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Brasília

Olímpica 16

Arquivo Geral

12/08/2016 8h46

Não esperem que este colunista se junte ao coro dos maravilhados que consideram que a seleção brasileira olímpica, masculina, de futebol, finalmente encontrou o caminho. Não. Longe disso. Estamos classificados, sim, mas os problemas são muitos. E tendem a agravar-se se, amanhã, no Itaquerão, o torcedor paulista não fizer o que os baianos fizeram na Fonte Nova, abraçando um time visivelmente nervoso e sem padrão. No primeiro erro de Neymar, ex-santista, se os corintianos vaiarem; ou na primeira furada de Gabriel Jesus, palmeirense, os sãopaulinos xingarem… Lembrando, sempre, que o time da Colômbia é milhares de vezes melhor do que o da Dinamarca (aliás, como está fraco o torneio de futebol da Olimpíada).

Aliás, antes de continuar a falar do Brasil, uma reflexão: como se sentiria você, leitor/torcedor, sabendo que seu país foi eliminado do torneio olímpico por não ter conseguido fazer um gol, um golzinho sequer, numa equipe fraca como Iraque e/ou África do Sul? Pois este deve ser o sentimento de iraquianos e sul-africanos. Se um dos dois, qualquer um, tivesse marcado mais um gol na partida entre ambos, a segunda vaga do grupo lhe pertenceria, eliminando os dinamarqueses… Dito, ou melhor, escrito isso…

Sentia-se que a equipe estava tensa. A começar pelo treinador. A visita de Tite, na véspera, fez mais mal do que bem à equipe. E por uma razão muito simples: a mudança para quatro atacantes foi decisão de Micale ou teve o dedo de Tite? Entenderam a situação? Por mais que se diga que Tite foi apenas “dar apoio”, sempre restará a dúvida sobre uma possível intervenção branca. E isso é ruim para o grupo, que começa a perder a confiança no seu comandante – ainda mais quando o comandante dentro de campo, Neymar, apesar de menos individualista continua “se achando”, tanto que depois, entrevistado (curioso, quando ganha ele fala…), fez questão de dizer que o grupo “não estava ali para brincadeira”. Outra curiosidade: de novo, antes de uma partida decisiva do Brasil, o capitão apresenta uma contusão. “Não vai estar 100%” para o jogo contra os colombianos… Entendam o que desejarem, queridos leitores.

Mas não é só de futebol (masculino) que vive o Brasil nos Jogos Olímpicos. Sem querer ser “o chato da vez”, é claro que louvo o brilhante triunfo da seleção masculina de polo aquático sobre a Sérvia, campeã do mundo, lembro, porém, apenas, que os sérvios não ganharam de ninguém até agora, em três partidas (incluindo o jogo contra o Brasil). Nos dois confrontos anteriores, dois empates, contra Hungria (que também só empatou) e Grécia (que já ganhou uma vez, do Japão). Repito: foi uma vitória importantíssima, consagradora, diria, mas percebe-se que há um nivelamento, até o momento, por baixo, com os times mais preocupados em não perder do que em buscar a vitória. Jogando em casa, com a torcida “Fla-Flu” empurrando a equipe, o Brasil está indo para cima e, sim, vencendo. Que continue.

Aí, vendo a quantidade de lugares vazios nas arenas olímpicas, lembro que tentei diversos ingressos e não fui sorteado. Lembro, também, que a Real Federação Espanhola de Futebol está prometendo multar os times que, em seus estádios, exibirem assentos desocupados – “desvaloriza o produto na transmissão da televisão”, é a informação que recebo. Vejo alguns colegas defendendo a doação de ingressos, principalmente nas Paraolimpíadas, exatamente para evitar esse vexame. Discordo. E quem pagou? Será, mais uma vez, como é costume no Brasil, prejudicado? Será visto “como o trouxa que gastou dinheiro enquanto eu estou aqui vendo de graça”? E como seria a distribuição? Para os amigos dos amigos, ou em algum tipo de sorteio que ninguém sabe como acontece? O que deveria ter acontecido, desde o início, era ter-se evitado a ganância. Ingressos foram supervalorizados. Preços extorsivos e fora de nossa realidade. Resultado: público longe das arenas.

Como nem só de Olimpíada vive o esporte, eis que o Campeonato Brasileiro, quase esquecido, continua envolvido em polêmicas. E não falo das calamitosas arbitragens ou do vai e vem dos treinadores. Ou melhor, falo sim: às vésperas do jogo entre São Paulo e Botafogo, domingo, abrindo o returno do Gangorrão, não é que o tricolor paulista decidiu tentar contratar Ricardo Gomes, treinador da equipe carioca, para substituir o argentino Edgardo Bauza, que foi treinar a seleção de seu país? A diretoria do Botafogo, que antes de o Brasileiro começar já enfrentou o assédio de Cruzeiro e Atlético Mineiro pelo seu técnico, agora terá de resolver (ou não) mais este problema. O detalhe mais importante, repito, é que a investida seja feita na semana em que os times se enfrentarão.

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