Quando recriou os Jogos Olímpicos, Pierre de Coubertin, lançou a frase que diz que “o importante é competir”. Uma desculpa, convenhamos, para não arrasar os milhares de atletas que sabem que jamais chegarão a lugar algum e, nem por isso, devem sentir-se diminuídos pelo fato. É bonitinho, simpático, mas cruel. Imaginem o que sente aquele nadador que, na sua série eliminatória fica em último lugar e, quando compara com o vencedor da prova, vê que está nove, dez segundos atrás? Vem à mente que o importante é competir e… Vamos em frente. A vida é assim: temos vencedores, perdedores e lutadores.
Domingo à noite, porém, a quadra central do Centro Olímpico de Tênis, da Rio 2016, viu algo que talvez sirva para mostrar que a frase do barão Pierre de Coubertin tem, sim, razão de ser. Se não, como explicar o choro convulsivo de Novak Djokovic, número um do ranking do tênis mundial, milhões de dólares na conta, doze (isso mesmo, uma dúzia) de títulos do Grand Slam na carreira, ao ser eliminado pelo argentino Del Potro? Que diferença fará na carreira de Djoko uma medalha de ouro que praticamente não tem ouro? É neste momento que devemos parar para pensar e tentar entender a loucura que é o esporte.
Djokovic entrou na quadra com duas munhequeiras: uma nas cores da Sérvia, seu país; outra em verde e amarelo. Na raquete, a mensagem “boa sorte”. Mesmo em desvantagem, fazia questão de ser simpático com a torcida – que, claro, torcia por ele, não só por ser ele Novak Djokovic, como por enfrentar um argentino. E o jogo transcorria complicado. O primeiro set durou 1h11. Foi ao tie breaker e Djoko perdeu. No segundo set, ainda mais longo, nova derrota do número 1 do mundo – e o choro, a tristeza. Na entrevista, elogiou a galera, fez questão de falar da atmosfera criada pelos torcedores… Estava em casa – e continuará sem sua medalha de ouro olímpica. Mas, neste caso, o importante é realmente competir.
E não se pense que os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão sendo marcados por fracos desempenhos. Procurem acompanhar o que acontece nas piscinas. Michael Phelps já faturou mais uma medalha de ouro – ele sozinho já ganhou mais medalhas douradas em Jogos Olímpicos do que a Argentina, vejam só. Marcas estão aí para serem quebradas.
Conforme este colunista previa, bastou que as competições começassem que os problemas seriam “esquecidos”. Ontem, num evento que reuniu jornalistas do mundo inteiro, fiquei sabendo que a Vila Olímpica continua causando irritação. O assessor de imprensa da delegação japonesa, amigo de longa data, me disse que estava tomando banho para acompanhar alguém de sua delegação quando a água acabou. E ele todo cheio de sabão… Em outros quartos continuam os problemas de entupimento, elétricos… Houve uma atleta do Japão que cansou de esperar pelo conserto de um cano entupido e… Resolveu ela mesma.
Falando do evento… Era uma comemoração da Associação de Imprensa Esportiva Internacional para presentear, com uma miniatura da tocha olímpica, jornalistas esportivos que tivessem comparecido a pelo menos dez Jogos Olímpicos (incluíam na relação os Jogos de verão e de inverno). Do Brasil tínhamos um: Álvaro José, que brilha (como de hábito) na Band Sports/Rede Bandeirantes. Âncora da emissora, Álvaro não pode comparecer e me deu a imensa responsabilidade de representá-lo. Complicado… Ser o representante de um mito do jornalismo esportivo… A miniatura da tocha de Álvaro José está comigo e será entregue, em data que ele marcar, nos estúdios olímpicos da emissora.
Para fechar a conversa de hoje, deixando até de falar no Brasileiro (tivemos duas partidas ontem à noite)… O que se pode dizer do tal padre irlandês que se diz “traído” por Vanderlei Cordeiro de Lima, que, segundo ele, “só alcançou a fama” por ter sido vítima de seu ataque durante a Maratona de Atenas, em 2004? A insanidade do cidadão atingiu limites inimagináveis – e, digo com sinceridade, seria interessante que as autoridades de seu país ficassem atentas às suas movimentações, afinal de contas, quem pode afirmar que ele um dia não vai pegar um avião e tentar alguma coisa contra Vanderlei? Ou não vai sair às ruas de sua cidade agarrando qualquer um e fazendo sabe-se lá o quê? Sujeito estranho. E perigoso.