levaram historicamente o título de “Música Aquática”.
Compõem-se basicamente de suítes de danças estilizadas: da bourrée e à sarabande, visitam também o passepied, o minueto e até a hornpipe local. Sem nenhum preconceito, misturam Allegros, Andantes e Arias com as danças, numa deliciosa confusão barroca que vigorou imediatamente antes que as danças fossem banidas da grande música pelos clássicos vienenses Haydn, Mozart e Beethoven (o minueto, única dança a resistir na música dos dois primeiros, foi substituído pelo scherzo por Beethoven). Os fatos são um pouco diferente, porém. Na verdade, o rei George I assistiu em 1714 a uma montagem da ópera “Rinaldo” de Haendel em Londres – e deve ter gostado muito, sobretudo da célebre ária “Lascia ch’io pianga”. Mas, se mesmo assim eles permaneceram brigados – o que é altamente improvável – , Haendel pôs um final definitivo à rusga com este gesto ousado em julho de 1717. Rei nenhum – alias, ser humano algum resistiria ao poder de sedução desta música. Haendel, de fato, tem o poder, como escreve Shaw.
Erich Lehninger
Erich Lehninger é natural da Alemanha, onde começou a tocar violino aos cinco anos de idade, orientado por seu pai. Com onze anos tornou-se aluno de Helmut Zernick, em Colônia, e neste mesmo ano estreou em público com um recital de violino e piano. Em 1963, integrou-se à classe de Max Rostal na Escola Superior de Música em Colônia, onde se diplomou em 1969. Ainda como estudante, exerceu o cargo de Spalla da Orquestra de Câmara da Renânia. Foi solista de muitas renomadas orquestras, como Bamberger Sinfoniker (Orquestra Sinfônica de Bamberg), Nordwestdeutsche Philharmonie, Westfälisches Sinfonieorchester e outros. De 1971 a 1974, foi Spalla da “Nordwestdeutsche Philharmonie”, sob a direção de Erich Bergel, enquanto continuava seus estudos sob a orientação de Arthur Grumiaux.
Sua extensa atividade como Solista e Camerista o levou para muitas cidades em quatro continentes, inclusive ao Brasil em 1970, onde realizou a primeira audição sul-americana do concerto “Memória de um Anjo” de Alban Berg. Desde 1975 está radicado no Brasil. Neste mesmo ano, fundou, junto com Gilberto Tinetti e Watson Clis, o “Trio Brasileiro” que logo se consagrou com apresentações e gravações no Brasil e no exterior. Atua regularmente como solista com orquestras importantes do país. Foi Spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Spalla e Regente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outras orquestras. Foi professor da Universidade da Paraíba, em João Pessoa, da USP e da UniRio, e é responsável pela formação de duas gerações de jovens violinistas brasileiros.
Suas permanentes pesquisas sobre música brasileira resultaram em projetos, em especial o “Memória Musical”, iniciado em 1998. É detentor de premiações como o “Prêmio de Música de Câmara da Cidade de Colônia” (Alemanha); o “Troféu Eldorado de Música Erudita”; o “Prêmio Lei Sarney”; o ”Prêmio Carlos Gomes” e “Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte”. Como regente, tem atuado a frente à Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, à Orquestra Sinfônica de Recife, à “Sinfonia Cultura” de São Paulo, à “Sinfonietta Rio”, entre outras. Dando sempre ênfase à música de concerto brasileira, Erich Lehninger é um dos músicos de maior destaque no panorama musical nacional.
PROGRAME-SE:
Concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Terça-Feira (8), às 20h, na sala Villa-Lobos do Teatro Nacional
Regente e solista: Erich Lehninger
Entrada franca mediante retirada de ingressos na bilheteria, até o limite de lotação da sala
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: 3325-6232.
PROGRAMA
George Frideric Haendel (1685-1759)
Concerto Grosso, opus 6 n°.1
– A tempo giusto
– Allegro
– Adagio
– Allegro
Música aquática
Suíte n° 1 em sol maior, HWV 348
– Overture – Allegro
– Adagio e staccato
– Allegro
– Andante
– Passepied
– Air
– Bourrée- agudo
– Allegro moderato
– Hornpipe
– Menuet
INTERVALO
Suíte n° 3 em sol maior, HWV 350
– Saraband
– Rigaudon I
– Rigaudon II
– Menuet I
– Menuet II
– Gigue I
– Gigue II
Suíte nº 2 em dó menor
– Allegro
– Minuet
– Bourrée
– Lentement
– Alla Hornpipe