Vamos falar a verdade? Tem sido decepcionante a participação brasileira, até aqui, nos Jogos Olímpicos Rio 2016. E vejam que escrevo antes do resultado da partida entre Brasil e Dinamarca, pelo torneio masculino de futebol, que pode aumentar ainda mais este sentimento de despreparo e desolação se Neymar e seus amigos forem eliminados na primeira fase da competição – alguém aí esqueceu que o mesmo aconteceu com a seleção principal na Copa América Centenário, com a equipe dirigida por Dunga?
Como já cansei de comentar (e não sou o único), perdemos uma grande chance. Em termos de infraestrutura, apesar de todo o marketing do prefeito do Rio de Janeiro, perdeu-se a chance de dar uma virada na história da cidade. Poucas foram as obras que efetivamente terminaram e deixarão algum legado (horrível esta expressão, mas menos ruim do que “herança”) para a população carioca. O tal VLT, o bondinho moderno, só circula até agora na parte mais central da Cidade Maravilhosa, como um garoto propaganda de uma administração que dá certo – mas quem lembrar da ciclovia que caiu, dos buracos em pistas recém-asfaltadas e nas vigas da perimetral que sumiram…
Esta coluna, porém, é sobre esportes. E é nesta área que a dor é maior. Apesar de os defensores da presidente quase impedida terem veiculado nas redes sociais que Rafaela Silva chegou onde chegou graças ao bolsa-pódio, implantado pela quase ex-presidente, esqueceram de falar de tantos outros (muitos ilustres desconhecidos e vários sobre os quais pesam suspeitas, basta ler matérias antigas) que recebem o mesmo incentivo e nada fizeram. Como disse, perdemos a chance de dar um salto no esporte nacional. Há tempos o ministério do Esporte, sempre entregue a partidos “da base aliada” para pessoas sem a menor relação com o tema não faz aquilo que deveria fazer: promover o esporte de base.
Se a meta do Comitê Olímpico do Brasil era terminar os Jogos Rio 2016 colocando o país entre os “top ten” (as dez primeiras nações em conquistas de medalhas), muita gente deve estar sem dormir por lá. Até o vôlei de praia, até agora, vacila. Claro que tudo pode mudar nos próximos dias. Neymar e companhia podem acertar o pé e o Brasil partir absoluto para o ouro; o vôlei de quadra (que até agora não decepcionou, apesar de o time masculino ainda precisar “pegar no tranco”) parece que vai cumprir o seu papel; o basquete masculino dá esperanças, mas… E os demais esportes?
Não se espera muito (ou nada) do atletismo. Infelizmente. A vela deve cumprir seu papel. O judô não está conseguindo decolar (e não falo apenas de medalhas, falo da participação efetiva na competição, com poucas idas às fases finais do torneio). A esgrima surpreendeu, mas não chegou muito longe (talvez tenha faltado um pouco do bolsa-pódio…). O tiro esportivo nos deu a primeira alegria. E… Quem mais?
Quando fico sabendo que a dupla de nado sincronizado (já eliminada) não se falava há algum tempo, fico imaginando onde está a organização do COB diante deste fato. Será que ninguém no Comitê sabia que Giovanna e Ingrid estavam sem se falar? Caramba! Uma prova de duplas precisa, no mínimo, de grande entendimento entre os participantes. Algo como um precisa saber quando o outro vai respirar para respirar junto. Os pensamentos devem ser únicos. Os objetivos, idem. Detalhe para piorar a situação: a briga aconteceu pela discordância sobre o salto a ser realizado, ou seja, elas brigaram justamente pelo que deveria ser o seu elo, a sua união, o seu meio de sobrevivência na competição. Prefiro pensar que tudo não passou de brincadeira – delas, dos treinadores, da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, enfim… E espero os desmentidos de todos a partir de agora.
Finalizando o papo de hoje, sem tocar no Campeonato Brasileiro, que está em recesso, admito aqui que errei. Não gosto disso, mas não posso enganar os leitores. Lá atrás escrevi que quando as competições começassem tudo seria esquecido: problemas de transporte, arenas inacabadas, falta de preparo de terceirizados e voluntários… Errei. Feio. Continua tudo um caos. Quem sai mais tarde do Parque Olímpico não encontra condução para chegar em casa (vários jornalistas se queixam, também, da demora no deslocamento entre uma sede e outra); as chamadas estruturas provisórias não demonstram acabamento e, o que estava “acabado”, está se acabando com ventos inesperados que atingem o Rio de Janeiro; falta comida e informação nas sedes e, para completar, na noite de terça-feira um ônibus, que conduzia jornalistas, foi atingido por algum objeto (dizem que foram pedras, mas falam em balas de pequeno calibre) e teve vidros destruídos e gente ferida.
Pelo menos nestes casos, ou melhor, pelo menos no que diz respeito ao claudicante desempenho esportivo e aos problemas estruturais, estamos garantindo uma medalha dourada: sem qualquer manifestação dos responsáveis, lembramos o velho ditado que diz ser o “silêncio de ouro”. Sendo assim…