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Brasília

Oportunidade aos pequenos produtores

Arquivo Geral

10/11/2012 10h15

Johnny Braga

redacao@jornaldebrasilia.com.br


Pouco conhecida no Distrito Federal e bastante comum em estados do Norte do País,  Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, a haveicultura – atividade rural especializada em cultivo de seringueiras – em breve vai se tornar a mais nova atividade rural da capital. Um projeto inédito da Terracap vai dispor da venda de terras para implementar o cultivo de seringais, em uma área de 40 mil hectares. A produção esperada deve girar em torno de 600 árvores por hectare. Por se tratar de uma parceria público-privada, haverá um processo licitatório para a produção. O edital deve sair nos próximos meses.

 

Da seringueira é extraído o látex, que é a pasta base para produzir a borracha. O Brasil importa 70% do consumo do produto já finalizado. Na produção projetada para o DF, se espera obter um valor igual ou aproximado a 30 toneladas por ano de matéria prima. A área a ser destinada passará antes por um estudo para analisar sua capacidade, mas sabe-se que algumas regiões como as zonas rurais de São Sebastião e Planaltina serão algumas das contempladas.

 

O presidente da Terracap, Antônio Carlos Lins, visitou ontem uma plantação de seringueiras a 60 quilômetros de Brasília, no Jardim ABC, na Cidade Ocidental (GO). Para ele, o projeto será um marco nos investimentos no agronegócio. “É um projeto piloto e que já dá resultados bastante significativos no entorno da capital. É esse modelo que vamos seguir”.

 

Para o presidente da Empresa de Assisência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater), José Guilherme Tollstadius, o projeto é  uma possibilidade para pequenos produtores, mesmo  como atividade complementar. “É uma opção de diversificação econômica e com sua vantagem ambiental”, diz.

 

Expectativas no Cerrado
 
Naturalmente, a seringueira é cultivada em regiões de clima úmido, bastante diferente do  Distrito Federal, que é quente e seco em boa parte do ano. Porém, na Região Metropolitana, que possui as mesmas características, o cultivo deu certo. 
 
Mesmo que a prática não seja  comum no Cerrado, o presidente da Terracap, Antônio Carlos Lins, que também é pesquisador da Embrapa, garante o sucesso do projeto. Ele trabalhou com a planta nos estados do Acre e Pará. “O clima por aqui favorece o cultivo, uma vez que evita o aparecimento de doenças  comuns nos estados com mais umidade, como na Amazônia”, conta.
 
A produção no DF deve empregar vários pequenos produtores rurais. Cada grupo é capaz de produzir até seis mil plantas por ano e gerar uma renda familiar mensal, para duas pessoas, de até R$ 12 mil. 
 
O único produtor da Região Metropolitana, Flávio Rogério,   decidiu iniciar o cultivo após acompanhar a produção de um amigo de seu pai. “Hoje posso dizer que o retorno do investimento foi ótimo”, comemora.

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