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Brasília

Olímpica 06

Arquivo Geral

02/08/2016 7h41

Atualizada 01/08/2016 19h41

A noite de domingo reservou detalhes interessantes sobre os Jogos Olímpicos que se aproximam. Amanhã já teremos futebol, mas vamos situar o dia 5, dia da abertura oficial, como o marco de início da Olimpíada. Foi revelado, durante programa de televisão da emissora oficial dos Jogos, quem será o (no caso a) porta-bandeira do Brasil no desfile das delegações. A escolhida, por votação popular, foi Yane Marques, medalha de bronze no pentatlo nos Jogos de Londres 2012. Segundo informado, ela superou, com 49% dos votos (não foram ditos quantos), o líbero da seleção masculina de vôlei, Escadinha (ou Sérgio, como prefere Bernardinho), que teve 40% e o multicampeão da vela Robert Scheidt, com os 11% restantes. Escolha justa? Não há como dizer não. Algumas dúvidas, porém, povoam minha mente e vou dividir com os leitores.

Será que o público brasileiro sabe o que é o pentatlo moderno? Será que uma medalha de bronze neste esporte tem tanta representatividade para o torcedor quanto os vários títulos obtidos por Escadinha com o vôlei (vejam que nem falo de Scheidt), esporte muito mais popular e que atinge uma camada muito mais atuante da população do que os amantes (vamos dizer que existam) do pentatlo moderno? Repito: escolha justa, acertada, Yane é representante, sim, de todo o sofrimento dos nossos atletas – até pelo que o colunista escreveu anteriormente, e não estou sendo incoerente. Mas… Conseguiria o pentatlo moderno superar o vôlei nesta corrida por votos? Aí, ontem, dando uma olhada nos concorrentes, ou melhor, em outros jornais, rádios, portais, emissoras de tevê, deparei-me com um título que talvez explique tudo: “Mulher, nordestina…” Será que não escolheram Yane, mas sim o estereótipo de um Brasil múltiplo e integrado?

Aconteceu, também, o ensaio geral da cerimônia de abertura. A intenção da organização é manter, até sexta-feira, o segredo. Bobagem. A partir do momento que permitiram a presença de jornalistas e, principalmente, de convidados dos voluntários (mais de três mil pessoas, segundo declarações), daqui a pouco vamos ver fotos e comentários nas chamadas redes sociais. Já li que Gisele Bundchen será “assaltada”, mas protegerá seu algoz numa mensagem de paz. Fiquei sabendo, também, que teremos imagens em 3-D no centro do gramado (coberto) do Maracanã. E que uma réplica do 14 Bis vai voar pelo estádio. Ficou faltando, apenas, conhecer quem acenderá a pira olímpica. Este é um segredo que até agora está mantido. No mais, pelo que disseram, mais do mesmo: os diversos estereótipos do que se convencionou dizer ser “tipicamente brasileiro”. Mas vai valer a pena ouvir Paulinho da Viola cantando o hino nacional ao violão.

E, para completar a noitada, tivemos a convocação do novo goleiro da seleção de futebol. A decisão do substituto de Fernando Prass saiu por volta das 18h45, mas achei melhor não alterar a coluna de ontem antes de conseguir outras informações. E elas vieram. Foram confirmadas as objeções dos clubes à liberação dos nomes que constavam na lista inicial, daí a autorização da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional (mais da Fifa, que “dirige” o torneio de futebol dos Jogos). Weverton, goleiro do Atlético Paranaense, chega para ser titular, o que certamente cria um clima estranho para quem lá está e não ultrapassou a barreira dos 23 anos. É como se o segundo goleiro lá estivesse apenas para completar a lista. Ruim isso. Em momento algum se cogitou colocar Uilson, do Atlético Mineiro, como titular? E se precisarem dele? Repararam na questão, mais psicológica do que técnica, mas existente? A comissão técnica deve saber o que está fazendo.

No Gangorrão, aconteceu o que o colunista previra: mudanças drásticas nas primeiras colocações. O Palmeiras de líder virou terceiro – e só não foi para o quarto lugar porque o Grêmio tropeçou no lanterna do campeonato (nada contra o América Mineiro, mas time que pretende lutar pelo título não pode perder pontos para o Coelho). Na parte de baixo da tabela, mudanças interessantes. Se os dois mineiros (incluam o Cruzeiro, neste momento, na parceria com o América) começam a se acostumar com a presença no Z-4, temos Coritiba e Santa Cruz também se mostrando “confortáveis” na área da degola. Vitórias tiraram Sport, Figueirense e Botafogo da confusão, mas aproximaram Vitória e Internacional (quem diria…). Resumindo: parece que temos, mesmo, seis times brigando pelo título e uma penca brigando para não cair. Vale destacar, também, que Corinthians e Santos estão mantendo uma “gordura” que poderá ser importante no caso de um novo desmonte, quando a janela europeia se abrir.

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