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Brasília

Olímpica 20

Arquivo Geral

16/08/2016 10h18

A seleção brasileira feminina de futebol entra em campo esta tarde, no Maracanã, para jogar sua vida. Sim. A partida contra a Suécia é muito mais do que uma simples semifinal olímpica. E, quando escrevo simples, estou tentando minimizar a importância de uma semifinal olímpica. Minimizo porque vencer hoje as suecas pode representar, finalmente, o surgimento do futebol feminino no Brasil. Nossas melhores jogadoras, há tempos, precisam sair do país para poderem sobreviver. A tão criticada CBF mantém, para evitar o êxodo total (e por saber que nem todas teriam mercado lá fora), um time permanente para ajudar na sobrevivência de nossas jogadoras. Times populares (ou não) não conseguem manter uma equipe feminina. A semifinal olímpica, a simples semifinal olímpica, pode ser o salto definitivo para que o futebol feminino dê certo no Brasil.

Não custa lembrar que, se o Brasil passar pela Suécia, se tornará o país com mais conquistas internacionais no futebol feminino – apesar de jamais ter chegado ao ouro. Na fase de grupos goleamos as suecas. E agora? Acho que o sofrimento contra a Austrália (que havia nos eliminado na Copa do Mundo, ano passado, no Canadá) deu o sentimento de responsabilidade que faltava (se é que faltava) às nossas meninas. Se tivéssemos vencido as australianas com facilidade seria natural que, hoje, naquele que já foi o maior estádio do mundo, entrássemos de salto alto. Superamos, no Mineirão, dois traumas. E vamos brigar por uma medalha. Se for de ouro, maravilhoso. Se não for… Que não esqueçam o esforço feito por essas meninas até agora. Mas vai dar certo. E sexta-feira, quem sabe, finalmente sai a primeira medalha de ouro do futebol brasileiro numa Olímpiada.

E se a semifinal do futebol é o tema principal para nós, brasileiros, hoje, o que dizer de Usain Bolt? O jamaicano já se tornou local no Rio de Janeiro – e, porque não dizer, do Brasil. Tão brasileiro que viu a galera que lotou o Engenhão, domingo à noite, vaiar o norte-americano Justin Gatlin, seu maior rival (acabou com a prata). Era uma torcida brasileira para um “quase brasileiro”. Algo semelhante ao que aconteceu com o sérvio Novak Djokovic, adotado pela torcida no tênis; ou o multicampeão Michael Phelps, dos Estados Unidos.

Aliás, sobre Michael Phelps, deve-se abrir parênteses nestes Jogos Olímpicos – e me surpreende que nenhum colega tenha tocado neste tema na coletiva que ele concedeu, ou mesmo sem falar com ele. Vários atletas alegaram que não viriam ao Rio de Janeiro com medo de dengue, Zika e sabe-se lá mais o quê. Tudo mentira, não vieram por questões financeiras, esta é a grande verdade. Hope Solo, goleira da seleção feminina de futebol dos Estados Unidos, compatriota de Phelps, chegou a postar nas redes sociais fotos ofensivas ao Rio de Janeiro. Pois o nadador veio, trouxe mãe, mulher e o filho de três meses de vida. Isso mesmo: Boomer (este é o nome do filho de Phelps) não só veio ao Rio como esteve, todos os dias, nas arquibancadas para “ver” o papai. Medo de dengue ou Zika? Nada disso. Respeito ao Brasil e ao Rio de Janeiro, isso sim. Por isso é um campeão.

Por falar em campeões, esperei um pouquinho para escrever a coluna de hoje com a perspectiva de poder falar de medalhas de ouro na maratona aquática feminina e nas argolas – citando atletas, Poliana Okimoto e Artur Zanetti. Não deu. Nossa nadadora, num primeiro momento, ficou em quarto. Acabou herdando o terceiro lugar por punição à nadadora francesa, que tentou afogar a italiana que chegou em segundo (isso mesmo, não estou exagerando, não). Zanetti, que pena, não bisou o ouro de Londres. Mas a prata acabou sendo uma recompensa justa para alguém que se dedica tanto. Vamos ver até onde vai essa subida – e termino torcendo pela classificação do Brasil no vôlei masculino…

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