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Brasília

Onda de assaltos aterroriza lojistas da Galeria dos Estados

Arquivo Geral

17/04/2019 14h05

Atualizada 18/04/2019 8h08

Foto: Arquivo pessoal

Tácio Lorran
redacao@grupojbr.com

Os lojistas da Galeria dos Estados têm passado dificuldades com insegurança no local. Na última terça-feira (16), logo que chegaram para trabalhar, comerciantes se depararam com uma série de estabelecimentos arrombados. Sem câmera de segurança devido às obras que acontecem no setor, não foi possível identificar os suspeitos.

Bandidos atacaram dois restaurantes, uma lanchonete, um banheiro externo e uma dispensa. Entre os itens roubados, estão materiais de limpeza, alimentos e ferramentas de trabalho.

Do restaurante de Zelma Soares, os criminosos levaram um forno micro-ondas, quatro facas de corte, uma caixa de ferramentas, duas peças de queijos e todos os refrigerantes que tinham na geladeira. “Chegar de manhã e ver sua loja dessa forma é difícil – é como trabalhar para os bandidos”, lamenta a empresária. “Em momento algum a gente se sente seguro na Galeria. A gente fica meio que preso aos bandidos”, completa.

Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília

Rosângela Vieira, dona da lanchonete, diz que chegou por volta das 6h30, quando se deparou com a porta de seu estabelecimento arrombada. “Dá uma sensação de impotência. A gente trabalha tanto e eles estragam as coisas com uma facilidade que a gente não entende”, lamenta.

Ela diz que os ladrões não chegaram a furtar nada da loja, mas deixaram uma “bagunça enorme”. Durante toda a terça-feira, o estabelecimento de Rosângela não funcionou, pois ela estava arrumando a bagunça e concertando a porta.

A empresária esclarece que a situação piorou após as câmeras serem retiradas durante o início das obras na Galeria dos Estados. “Isso está nos prejudicando bastante. Aqui não passa um sentimento de segurança, pois não tem um policiamento”, conta. “O movimento caiu muito. Os lojistas não têm mais condições de pagar um segurança particular. Está muito difícil”.

Durante um certo período, os lojistas da Galeria dos Estados se juntavam para pagar um segurança particular durante a noite. Porém, a iniciativa foi desmotivada pela falta de recursos financeiros.

Crimes passados

Os crimes acontecem constantemente na Galeria dos Estados. Uma semana antes dos rombos registrados na terça-feira, um outro estabelecimento comercial havia sido roubado – também durante a madrugada. Dona da loja, Silvia Helena conta que os ladrões entraram em seu restaurante através de um buraco feito no banheiro durante as obras.

Os criminosos levaram cerca de R$ 200 em moedas, uma balança e panelas, além de refrigerantes, carne, feijão e arroz. “No dia, o meu filho teve que ir no mercado para comprar até o óleo que roubaram”, conta a empresária. Em dois meses, é a segunda vez que o restaurante de Silva é alvo de ladrões. No primeiro episódio, fugiram com R$ 400 em espécie.

Por conta da reforma da Galeria, comerciantes do lado par tiveram a opção de ser alocarem no lado ímpar para continuar em funcionamento. Silvia não aderiu a ideia e decidiu fechar o restaurante até o final das obras. “Não fui porque eu tenho medo de ser assaltada novamente”, explica. “O restaurante vai ficar um ano fechado e agora vou ter que procurar emprego”.

Gildenis Viana é funcionária de uma ótica na região. Segundo ela, o estabelecimento já foi assaltado quatro vezes somente neste ano. Criminosos levaram ventilador e ferramentas de trabalho. As armações de óculos, por exemplo, já tinham sido roubadas no ano passado e o dono não teve verbas para fazer a reposição.

Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília

Em visita à Galeria dos Estados, o Jornal de Brasília encontrou a ótica em funcionamento, mas com nenhum produto à venda. Todas as vitrines estão vazias e apenas a funcionária fica no local.

Versão Oficial

Por meio de nota, a Administração do Plano Piloto informou que, “repassou a situação aos órgãos competentes para as devidas providências”.

Sobre a segurança, a Polícia Militar do DF (PMDF) informa que o policiamento foi reforçado, principalmente em horários mais críticos. A corporação lamentou não poder manter policiamento fixo na Galeria dos Estados. “Desde o início do ano, o 1º Batalhão deteve 176 suspeitos ou autores de crimes na área da Asa Sul”, diz em nota.

“É muito importante que a PMDF seja acionada em caso de crimes e que as ocorrências sejam registradas para que haja investigação pelo órgão responsável”, finaliza o texto.

Já a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF) explicou que, no primeiro trimestre deste ano, não foi registrada ocorrência de roubo em comércio na Zona Central de Brasília e que a área da Galeria dos Estados está incluída na fase de expansão do programa de câmeras de videomonitoramento.

Reforma na Galeria dos Estados

Foto: Tácio Lorran/ Jornal de Brasília

Segundo o cronograma de obras da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), serão seis meses de intervenções no lado sul da galeria e outros seis meses de intervenções no lado norte. Os trabalhos começaram há pouco mais de uma semana. Todas as lojas em funcionamento do lado par foram alocadas no lado ímpar. No segundo momento da intervenção, o processo será invertido.

A reforma na galeria foi contratada em fevereiro deste ano e tem previsão de ficar pronta em abril de 2020. O investimento é de R$ 4.078.052,24. “A obra inclui a revitalização da galeria, com a recuperação e manutenção corretiva dos viadutos dos eixos W e L, substituição das instalações elétricas e hidráulicas, além da implementação da acessibilidade nas entradas leste e oeste da galeria”, informa a Novacap.

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