Carlos Carone
A renúncia do ex-governador em exercício Paulo Octávio, mesmo depois de sua desfiliação dos Democratas, pode estar ligada a duas investigações instauradas pela Polícia Civil do Distrito Federal e que ainda não tiveram desfecho. Os inquéritos permanecem atravancados em suas tramitações. O Jornal de Brasilia teve acesso a documentos sigilosos, que apontam como uma das ações foi conduzida.
Batizada de Operação Tucunaré, o trabalho desenvolvido pela Delegacia de Repressão a Furtos (DRF) foi desencadeada por investigadores que pensavam tratar-se apenas de um esquema de estelionato, envolvendo trasações bancárias feitas com cartões de crédito clonados, ainda em 2007.
No entanto, com a intensificação das investigações e com uma série de interceptações telefônicas, a polícia chegou a um grande esquema de distribuição de dinheiro, tendo como foco empresas de fachada, que, em tese, ficariam sediadas no DF. Os policiais desconfiaram que não tratava-se de crime simples como estelionato, quando descobriram diversas movimentações bancárias, que somavam algo em torno de R$ 40 milhões, em um período de um ano.
Segundo a documentação, cinco empresas especializadas em informática e seus respectivos proprietários foram identificados como os beneficiários do esquema. “Apurou-se que no período de 1º de dezembro de 2007 até janeiro de 2008, foram movimentados cerca de R$ 4 milhões em um diferentes contas bancárias, sendo que, além do pagamento de cheques diversos e depósitos interbancários, foram realizados, ainda, três saques, em espécie, sendo dois no valor de R$ 750 mil e um de R$ 900 mil”, aponta um trecho do relório policial.
Surge um personagem
Em determinado ponto das investigações, os agentes chegaram até o nome do policial aposentado Marcelo Toledo, homem de confiança de Paulo Octávio. Ele teria sido flagrado em interceptações telefônicas conversando com os suspeitos que estavam sob investigação. Depois da descoberta, o caso saiu da DRF e passou para a Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco). Em seguida, a equipe de policiais e delegados que trabalhava no caso, no ano passado, foi exonerada da Deco e do Departamento de Atividades Especiais (Depate).
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