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Brasília

Olímpica, fim

Arquivo Geral

23/08/2016 12h01

Foi proposital. Deixei a tristeza da despedida para a coluna anterior com o objetivo, real, de encerrar o ciclo olímpico com alegria. Alegria comedida, afinal de contas a brincadeira acabou, mas alegria. Alegria, claro, que começa com o registro do ouro no vôlei masculino.

Como bem disse um integrante da comissão técnica italiana, amigo de longa data, a Azzurra entrou em quadra nervosa, “obrigada” a ser campeã, quando, na realidade, a obrigação era toda do Brasil. E foi fácil verificar a tensão entre os italianos. Até “furar” uma recepção daquelas bem simples, que os professores de Educação Física ensinam no colégio, eles conseguiram. E os brasileiros, com sangue nos olhos, chegaram ao título com uma facilidade inesperada. Melhor assim. Nossos corações sofreram o suficiente ao longo dos Jogos para, no último dia, continuarem a ser maltratados.

E se o domingo começou com a intensa alegria do ouro no vôlei (por favor, não nos façam esperar outros 12 anos para manter a escrita de Barcelona, 1992; Atenas, 2004; e Rio, 2016), terminou com a tristeza do apagar da chama olímpica na Cidade Maravilhosa. Não, não vou falar de tristeza. Vou preferir lembrar que foi bom, muito bom, enquanto durou.

O tempo, que andou mais para lá do que para cá durante o dia, decidiu virar de vez à noite. Pior do que a chuva foram os ventos. Na orla de Copacabana, por exemplo, chegaram a bater os 120km/h. Muitos assentos ficaram vazios no Maracanã – uns por não terem sido vendidos, mesmo (preços caríssimos), outros porque o pessoal ficou em casa com medo da combinação vento/chuva/multidão. O Maracanã, agora palco de duas finais de Copa do Mundo, de uma abertura e de um encerramento de Olimpíada, respondeu bem.

A cerimônia foi um pouco longa em demasia (Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico do Brasil e do Comitê Organizador dos Jogos, falou muito), a seleção musical deixou a desejar, mas…

Que show, espetacular, foi a chegada de Tóquio 2020 para o mundo. Dava gosto ver os olhinhos das crianças (muitas estavam presentes à cerimônia de encerramento) quando Mario Bros surgiu no telão. Mais ainda quando saiu da imensa caixa que trazia o primeiro ministro japonês caracterizado de Mario. Se foi o aperitivo do que virá daqui a quatro anos – tecnologia, modernidade e quebra da reconhecida seriedade japonesa -, os Jogos Olímpicos de 2020 começaram muito bem.

Aliás, algumas coisas curiosas da cerimônia de encerramento. Os franceses quiseram provocar tumulto na sua entrada. Os voluntários tiveram de agir com rigor para “colocar a casa em ordem”. Se fossem vaiados, ficariam reclamando depois. Contagiante a alegria da delegação da Holanda. Quem esbarrou com eles (e sua torcida) pelas ruas do Rio de Janeiro, já esperava por isso. E os “japinhas”? Última delegação a entrar no estádio, pegaram uma pancada forte de chuva e se colocaram, ordeiramente, à esquerda da bandeira de seu país, hasteada junto com a do Brasil e a da Grécia. Não levantaram. Pareciam colegiais educados. A tal seriedade japonesa que citei lá em cima.

E, para fechar os comentários olímpicos, que tal falar de seleção brasileira? Sim, a seleção que quebrou o tabu da medalha de ouro agora se volta para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, na Rússia – estamos longe da área de classificação, lembram?

Ontem Tite convocou os jogadores para as partidas contra Equador (1º de setembro, em Quito) e Colômbia (6 de setembro, em Manaus). Temos a volta de Marcelo à latera esquerda (aleluia!), e a convocação de sete olímpicos. Sete, não, exagero. Neymar é titular da seleção há anos, não pode ser chamado de olímpico; Gabriel Jesus e Gabigol também já foram chamados. Mas a convocação de Weverton chama a atenção. Como também é interessante ver o nome de Renato Augusto na lista.

Acabou a Olimpíada. Agora, voltemos ao Brasileiro, à seleção e aos pensamentos do que passou. Sem tristeza. Fizemos o que foi possível e o Comitê Olímpico Internacional, sem hipocrisia, não falou a protocolar frase “foram os melhores Jogos da história”. Seria mentira. Sabemos, porém, que chegamos onde podíamos.

Talvez tenha faltado alguma coisa aqui e ali, mas nos saímos bem. Pena que faltaram algumas medalhas. Mas devemos tomar a Olimpíada carioca como um ensinamento e partir para, realmente, desenvolver nosso esporte. Desde a base. A conquista de medalhas douradas, prateadas, bronzeadas, será apenas uma consequência.

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